Metralhadora Giratória

Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.



ESSES METRALHAM BEM
Marião
Ronaldo
Espelho trincado
Desgraceira
Casa do Horror
Fernanda
Na moita, mas achei
Fausto botequeiro
Foda-se essa merda

METRALHE
Vai, puxa o gatilho!


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Sexta-feira, Outubro 10, 2008
 
Ask the dust

Você pagou uma de Camila Lopes
Vivia pregando o desprezo, o seu Sammy
era o dinheiro, benesses e oportunidades
Faltou você incorporar de vez a Camila Lopes
E tentar ao menos permanecer como era, o
que nunca aconteceu
No início vestiu bem a personagem
A fazia de modo natural, sem esforços
Considero que a artificialidade veio depois e
por ora se mantém, e, pelo jeito, continuará
O único problema é que não sou Bandini
Posso parecer em vários aspectos, mas
a essência, que era o romantismo, incinerei
Em um balde de fogo alimentado pela sua própria
vaidade, arrogância e desdém
E nem quero vê-la definhar, assim como sei que
ocorrerá, mais cedo ou mais tarde
-
 
Ask the dust

Você pagou uma de Camila Lopes
Vivia pregando o desprezo, o seu Sammy
era o dinheiro, benesses e oportunidades
Faltou você incorporar de vez a Camila Lopes
E tentar ao menos permanecer como era, o
que nunca aconteceu
No início vestiu bem a personagem
A fazia de modo natural, sem esforços
Considero que a artificialidade veio depois e
por ora se mantém, e, pelo jeito, continuará
O único problema é que não sou Bandini
Posso parecer em vários aspectos, mas
a essência, que era o romantismo, incinerei
Em um balde de fogo alimentado pela sua própria
vaidade, arrogância e desdém
E nem quero vê-la definhar, assim como sei que
ocorrerá, mais cedo ou mais tarde
-
Terça-feira, Outubro 07, 2008
 
Love´s funeral
ou
Mail nonsense

O pior é morrer ainda estando vivo
Nunca liguei muito para perdas
Mas algumas são eternas
E não foi por conta de aviso
E o sentido de ficar levantando é meio vago
Pois sempre vem alguém atrás querendo te derrubar
Tinha ânimo para quedas
Antes só esfregava os joelhos,
Sustentava o corpo pela mão e esperava a próxima derrocada
Agora é diferente. Aqui embaixo, no limbo, tá cômodo
A dor, intermitente, lateja e silenciosa nas lágrimas
Saudade eterna de algo que se foi há pouco
E que venha a solidão, parceira de copos e madrugadas lúgubres
Silenciosa, no seu canto do balcão, não aceita se dividir
E duro é ficar longe querendo estar perto
E não ter aquilo que tanto se quer
Pensei que já houvesse me acostumado
Terei de aprender.....a perder
E o pior de existir, é tentar deixar de fazê-lo e não conseguir
-
Segunda-feira, Outubro 06, 2008
 
Tobogã

Cortei toda a junção da unha com os dedos
Joguei álcool e raspei com lixa
Assim ficou bom
As pimentas mastigadas e engolidas seguidas
Foram degustadas com café quente amargo
E não consigo me lembrar onde coloquei a água sanitária
Para jogar nos olhos e estancar todo ardor das cebolas cortadas
Não que eu me importe com o tiro no joelho
O difícil é dobrar a perna
-
Quinta-feira, Outubro 02, 2008
 
Malas

Houve um tempo em que as deixava prontas, à disposição, num canto qualquer
É a eterna sensação de nunca estar adequado e nem querer me adequar
Baixar a cabeça, memear ou mesmo ignorar, como muitos o fazem
São estratégia, aprendidas com a Arte da Guerra ou com a vivência mesmo
A sensação de algo ser cômodo nunca foi agradável e a inquietude é presente
A panela, sob pressão, uma hora explode. E o que resvelar pode não ser bom
Mesmo sem recursos, rumos, metas, sonhos ou valores. Ir, simplesmente
Romper repentinamente pode parecer radical aos mais sensíveis
Pra mim é rotina e única fuga possível contra essa eterna sensação
Incômoda, é fato, de nunca estar enquadrado ou disposto a isso
Para os que conseguem enxergar dessa forma, se submeter e render-se ao
status quo, fica a minha inveja, pois não sei de onde tiram forças pra isso
Se bem que fraqueza é algo que ainda julgo subjetivo
Pois haja força para reconhecer a fabilidade e o fim
E a necessidade de continuar na estrada, seja para onde for,
com quem for e quando for. Apenas ir.
-
Terça-feira, Setembro 30, 2008
 
Deadline

Até tentei me fingir de morto, ficar num canto, aproveitar as benesses
Simplesmente não agir ou mesmo não imaginar que algo não está bem
E não pelas razões técnicas de sempre: prazo, espaço e outros
Mas sim pela autocrítica, de fazer algo bom ou não
E quando o que se tem ou espera é péssimo, abaixo do razoável...
Então é dar linha na pipa. Deixar pra trás quem pensa em estar bem
Mas está a seu modo, claro. E enterrar-se-á no túmulo do ostracismo
E levantar a bandeira de casamentos, apartamentos, carros zero...
Esse estilo de vidinha de recém-chegado à classe média
E não deixar se levar pelo vazio, ânsia
Se o acordar todo dia é pra saber que não terá esperança
Então que se tire aquilo que dá a falta esperança
Renascer das cinzas, sair do zero, tentar, a todo custo, entender
O motivo pelo qual o vazio e a inadequação, preenche, e também é o local certo
De sentir-se tendo algo, mesmo com nada
E de estar em algum lugar, mesmo perdido
-
Quarta-feira, Setembro 17, 2008
 
Labirinto

Apontaram o caminho, seguia em várias direções
Todas distintas, tentando revelar soluções, melhoras, saídas
Entrei. E saí. De várias confesso, mas até agora busco
Algo que está difícil de encontrar
Muitas coisas são difíceis. Por exemplo: acordar cedo, abrir os olhos,
respirar, andar, ir até o banheiro, pegar a pasta de dentes, chuveiro, etc
E depois de calçar as botas, fechar o zíper e pegar a mochila, vamos lá.
Os lugares diferem. Em sentimento, tamanho, gênero, distância, se terá retorno ou não
Na prática é fazer aquilo que não gosta em troca daquilo que se gosta
E encontrar alguém que se gosta, mesmo que o contexto diz pra não gostar
São as compensações, dizem.
Vamos a outros caminhos. Viver, sair, beber, cair, levantar, ser levantado....
E, de novo, pegar a bota, chuveiro, ziper, etc......Acreditar em coisas inacreditáveis.
Relacionamentos humanos, principalmente os íntimos - e asseguro que aí está incluído até usar
um banheiro público - incluem-se no rol de fobias. Dos outros, não. Do que penso a respeito deles
Total desprezo, indiferença em acreditar que algo pode ser bom, mesmo mascarado em uma
embalagem milimetricamente arquitetada por um marketeiro de plantão
O encontro de Sartre com Osama, entremeado por Marquês de Sade tendo como tradutor o velho Buk
É baseado nisso que aflora uma única esperança, o mais tenro desejo: o de implosão de todos os
caminhos, fortalecido pela fé de que a Coréia lançará seu track e nos levará a um lugar de onde
nunca deveríamos ter saído, ou sequer estado, quem sabe.
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Segunda-feira, Setembro 15, 2008
 
BVC

A solidão às vezes fere como uma navalha

Bêbados Habilidosos
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Sexta-feira, Setembro 12, 2008
 
Índole de lascividade

Um curro no canto da cozinha
Enquanto o segredo da chave é trocado
Um adeus a um, um oi a outro
E no elevador, escada, janela. Um gozo. Coito, coito
Mergulho de prazer na voluptuosidade sem fim
E para recordar a memória póstuma da morte
trágica, o remédio para despir o féretro é lúbrico
E na demora da escolha, a solução é libidinosa
Ou seja, conjugar, ao mesmo tempo, o verbo unir
e dividir, reter, reprimir e repugnar
Colocando como fiel da balança a libido
A índoce da inerte volúpia
Em trips com pigmeus ou mesmo
Entregas a gordos e nojentos candidatos à
chancelaria, ou mesmo ex-colegas de labores
E na faina da sedução, deleites à prova de portas
Enleando com lascividades nunca antes experimentadas
Aprofundamendo o sedal, chegando ao âmago da entrega
Para depois, alimentar ódios, intrigas, confissões
De desejos reprimidos, ante a negação da subserviência
Ausência de respeito e métodos baixios que se vão tal qual a lama
Beirando à parvoeira pela rotina de xérox tirados
Com a evolução do labor, a faina de servir ao cliente
Incursões em ares nunca explorados
E o gosto por desonrar o que sustentava
Voltando ao natural, se aproximando da índole
Fatal
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Terça-feira, Setembro 09, 2008
 
Que esteja certo, caro Davi

Do outro lado da linha apenas uma respiração
Imagino que ela já sabe de tudo que aconteceu
Sempre estava à espreita, rondando, cercando
Dizendo que de nada adianta alimentar esperanças
Sinalizando que essa tal felicidade é coisa de romântico
Então fui prático. Retornei a ligação, marquei um encontro
É impressionante como ela permanece como antes
Passaram-se alguns anos, poucos de fato, mas imutáveis
Tive de reconhecer que ela sempre esteve próxima
Mas maquiagens travestidas de encontros, abraços, beijos,
momentos ínfemos de contentamento, fizeram com que ela
se mantivesse distante
Depois de alguns goles de uísque, uma porção de fritas e muita
conversa jogada fora pelo simples gosto do reencontro, decido
que um esquartejamento se faz necessário
Levanto, pego a faca que o cozinheiro preparou um peixe,
coloco a ponta em sua nuca e rasgo até o fim da coluna
Ante aos olhos de desdém dos outros ocupantes das mesas,
rasgo o torso, pernas, braços, divido os olhos e separo as tripas
Coloquei na mochila e fui espalhando em cada esquina que caminhava
Um pedaço de tristeza e desilusão distribuídos de forma assimétrica
por cada esquina, rua, lugar que estivemos juntos
Preferi não sepultar nem esconder. Mas escancarar que agora voltou
tudo ao normal, tal qual como dias cinzentos de cidades européias
Ao som de todo repertório de Tom Waits, que insiste em vociferar
palavras de desapego, desesperança e inconformismo no MP3
que parece instalado em meu córtex
Que seja, ao menos agora posso experientar se o salmista (*) de fato
tem razão, pois a noite, como toda noite de desilusão, é longa, só
espero que não tão longa quanto a cidade de Barrow, no Alasca (**)

(*) Salmo 30, versículo 5
(**) quem assistiu a 30 Dias de Noite sabe do que falo

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Segunda-feira, Setembro 01, 2008
 
Noivo cadáver

De algo que ainda vive
Uma jazigo de portas abertas
Exalando o pútreo aroma
Do que restou de um romance
A lápide escrita unilateralmente
Sela o que houve de esperança
Escancara os interesses difusos
Que sepulta sentimentos em
Detrimento de materialidades
Para desaflorar novos labirintos
Infindáveis, que percorrem nada mais
Do que a desperança e vaidades
-
Terça-feira, Agosto 26, 2008
 
Freedom
Compromissos arranjados
Destinos de viagens fortuitos
Com cias inopinadas
O desejo de voltar a ser o que era
Num trajeto curto, mais fácil
Em detrimento da tal sanidade
Sanidade se traduz em seguir a regra
De padrões determinados, comportamentos
Objetivando o soldo. De tolo
Labor não integra esse cenário
Se assim for a liberdade e sanidade
Que advenha a prisão e a loucura
-
Domingo, Agosto 24, 2008
 
Sangria do adeus

Táticas antigas, novos disfarces
Dissabores e estratégias de mentiras
Fazendo disso a verdade. Insana
E descarregando firulas existenciais
Em porra e suor que escorrem entre as pernas
E fazer da ilusão própria
A tentativa de uma verdade coletiva
E o passado, que deveria servir de aprendizado
É só mais uma mancha de modelos tórridos
De torpor, em busca de algo que não encontrará
Pois num feno de inverdade, a agulha não se encontra
O espinho cravado no peito
Só recebe mais um soco
E se aproxima ainda mais do coração
Não há como estancar
E entender como se perde algo que nunca teve
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Sexta-feira, Agosto 01, 2008
 
Vai ao Rio?

É necessário sempre estar entre um e outro
Ah, tá. Assim se equilibra a vida. Sei
Culpar o psiquê e falar que é algo inconsciente
E a materialidade da porra entrando
E o suor pingando
Ah, desculpe, foi porque é necessário equilíbrio
Pessoas relutam em aceitar seus demônios
Os vestem de anjos e os deixam ao largo
Fazendo vistas grossas e, quando saem, dizem
que ainda não foram a lugar algum
Optar por não estar em um nem em outro é estar
em lugar algum. Ocupar o vazio, tipo coluna do meio
E viver só de empate
-
Sábado, Abril 19, 2008
 
De modo selvagem

Ando e encontro uma maneira de ser livre
Levo comigo um vazio e pergunto silenciosamente
Que todos os meus destinos irão aceitar o desencontro
e assim posso respirar
Me excluo de círculos que crescem e tentam engolir a todos
E daqueles que dizem que tudo está bem para suas esposas
Mas no fundo elas não sabem o que realmente se passa
E a mente, cheia de perguntas a um professor que mora em minha
alma. E assim eu vou
As respostas, que nunca são dadas, me fazem ficar longe e
acreditar que preciso apenas ir
Questões proprietárias de efeitos gravitacionais que levam a lugares
que insistem em me atrair
Se alguma vez houve alguém para manter-me no que chamam casa.
Pode ser você
E todos nos deparamos com gaiolas em que vivemos e adquirimos
E pensam em mim e no meu erro, mas estou em lugares que nunca pensaram
que estivesse
Tenho minha indignação, mas sou puro em todos os pensamentos e na vida
Sinto ventos em meus cabelos e espalho sentimentos por toda parte
Tais sentimentos atingem todo meu ser. O certo é que volta não há.
O caminho desapareceu e sequer há norte, rumo ou resquício
Já é tarde da noite e ouço as árvores cantando sob as cabeças dos mortos
Deixei tudo que era caro para mim e encontrei uma maneira de ser
Considero-me um satélite sempre em órbita
Eu sabia todas as regras, mas elas acabaram por não me garantir nada
-