Metralhadora Giratória

Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. O prazer de desagradar. Questão de afinidade. claytonfreitas@yahoo.com.br

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Sábado, Janeiro 31, 2004

Mais um confetezinho pro meu carnaval particular

Recebi essa cartinha de um amigo chamado Rildo.
Deixou escrita no micro antes de pegar o bumbão
nesse sábado de manhã.
Ele ficou na minha casa uns dias aí pra fazer um
curso de cinema. Acho que não via a hora de ir
embora, coitado. Nem eu me suporto que dirá os
outros. O cara me suportou uns 20 dias ou mais....
Bateu o record!!!! Herói da resistência!!!! hehehehe
O que ele escreveu sintetizei da seguinte
forma você é um fudido legal.
O Rildo veio e aproveitou para mandar uns currículos
pra ver se arrumava trampo por aqui.
Pelo jeito gostou de Sampa de vez.
Os XXX lá embaixo é pra não ferrar com o cara.
Antes que algum dos engraçadinhos de plantão
(especialmente Décio, Mariva, Augusto) venham
questionar minha preferência sexual, quero, desde
já, falar para os mesmos se fuderem!!!!
Amigo é amigo cacete.
O lance de puta que ele fala é porque ultimamente
eu tô me sentindo uma bosta (pior do que o normal)
por ter de fazer um frela ai num jornal hard pra
defender uns trocados pra pagar o rango, por exemplo.
Enfim, acho que é por essas e outras que ainda
vale a pena ficar por aqui (existindo)

¿Por algum motivo temos que nos endurecer,
mas perder a ternura jamais¿. (Che)


Parafrazeando Oswaldo Montenegro eu só poderia
dizer que somos uma metade
E que metade mim parte mas a outra metade fica
Por que passei por essa estrada e nela deixei pegadas
E elas serão teimosas, mesmo que a garoa apague
Ou mesmo que os outros pisem e vire fuligem ou pó
de piche.
Não há um lugar da vida por onde passamos que não
deixamos uma parte de nós
Mesmo que seja o homem um feito do todo
E que o todo seja a moldura de uma metrópole
De prédios, casas, monumentos, favelas e ruas
De homens de todas as formas
De todas as normas
De infinitos costumes
Mas passei
E sei que posso retornar.
É claro que metade de mim vai levando um sorriso
Mas a outra metade carrega um choro
E não por que sou ¿sensível¿
Mas porque levo comigo a gratidão de um amigo.
Amigos Clayton, não se compram e
nem mandam
vir de Taiwan
Alguns vêm do céu
Outros do inferno
Mas vem
Por algum motivo vem
De passagem de trem
Ou de expresso São Rafael.

Eu queria lhe escrever um poema, uma carta algo
do tipo
Mas prefiro lhe agradecer
Poucos amigos fazem o que você fez
(Esquece a bebedeira e a dosagem acida de
algumas palavras, esse é o Clayton).
E eu sei que além de tudo isso existe um cara maravilhoso
Que tenta ser o homem de pedra, mas é tão fino como
um cristal.
O bom cristal não suporta o grito
Ele trinca e espalha seus finos cacos (horas o
vidro corta, meu caro!).
Falar que não gostei desse período aqui e ser
muito hipócrita
E gostaria muitas vezes de extrair de dentro
de mim um pouco do seu jeito
(Tem gente que merece. Rancoroso!!!!!!)
E não quero ficar ovulando aqui em seu
computador (Adorei a tia Dedeca)
Não quero ficar pensando na Carol, André,
Letícia, Consuelo, Marcos, Bortolotto, Ivan...
Prefiro pensar em você, afinal, os conheci por
tua culpa.
Meu amigo, antes de você ser uma puta saiba
que você é um puta cara, dos poucos que admiro
e saiba que você tem muito mais coragem do que eu.
Mas falando em ser puta: aqui vai uma receitinha
básica para ser uma boa puta meu amigo: Você
vai precisar fazer um belo regime,
Um bom aplique com boas dosagens de silicone
e fazer umas aulinhas de boas maneiras
E saber dar e comer na proporção exata, tá!
Mas uma certeza eu tenho: você tem personalidade
e isso poucos tem
É claro que a gente sofre por isso
Mas é isso que nos faz autênticos.
Vou sentir sua falta
Tenho que lhe pedir perdão por não ficar aqui
E é claro, eu amo XXX e você sabe disso que
XXXX é minha metade que procuro há séculos.
E eu marquei bobeira, as escolas fecharam seus
quadros em novembro.
Obrigado pelo dia 17, você foi bárbaro!
Quero que você se cuide
Que arrume um belo trabalho e ganhe muita grana
Você merece.
Não vou dizer adeus, mas até um dia, o dia certo, certo!
E termino cantando Milton Nascimento:
¿amigo é coisa pra se guardar, do lado esquerdo do peito
mesmo que o tempo e distancia digam não...¿

Que Deus te abençoe. E guarde o rosário, minha
mãe o benzeu antes de eu vir, agora é seu.

Um super abraço e com todo respeito, um beijo

Seu amigo Rildo.

31/janeiro/2004.


P.S. bem, não é porque o cara é meu amigo, escreveu coisa
bacana pra cacete que vou deixar de comentar né?

O lance do Expresso São Rafael é foda hein? Tô rindo até agora.
E a citação do Milton Nascimento (uma odiosa musiquinha
cantarolada em bailes de formatura de faculdade???)
Não sou adepto de rosários, mas, fazer o quê, né?
Quanto ao beijo eu passo.




Sexta-feira, Janeiro 30, 2004

Jogaram vinagre no bolo

Fui com muito orgulho assistir RG, montagem
que marca o início das atividades do Teatro dos Arcos,
rua Jandaia, 218 e o retorno do José Renato com seu
Cia A Casa da Comédia.
O teatro foi criado num espaço da Federação dos
Trabalhadores Cristãos do Estado de São Paulo.
Bacana. Gostei apesar da nítida dificuldade de visão
para quem está nas pontas e o infernal calor que
fazia nessa quinta-feira à noite.
Na platéia Paulo Autran e Ewerton de Castro, entre
outros. Beth Néspoli (Estadão), Sérgio Roveri os da
chamada classe teatral.
Bretchiano em sua veia mais política é a veia estética
nítida do Zé. O cenário é funcional, a intervenção de
vídeo é de muito bom gosto, a luz apesar da precariedade
de recursos funcionou, direção e atores show de bola.
Espetáculo excelente, certo? Errado.
Não existe um texto a altura para o que está orbitando
naquele espaço. O argumento, desenvolvimento das
falas, ausência de conflito, nuances e aprofundamento
da temática que se propõe é tão frágil que leva por
terra o restante que se vê se palco. Juro que me deu
uma tristeza muito grande de ver uma produção muito
bem cuidada, com uma direção competente para um texto
minimamente horrível, desestruturado e que não merecia
ser sequer comentado. Só esquecido.
Evaldo Mocarzel, autor do texto, concebeu a idéia inicial
de registrar, através de seu vídeo documentário intitulado
À Margem da Imagem, a vida dos moradores de
rua de São Paulo.
Sua visão pretende ser crítica, demonstrando as relações
de poder estabelecidas até na mais pura miséria humana.
Não vi o documentário mas presumo que ele segue um
roteiro, ao menos.
Será que esse foi o problema? Transcodificar roteiro em
peça de teatro? Pode ser, não sei. Veja bem: em TV ou
cinema têm-se o recurso da imagem muito mais forte do
que no teatro. No caso do teatro e neste espetáculo e
temática especificamente o texto é pilar básico.
Por ser pilar básico toda a ostentação, ornamento e
demais coisas belas e bem feitas dessa construção,
desaba, vem abaixo de forma instantânea ainda antes
do encerramento da cortina.

______________________________________________________

Peregrinação Bigbrodiana
ou
A auto-indulgência de um desempregado

O relógio toca às 7h15. Acordo, vou tomar banho, preparo
o café (na verdade um misto quente apressado seguido de um
café raso), enquanto assisto a TV.
Já é quase 8h. O Bom Dia Brasil me dá a melhor notícia que
pude ter logo de manhã: descarrilou o trem com destino a
Itapevi. Explico: é que para ir até onde eu precisava, no caso
o IEB (Instituto de Estudos Brasileiros) da USP, onde rolaria
uma prova de analista de comunicação visual, o caminho mais
rápido é de trem.
Acabo engolindo voando meu lanche e esqueço do café.
Passo a mão na bolsa, abro a porta correndo e pego o elevador.
Decido então ir para a praça da República. Vou de bumbão.
Prova com duas perguntas dissertativas às 9h da matina.
Só 33 candidatos em busca de 1(sim, uma) única vaga.
Subjetividade em forma de respostas. Duas horas e meia
de prova. Só os próprios caras sabem os critérios que
vão adotar para selecionar o infeliz.
Amanhã à tarde sai a lista dos manes que irão para a
segunda fase. Ah, a segunda fase. Será na segundona e
será prática (ou seja, se não rodei ontem rodo na segunda já
que manjo muitíssimo pouco de design gráfico).
A necessidade faz o ladrão, claro
É quase 12h. Pego o ônibus e volto para casa.
Desço na Angélica e volto à pé pelo Higienópolis.
Após o shopping uma feira. Fatal. Comi pastel de carne, claro.
Volto pra casa, o de sempre. Almoço enquanto assisto o Jornal
Hoje, vejo se tem recado na secretária, checo os mails.
Vou para a Biblioteca onde uso a Internet por um tempo e fico
mais tranqüilo (claro, não irei gastar nada, é de graça).
Repondo alguns mails, mando currículo, troco mensagens com
a Mirella e a Carol, recebo uma mensagenzinha legal para o meu
desemprego....
A Ellen, editora maninha do Agora SP me indica para uma
Editoria lá que está precisando de frela por oito dias.
É que a pessoa responsável pela edição nesse setor pegou tendinite
por causa do excesso de trabalho durante a cobertura dos eventos
relativos aos 450 anos de aniversário de São Paulo.
Mando meu currículo imediatamente para a Ellen, que o repassa.
Alguns minutos depois saio da Biblioteca e vou até a padoca
da esquina. Estava morrendo de vontade de comer um sonho
(manja aquele pãozinho macio frito com meleca amarela no meio?)
e, enquanto como, o telefone toca.
É o tal editor me convidando para fazer o referido teste da vaga.
Segundo ele, é necessário já começar na sexta (ou seja, hoje).
Vinte minutos depois lá estava eu respondendo cinco páginas de
perguntas relativas ao teste. Os vários anos passam e o recursos
humanos do Grupo Folha continua tão retrógrado quanto o valor
de salários que pagam para os seus funcionários.
Mas, como disse, necessidade faz o ladrão.
O tal editor não me dá a mínima importância. Deu um sorrisinho
forçado e me diz que eu entendo a situação dele pois já fui
funcinário de lá. Entendo.
Ele pede para que faça uma matéria, na verdade um texto
fictício. Tranqüilo ao extremo.
Terminei, fechei o SDE e, enquanto escrevo, ele, o tal editor que
estava me acompanhando durante as provas que estava realizando,
conversa com algum superior dele. Parece que não liveraram a
verba e o moleque ficou desesperado. Mesmo assim me diz que
vai ligar. Fica chateado quando eu digo a ele que provavelmente
não poderia ir na segunda pois estaria realizando uma prova.
Ele fica nervoso, joga o papel na mesa e nem se despede.
Saio olhando de forma geral para a redação. O mais velho não
Chega aos 30. Vou até a Ellen e a agradeço pela ajuda.
Penso somente que em breve eles estarão em papel semelhante
ao meu para infelicidade deles.
Posso citar ao menos duas dúzias de pessoas que conheço que
jogaram sua juventude nos trabalhos de uma redação de um grande
jornal e hoje estão relegados ao desemprego, subemprego, assessorias
ou, até mesmo ao suicídio (só em 2003 foram três, pelo que fiquei
sabendo).
Acho que tudo isso é um sistema que precisa se retroalimentar.
Sou do grupo do bagaço. Olhei para aquele garoto já editor e nem
deve ter 25 e só consigo imaginar o que será dele sem aquilo.
Tomara que o impacto seja menor do que o meu ou de vários outros
que por aqueles corredores passaram.

Quarta-feira, Janeiro 28, 2004

Divã

Ontem (terça) à noite fui assistir o Hotel Lancaster pela sexta vez. É que sempre falo da peça pra alguém e acabo tendo de ir junto. Tá rolando lá nos melhores anfitriões do teatro paulistano, o povo do Satyros (by Ivam Cabral e Cia). Revi uma galera bacana pra caramba lá. A galera do Cemita e o puta do competente elenco da peça. As substituições ficaram boas (apesar de ser uma responsa muito grande substituir o Du e a Ângela). O Rodrigo e a Thereza mandaram bem. A peça tá com o ritmo bacana e a ida vale muito por dois motivos especiais: o Napão fazendo o Odosvaldo e a direção do Loureiro. Redonda.
O Rildo, brother conterrâneo que tá passando uns dias aqui em casa evitando que eu coloque em prática de vez o meu projeto de me suicidar bebendo (como se isso fosse possível) gostou pra caralho.
Vai rolar até o dia 31 de março, sempre às terças e quartas, às 21h.
Morre em R$ 10.
Para os desavisados o teatro do Satyros fica na Praça Roosevelt.


Indicados

Li ontem (terça) a lista dos indicados ao Oscar e ao Shell paulista.
A única coisa que vi em comum entre a academia gringa que dá as cartas no Oscar e a panelinha de críticos em crise que votam no Shell é a velha, conhecida e retrógrada atitude da injustiça.
No caso do Oscar até um cego poderia ver que Sobre Meninos e Lobos merecia outras indicações. Com a A Frente Fria Que a Chuva Traz, mais recente montagem do povo do Cemita, foi pior: só indicaram o Bortolotto para melhor autor. Nada mais.
Outras indicações para o fantástico filme do senhor Clint são discutíveis (tanto as técnicas quanto outras), mas, sinceramente, não indicar a Fernanda pelo seu papel de Amsterdã é no mínimo uma insanidade, para dizer pouco.
Baseado em que eu teço esses comentários? Se é que serve para registro, em 2003 assisti exatas122 peças diferentes e fui em mais de 140 sessões (sim, algumas peças assisti em duplicidade, outras assisti cinco vezes, como no caso do Lança. Cheguei a assistir 10 espetáculos diferentes em uma semana). Também vi 60 filmes.
Conclusão: admito não ter embasamento teórico suficiente para discutir escolhas de críticos quando os mesmos indicam para prêmios, mas, ao menos, não é por falta de assistir a algumas coisas que vou deixar de dar minha opinião.

Obs 1: Cidade de Deus fez bem a lição de casa após ser exibido pela Miramax no circuito gringo (ou seja, que o filme era bom era, acontece que ninguém sabia, precisava ter sido mostrado lá fora. Colonialismo filho da puta!!!)
Obs 2: Mais do que merecida a indicação de Maurício Arruda Mendonça pelo seu excelente texto, Kerouac.


Chuva

O sertão virou mar, literalmente,
As capivaras tiveram de sair da Represa Municipal
após as enchentes em Black River,
Em São Paulo tá chovendo direto só que tá
faltando água para quase meio milhão de pessoas
A capa de chuva que eu comprei do camelô
não é reutilizável,
Odeio terminantemente carregar guarda-chuvas,
Com chuva eu preciso gastar de bumbão,
Mesmo assim não vejo a hora de ir deitar....
Uma delícia....

Terça-feira, Janeiro 27, 2004

Culpados

Aquilo que é torto não se pode endireitar,
aquilo que falta não pode ser calculado¿

Salomão

A moral dos fracos é produto do ressentimento,
que odeia e teme a vida, envenenando-a com a culpa
e o pecado, voltando contra si mesmo o ódio à vida

Nietszche

Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada,
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda,

O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos

Existe, sim: mas nós não a alcançamos,
Porque está sempre onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos

Vicente de Carvalho, em Velho Tema

a torneira seca
(mas pior: a falta de sede)

a luz apagada
(mas pior: o gosto do escuro)

a porá fechada
(mas pior: a chave por dentro)

José Paulo Paes

Sou uma estrutura psicológica e histórica.
Recebi uma maneira de existir, um estilo de
existência. Todas as minhas ações e meus
pensamentos estão em relação com essa
estrutura. No entanto, sou livre, não apesar
disto ou aquém dessas motivações, mas por
meio delas, são elas que me fazem comunicar
com minha vida, com o mundo e com a
minha liberdade

Merleau-Ponty

Meditar sobre morte é meditar sobre
a liberdade; quem aprendeu a morrer, desaprendeu
de servir; nenhum mal atingirá quem na existência
compreendeu que a privação da vida não é um mal;
saber morrer nos exime de toda sujeição e coação

Montaigne

Certamente, o tirano nunca ama e nem
é amado. A amizade é nome sagrado, coisa
santa: só pode existir entre gente de bem,
nasce da mútua estima e se conserva não
tanto por meio de benefícios, mas pela vida
boa e pelos costumes bons. O que torna um
amigo seguro de outro é a sua integridade.
Como garantias, tem seu bom natural, sua
Fidelidade, sua constância. Não pode haver
Amizade onde há crueldade e injustiça.
Entre os maus, quando se juntam, há uma
Conspiração, não sociedade. Não se apóiam
Mutuamente, mas temem-se mutuamente.
Não são amigos, são cúmplices.

La Boétie

A justiça não existe por si própria,
mas encontra-se sempre nas relações
recíprocas, em qualquer tempo e lugar
em que exista entre os humanos o pacto
de não causar nem sofrer dano.

Epicuro

Sábado, Janeiro 24, 2004

Claytonianas
(curtas do Claytão)

E o Marival gente?
Ele merece um livro só pra ele, falando do mesmo.
Um dos caras mais manos e gente fina que eu conheço.
Jornalista romântico pra caralho, daqueles que perdem
o trampo mas não vendem barato suas idéias.
Ainda falarei muito a respeito do cara por aqui.
Um outsider mesmo, no sentido mais puro que essa
palavrinha de merda tem.
Ele me conhece mesmo, saca só o mail que me mandou ontem.

Assunto: Pedê, o Único
Fico feliz em ver exalar toda a sua acidez, toda a sua morbidez,
toda a sua insensatez, e todos os ez possíveis e imagináveis,
por meio de seu blogger.
Para poucos que realmente te conhecem, como eu, isso é sagazmente
um meio poderoso de marketing no melhor estilo claytiniano de ser.
Muita dose de cinismo, jocosidade ídem, um tanto mais de
auto-comiseração, um pouco de ares oitocentistas, e o indefectível
mal do século (eu, filho do amoníaco...). Disso tudo resulta a forma
claytiniana de ser....


Puta Mariva, desse jeito eu fico emocionado brother.
Abraço (por trás, óbvio).
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Onde o sujeito aqui estava às 16h30 desta sexta-feira,
dia 23 de janeiro? Barueri, ilhado numa chuva
fudida. Molhei até a alma. Entrei no Shopping Tamboré
e lá fiquei a ver os vários helicópteros da chamada
imprensa brasileira que tava ali pra cobrir a
desgraça.
Cinco carros entraram num porrão de reponsa. Bombeiros
tiveram de usar até barcos, tinha um mergulhador procurando
sei-lá-o-quê, sirenes, ambulâncias, gente tentando vender
capas de chuva....
A Estação Carapicuíba ficou debaixo de água, os ônibus
não circulavam, uma pá de neguinho trancado dentro de
carros com água até na faixa da porta, boca de lobo estourada,
rio transbordando e eu, molhado, com um frio filho da puta
tava na entrada do shopping dichavando uma batata frita com
refri só olhando a situação.
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Nesse mesmo dia (na verdade ela foi minha companheira
na chuva) conheci uma Cidinha autêntica, que
faria a mais ferrenha feminista se ruborizar de ódio.
O nome dela é Luciana, 25 anos, mora no
Tatuapé e dá um trampo numa editora aí.
Gente finíssima e de um fino humor.
Tipo, saca Cidinha? Então, é daquelas
que te fariam uma chupeta na tranqüila enquanto você,
sentado num sofá, assiste Rock Gol na Praia na MTV,
depois de você gozar com a peta dela, a mina te oferece
uma cerva, vai até a geladeira pegar aquela gelada,
abre o selo e te bota na tua mão.
Lava a boca, senta do teu lado no sofá, te abraça e dá
risada contigo das merdas que o Bonfá e o Bianchi falam
da atuação de bosta dos cantores covers de peladeiros de futebol
fazem numa praia aí que nem sei o nome....

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Claro que é zueira Luciana. Tô exercitando minha veia
bukowiskiniana, he, he, he....
Antes que algum desavisado venha zuar ou me encher o saco,
a Luciana é uma jornalista de responsa e candidata a uma vaga de
emprego ai assim como o sujeito aqui.....Isso que relatei não aconteceu.
Não que eu ache ruim se algum dia venha a acontecer, claro.
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Suzana e Augusto, dois brothers maneiros aí, perguntaram
como fui na entrevista para um trampo que to tentando.
É tipo, redator publicitário para um megaportal de e-commerce
(comércio eletrônico, compra e venda pela net, para os desavisados).1
Então, nessa segundona, dia 26 de janeiro, irei para a quarta etapa
do processo seletivo.
Meu, ce tem noção do que é passar das 8h às 17h só fazendo testes,
foram 35 questões de múltipla escolha de mortemática e lógica,
12 de português e uma lauda de um texto....Puta que me pariu!!!
De quebra, sendo entrevistado por uma meia dúzia de
recrutadores e, ainda por cima, sair com a notícia de que haverá
mais???? Puta necessidade do caralho.....
Bem, segundona às 10h30 começa tudo de novo.
Dos seis neguinhos que foram lá (dois caras e quatro minas), sobraram
apenas eu e a Luciana.
Ela está numa vantagem filha da puta já que trabalhou dois anos
especificamente nessa área.
Saca só a cena. A recrutadora que será a minha chefe me perguntou
porque eu estava me candidatando à vaga.
Sem titubear abri um sorriso e disse que era por necessidade, já
que estava desempregado e precisando de grana.
O outro recrutador que tava do lado dela perguntou como me sentia
exercendo tal atividade e deixar de fazer matérias e jogar minha
ideologia pro alto (claro que ele não falou com essas palavras).
Eu disse ao mesmo que sou profissional e faço as coisas que faço
pelo dinheiro na minha mais evidente faceta mercenária.
Disse ainda que minhas idéias a respeito das coisas eu exercito no
meu blog e nas mesas de bar por onde vou.
De vez em quando transparência faz bem...
Vamos ver o que rola.
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Vou adiar mais uma vez a minha vontade de trabalhar com teatro caso
passe nesse lance aí.
Preciso de dinheiro, assim como uma prostituta vai pra rua
se fuder inteira com os clientes para, no final da manhã, voltar para casa
e comprar o leite pra filha.
Saca, fazer alguma coisa de merda pra sustentar algo digno?
Pois bem, vou na mesma onda.
Outro dia tava tomando umas cervejas numa padoca que vende
garrafa a R$ 1,70 com uma galera que incluía o
Rildo, o presidente do São Caetano, o Enéias, o Bortolotto, a filha
dele e o padrinho dela
. (mais abaixo eu falo do padrinho dela)
Contei uma história pro Bortolotto de um cara que mudou da
água para o vinho só em nome de um papel principal numa peça aí.
Ele enfatizou que 90% da galera de teatro é assim.
Apesar de já saber disso fiquei espantado e desiludido.
Uma coisa é você ver exemplos vários e saber, outra coisa é um diretor
de teatro de responsa, dramaturgo idem, criador de uma público, etc....dize-lo.
É phoda!!!!
Isso rolou na quinta.
Só ontem, sexta-feira, percebi que tô na mesma barca desses
caras e me comparo como se fosse a mesmíssima merda que eles ao
querer uma vaguinha de emprego só para pagar o aluguel, comprar
livros, CD´s, ir assistir peças de teatro, beber, enfim....viver...
Àpesar de estar acostumado, às vezes me espanto com a forma
hipócrita, escrota e mercenária que conduzo determinados assuntos.

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E o Caraguatatubense (é assim que descreve um sujeito de Caraguatatuba?)
do compadre do Marião?. Manja compadre? É o cara que batizou o filho
dos outros, tipo, um mano chegado que faz a preza e é meio que segundo
tutor da figura??? Por aí.
O sujeito é jornalista por formação, artista plástico por opção, me disse que
faz desenho de moda, só toma rabo de galo e outras coisas mais.¿..
Piada pronta, by Monkey Simon.
Gente finíssima que tive a merda da vontade de desancar a noite inteira
nessas tiradinhas pífias, irresponsáveis e sem graça que faço quando tô
bebendo.
Brother, não sei teu nome não mas desculpa aí se algum dia na tua vida
você perder tempo lendo isso daqui.
Foi bom ao menos pra eu ter a consciência de que o lugar mais seguro pra
minha consciência e pros outros é a porta da minha casa para dentro.
Me aproximou muito do perfil de um sujeito que foi citado na mesa (Vou
Lê vou Couchà avec Moa), saca?
Atitudes que só vão afastando os outros, uma merda.
Não sei o que eu faço com esse meu ódio pelas pessoas em geral.
Maldito existencialismo!!!

Quinta-feira, Janeiro 22, 2004

Autodepreciação antagônica

Recebi um mail curioso dia desses.
É de um dos vários sujeitos por quem tenho muito
apreço profissional e tô conhecendo como pessoa aos
poucos.
Não falarei o nome do mesmo para poupa-lo de
figurar num blog inconseqüente como esse.
Nem posso falar a função que o cara exerce simplesmente
pelo mesmo ser referência em sua área, raro mesmo.
Enfim, o que vale é a história.
A gente tem trocado alguns mails após eu cita-lo por aqui.
O de hoje, quinta-feira, foi um dos mais ou o mais bacana.
Ele me instigou a dar uma opinião a respeito de um espetáculo.
Eu não queria faze-lo pois no dia em que fui choveu de críticos
(três. Folha, Estadão e o Mário Vianna, que, até onde sei,
não está escrevendo para jornal algum mas manda bem).
Enfim. O fiz rasteiramente e à boca pequena.
O sujeito simplesmente me deu uma aula gratuita, na boa.
Só um apontamento dele me instigou.
É que eu disse ao mesmo que sou gordo e feio para quebrar
o gelo, tendo em vista que o camarada é de meio restrito, e,
em situações normais, não o conheceria.
Mas a net tem dessas coisas...
Ele me respondeu que me derrubo.
Achei muito bacana e curioso, só que ele não me conhece ao
ponto de saber que isso é, além de uma forma de me tornar mais
palatável aos amigos e conhecidos, estratégia de guerra.
Sim. A Arte da Guerra
Do mais, faço marketing pessoal quando e onde preciso.
Tipo em contatos profissionais e com mulheres, claro.
Pessoas que já trabalharam comigo e depois me conhecem
pessoalmente sabem do que falo.
Enfim, vou levando.
O mais bacana disso tudo é que o camarada tá disposto a dar uma
força. Das duas uma. Ou eu ando conhecendo muita gente canalha
por ai que não estende a mão, ou realmente pessoas do tipo dele
são raras em se conhecer.
De qualquer forma, mesmo que não dê em absolutamente nada,
(claro que tô torcendo para dar certo, não sou louco)
o que vale é a atitude e o gesto de brodagem.


Carol em pílulas

A Carol é uma grande amiga (daquelas que a cidade passa,
as casas mudam, as alegrias e deprês são compartilhadas, enfim,
sacou né? Amizade mesmo).
Ela reclamou que não falo dela no blog...
Pois bem, agora falarei freqüentemente, e, à conta gotas, até
que eu consiga fãs ardorosos para a mesma ou inimigas ciumentas
que irão me encher o saco pois darei muita atenção para a mesma.
Vamos ver....
A primeira história é hoje. Vamos lá. Aproveitei faze-la dessa forma
para exercitar terei de escrever um texto de duas laudas para um teste
de oficina de dramaturgia. Tá aí. Conta como foi que a conheci.

Pode ficar

Tarde de um dia da semana qualquer. Dois lugares:
aquário de uma redação (onde ficam os editores, subs e repórteres
para receberem pautas especiais ou comidas de rabo idem), em outra
cena em uma rodoviária. Sub-editor ao telefone, pessoa parada esperando
o ônibus no ponto


Sub-editor - Alô, Clayton, onde você está?
Clayton - Oi meu velho, to aqui em São Paulo. Beleza?
Sub-editor - Beleza, é o seguinte filhote, vai pintar um frela
aqui, ta a fins? Trampo de verdade, de segunda a sexta e com
plantões nos finais de semana. Oitocentos mangos e só. Quer?
Clayton - Putz cara, claro. Tô dentro. Quando começa?
Sub-editor - Pra já. É urgente. Dá pra vir logo?
Clayton - Bicho, até dá. Só preciso descolar um lugar para ficar.
Sub-editor - Vamos ver, vou perguntar pra galera aqui.
Parece que tem alguma coisa como um flat onde o pessoal fica.
Sub-editor coloca o telefone no balcão, abre a porta, dá um grito
no meio da redação perguntando pra galera se alguém me receberia.
Na rodoviária Clayton está com o telefone celular em punho, só ouvindo
a barulheira e algumas frases e risadas

Sub-editor - Galera, é o seguinte: vai ter um frela novo
aí e ele não tem onde ficar, alguém pode recebe-lo?
Repórter 1 - É cueca ou calcinha?
Repórter 2 - Se for calcinha e bonita manda pra casa, pode
passar meu celular e endereço.
Sub-editor - Sem zueira gente, é um cara de Rio Preto.
Repórter 1 - Tô fora.
Repórter 2 - Eu também.
todos caem na risada. Ângelo volta para o aquário, pega o
telefone novamente, momentos depois entra Carol. Ela pede
para o sub-editor dar um tempona conversa que está tendo
ainda com Clayton ao telefone

Carol - Meu, você conhece o cara?
Sub-editor - Ele já fez uma semana de frela aqui. Parece
ser gente boa sim.
Carol - Então deixa eu falar com ele.
Sub-editor - Filhote, você tá com sorte. Espera aí que a
Carol quer falar contigo.
Carol, ainda de pé, pega o telefone das mãos do sub-editor
Carol - Oi, tudo bem? Eu sou a Carol.
Clayton - Firmeza Carol. É o seguinte, tendo de ir pra aí
e não tenho onde ficar, você sabe onde eu poderia passar uns tempos?
Carol - Ah, se for tipo uma semana você pode ficar em casa.
Tem duas camas, na boa.
Clayton - Putz, legal meu. Tem certeza que não
vou atrapalhar?
Carol - Claro que não. É só uma semana né?
Clayton - É, uma semana só. É que não conheço ninguém aí.
Carol - Fica frio. Pode vir.
Clayton - Valeu, obrigadão mesmo.
Carol - Fechado. Anota aí meus telefones e endereço...
to be continued

Pois bem, foi assim. Ela deu abrigo para um mané que nunca viu na
frente. Saca só a simpatia... Entendeu porque ela é uma das melhores
amigas que tenho?
É isso


Trampo

Mesmo a total contragosto vou amanhã para uma entrevista de
trampo que não está relacionada com cultura.
Se passar no processo seletivo voltarei a ser jornalista de um
e-commerce ai líder de mercado em seu segmento.
Odeio que me classifiquem assim: jornalista, blérg.
Tenho orgulho de ser repórter. Jornalista é uma palavra garbosa,
airosa, guapa.
(Essas palavras são propositais, só para vocês entenderem como
não gosto da classificação pomposa de jornalista).
Já repórter foi o Samuel Wainer, Joel Silveira, o Tognolli,
gente dessa estirpe.
Jornalista, repórter, assessor de imprensa, produtor ou qualquer
outra merda, fato é que preciso de grana.
Portanto meus bons, mandem seus pensamentos positivos para
o rapá aqui.

Quarta-feira, Janeiro 21, 2004

Situações paulistanas

Sem Teto Show
Hoje acordei com barulho de vários helicópteros.
Pensei que fosse uma pá de neguinho baleado ou
estropiado chegando de Águia (helicóptero da PM)
na Santa Casa. Não era.
Eram as emissoras de TV cobrindo a desapropriação
do São Vito.
Uma porrada de PM, curiosos, caminhões e a galera
toda do MSTC (Movimento dos Sem Teto do Centro).
Eu olhando pra tudo aquilo e exercitando minha velha
e podre auto-comiseração refletindo que, dentro em breve,
eu é que não terei um lugar para ficar, caso não descole
uma grana logo.

Poliglota da Santa Cecília
À noite fui tomar umas num buteco que vende cerveja
de garrafa a R$ 1,70 com um brother, o Rildo..
A porção de provolone tava R$ 7,00. Passou um carinha
vendendo o queijo por R$ 2,00 e não tivemos dúvida;
traçamos o provolone lá mesmo.
O dono do bar olhou atravessado mas a gente tava pouco
se lixando.
Na mesa ao lado um grupo de tiozinhos e um deles era
maluco de pedra.
Pegou um exemplar do Agora SP, fez uma corneta,
convocou os integrantes da mesa a acompanha-lo nos boleros
mais horríveis que meus ouvidos presenciaram na vida, e,
ainda por cima, conversava em espanhol, italiano e francês.
Ele veio me pedir uma cadeira que tava sobrando e não tive
Dúvida: respondi com minha merda de inglês que ele poderia
pegar a bendita. O cara dichavou uma porrada de frases.
Eu é que acabei sendo zuado no final, já que os comparsas
dele sacaram que eu não entendi porra nenhuma.

Lisonjas
Puta que me pariu. Hoje uma babaca veio me encher o saco
dizendo que eu falo muito palavrão. Porra meu, que merda!
Vai tomar no cu!!!! Que dia eu demonstrei isso caralho???

Terça-feira, Janeiro 20, 2004

Aquilo que foi escrito e que não teve resposta

Muitas vezes a gente acha que nunca tem a resposta das coisas
Mas, justamente a ausência da resposta já é a mesma
Ou seja: nenhuma
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Albergue

Estou pensando seriamente em me candidatar ao
lugar de Madre Tereza
Recebi ontem uma, digamos, encomenda e nem fui avisado
Só ouvi o interfone e o porteiro avisando da presença de alguém
Agora somos três
Eu mais dois caras extremamente chatos
Um é narcizista até a última gota
Outro não bebe, não fuma e fala que mete
(me engana que eu gosto)
Mas na verdade tá legal pra caramba
Até o dia em que vou ficar com quem menos gosto novamente...
Já sabem quem é né?
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Espetáculos

Começo de ano, novas temporadas e o teatro a mil
Sabadão o Marcos Loureiro compententíssimo
diretor de Hotel Lancaster, uma das obras-primas do
Bortolocco,
me fez a preza e jogou dois convites para assistir o maluco
As Nuvens com a galera do Parlapa,
sujeitos por quem tenho maior apreço artístico.
Ai encontramos o Xepa e ele jogou pra mão dois ingressos
pra o Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, adaptação do Capella
para a obra de Jorge Amado.
Faraônico, simplesmente.
Ai o Newton Moreno descolou também ingressos para
Agreste, a montagem que tem encenção de Márcio Aurélio.
Eu até ensaiei escrever alguma coisa.
Mas, sinceramente, o pouco que me resta da vergonha na cara que
tenho me impede de expô-la neste pífio blog, principalmente pelo
fato de que havia não um, mas haviam dois críticos teatrais
compententíssimos na platéia (particularmente eu pago pau somente
pra um e vocês já sabem de quem se trata) e o trabalho é o deles.
Tô louco pra ler ao menos a crítica de um deles.
Na platéia também tava o Chalita, secretário da Educação do Alckmin.
Aliás, até tentei ler um livro dele só para tentar criticá-lo.
Sinceramente não tive estômago. Sua retórica semiótica aprendiza
nos corredores da PUC me enojaram tanto que tenho sincera dó dos
professores da rede estadual de ensino e também dos arte-educadores
da Febem que estão até hoje sem receber os seus salários de novembro.
Tipo, pai de família sem ter grana pra dar presente pros moleques no Natal
e o seu Chalita na platéia bancando o bacana....Bonito isso.

Sexta-feira, Janeiro 16, 2004

Resposta para o que não deveria ter sido escrito

Sei que nunca vai ler ou mesmo saber do que penso
na mais profunda sinceridade.
Aliás, essa tal sinceridade é tão dúbia que até algumas
vezes me pego pensando qual seria a verdadeira.
Se é real, fictícia, criação litero-libertária ou mesmo
etílicos delírios eu também não consigo afirmar.
Provêm do que eu não consigo identificar, é visceral,
orgânico, urgente e precisa ganhar espaço.
Que seja então a rede, espelho e projeção para anônimos,
fuga travestida para os que buscam o anonimato.
Eu, por aqui, vou olhando o reflexo, me projetando e fugindo,
usando, para isso, o meu auto-divã cyber-pseudo-conficcional.
(Lembrando sempre: conficcional é algo que atrela confissão
a ficção).
Destilei tudo. Teve efeito sanador no momento em que
estava a escrever. Tipo, foi o gole primeiro do alcoólatra
abstêmio, a picada do ex-vicidado e a transa
apressada, mal feita e desajeitada do sexólotra.
Aliviou a tensão assim como um gozo, exalou no ar o
amargor da vingança e deu a sensação de que a justiça
foi feita, tipo aquelas como se fraco conseguisse vencer o forte,
o feio conquistar a bela, o baixo chegar ao alto, o raso
bater um papo de perto com o profundo, o ódio se apaixonar
pelo amor e a violência entrar na campanha pela paz.
Não se engane nem se vitimes.
Já me disseram uma vez que quando se agride
outrem, é você mesmo que está, em primeiro lugar, sendo agredido.
Primeira e dupla agressão (sim, ação e reação andam juntas).
Escrevi e propaguei tudo o que quis, para quem eu quis, como
e onde quis, numa estratégia febril de destilar o que hoje eu nem sei
bem o que é.
Será que talvez é a infelicidade de ter de conviver comigo mesmo?
A agonia de que o outro não lhe irá trazer felicidade nem mesmo a
ajuda tão aguardada e que, no fundo, no fundo, se sabe que nunca virá?
A ansiedade de que algo dê certo mesmo que tudo esteja no mais
completo, absoluto e tortuoso erro?
A esperança de ter o que não quer ser conquistado?
Talvez, quem sabe.
Arrependimento? Não sei, talvez, pode ser...
Se bem que, se fosse necessário ou se uma nova situação
requisitar poderei faze-lo novamente, sem culpas.
Minhas armas são as palavras.
Desde cedo aprendi que escudo é a gente mesmo que cria.
Ninguém virá e os colocará para você brother.
Então, não baixa a guarda senão um jeb vem direito
no teu supercílio e aí já viu: o melado corre nervoso.
Nessa batalha é ao outro a quem pertence o ataque.
Fico na defesa e no contra-ataque.
Nessa metralhadora da vida minha munição é o que penso,
meus soldados são os dedos e o alvo a gente escolhe depois.
Fato é que erros acontecem.
Você errou comigo e também errei contigo.
Ótimos, somos todos filhos do mesmo pai: o erro.
Só tive essa postura e estou escrevendo essa carta-resposta
para o que não deveria ter sido escrito
para que fique na boa
comigo mesmo e, você, consigo mesma.
A decisão foi tomada há pouco após reencontrar/revisitar/repensar/
resentir/relembrar/requerer eu e minhas circunstâncias.
Falta coragem para conquistar o que se quer.
Enquanto isso não acontece, eu vou tentando.
Algumas tentativas, como no seu caso, acabam por não surtir
o efeito desejado mas sim o inverso.
Nem por isso deixaria de querer o melhor, evoluir nem que pra
isso tenha de regredir e buscar o que já está perdido desde que
teve início.
É assim que sou.
Tão cedo (acho sinceramente que nunca) vai ouvir da minha boca
um pedido de desculpas ou algo parecido.
Só penso que de agora em diante, se for para errar, que erre da forma certa.
Se for para buscar a infelicidade que seja da maneira mais feliz possível.
Se procurar a dor, que tenha ao menos momentos prazerosos.
Vai seguindo. Boa sorte.
Se estamos aqui a única coisa que nos prende é a liberdade e
a única certeza que dispomos é a total incerteza.
Se é o mundo que quer, vá busca-lo, ao menos ele tá mais perto
do que você imagina.
Tipo, comece pelas águas quase que infinitas que estão à sua frente.
Eu vou mergulhar neste mar de incertezas de uma vez, dropando nessas
ondas revoltas. Se vou conquistar o troféuzinho do campeonato ou se
for ser escaldado, no fundo, no fundo, é a mesma coisa.

Quinta-feira, Janeiro 15, 2004

Publiclayton

O Décio Jr, o tal do estrela de filmes B da
galera do curso de Cinema e Vídeo da UFSCar e um
dos leitores assíduos deste pífio blog, pediu para
que eu postasse o conteúdo de um de seus mails.
Trata-se (acho) de duas poesias.
Só para citar uma das grandes mentes
deste país: poesia é coisa de veado sensível.
Décio, só tenho quatro coisas para te dizer.
Já sabe, né?
Tá aí meu velho.


Eros, o deus do amor

O cupido que eu vi
Era um anjo branco como a neve
Possuía asas ígneas
Uma armadura de couro
E na mão
Na mão tinha uma espada de fogo
Com a qual cortava as pessoas ao meio


Eros, o deus do amor II

No dia em que pousou sobre mim
(era a décima vez)
Viu tamanhos descrédito e indiferença
(parecia estar surpreso)
Que me queimou o coração com sua lâmina e disse:
(com aquele seu olhar sempre frio)
Vem e segue-me, será meu acólito.


Décio Jr

Quarta-feira, Janeiro 14, 2004

Linha 440

Procuro um bilhete perdido no tempo
achei que por alguns instantes estava em
alguns dos bolsos da minha suada calça.
Ou talvez escondido no meio dos livros, em
sua maioria, adquiridos em sebos.
Provavelmente os esqueci nas gavetas, entre
as meias, dentro da caixinha de vídeo do último
lançamento do mercado publicitário, a Revista Brava
Quem sabe não se perdeu em meio aos papéis
higiênicos depositados no vaso sanitário.
Bilhete precioso, me enviaria até o caminho proposto.
O tempo passou.
Nova casa, novas calças e o destino continua o mesmo.
Finalmente encontro a passagem.
Só que o motorista do ônibus me disse que só passou uma vez
e que agora está longe e não será possível retornar.

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Boxe

Hoje de madrugada fui caminhar no Minhocão.
Queria dar uma esfriada na cabeça, afinal de
contas tô recebendo umas porradas aí fortes.
O último cruzado de direita acertou em cheio
meu supercílio. Tô sentindo o sangue escorrer
até agora e tá doendo.
Para ajudar veio alguém e, em vez de tratar da ferida,
fez questão de escancará-la, colocar o dedo dentro e
jogar álcool. Agradeci ao menos de não terem botado fogo.
Jab, cruzado e outros golpes estão entrando direitinho.
No pontilhão me sozinho mesmo que acompanhadio por outras
12 milhões de pessoas, em meio a opulência dos prédios.
Todos dentro de ringue, algumas caindo logo no primeiro assalto,
outras vencendo por pontos, empate e até anulações de lutas.
Só que o importante é manter a guarda levantada
Abaixou meu irmão, caiu.

Terça-feira, Janeiro 13, 2004

21 Gramas

Fica difícil falar alguma coisa depois de ter assistido o 21 Gramas, excelente filme
do mexicano Alejandro Iñárritu.
Também....Com Sean Penn, Benício del Toro e Naomi Watts no elenco acho que ajuda um pouco, né?
Penn é (acho) um professor de matemática que tem problemas de coração. Benício é um looser total
(desde os 16 o sujeito tá envolto em idas e vindas da cadeia) que decidiu ser pastor. Já a Naomi é uma
ex-viciada (se é que isso existe) que casou com um arquiteto bacaninha, teve duas filhas e imagina ser
feliz.
Até que...Um acidente acontece. Benício mata as duas belas filhas e o marido da sujeita.
Ah, tá, quem recebe o coração? Claro, o Penn, num transplante relâmpago.
Para não ser mais chato do que já fui, só aviso que não ficará por isso. O que se desenrolará será
mais ainda intrigante.
O roteiro e a narrativa são simplesmente bárbaros. A interpretação de Penn e Benício excelentes,
para ser raso. Jà o histórico da personagem da Naomi é fenomenal, para dizer pouco.
Por vezes lembrei-me de Tarantino. Será? Bem, acho que sim.
Tipo, sabe aqueles filmes sem finais felizes? Excelente!!!!
Algo parecido só ocorreu com Sobre Meninos e Lobos.
Não perca!!!

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Corda eternamente bamba

Os meus pares profissionais (gay isso não? Pares profissionais,
hehehe) vivem mensalmente desesperados, mas... felizes.
Ao menos os atores, produtores, cenógrafos, técnicos,
músicos e outros profissas ai da chamada classe.
Se bem que alguns jornalistas que conheço (e não são poucos)
não estão em situação lá muito legal.
Afinal de contas, estamos todos aí, no mesmo barco.
É só ir tomar uma cerveja com os sujeitos que falam da falta de grana
e da preocupação contínua em pagar o aluguel,
o telefone, o conserto do carro, a compra do mês.....
Quando conseguem algo, metade do tempo passam trabalhando,
produzindo, criando, apresentando e, na outra metade, vivem a cobrar
as secretarias de estado e municipal de Cultura que não repassaram o
dinheiro do Fomento, da Residência, salário do CEU, o Sesc que
diminuiu o valor do cachê, o departamento de marketing da estatal
que só escolhe os projetos ¿apadrinhados¿, os festivais Brasil e exterior afora,
as mudanças da Roaunet, do Fundo Estadual de Cultural, da partilha
da Loteria da Cultura, enfim, de tudo.
Mesmo assim querem continuar...
Comigo não é diferente. Se lamento? Claro, não sou masoquista.
Seria melhor que fizesse mesmo sem ficar choramingando.
Mas, mesmo aqueles que não falam em público (afinal, prezam
o sobrenome e a carreira que construíram né? Eles acham que
pega mal reclamar). Tudo bem, cada um tem um jeito de encarar
a coisa e sabe onde o calo lhe dói.
Cuidei dos meus (calos, it´s corse) em uma podóloga gente fina pra cacete.
Sinto uma inveja filha da puta de gente que consegue
fazer o que gosta e, sofrer como todos e ficar sem reclamar.
Eu por exemplo amo e odeio em questão de minutos. Me entusiasmo
e me decepciono tão fácil quanto.
Projetos aparecem. Vários. Grana? Nenhuma, pra variar.
Fico impressionado como tem gente que
sai de escola de teatro já achando que vai conquistar mercado.
Se reúnem, procuram um texto, chamam um diretor
(invariavelmente é um ex-professor, em geral os que eles
tinham mais afinidade no curso), pedem pauta
em teatros públicos, conseguem, e, quando não,
chegam a pagar até 50% da bilheteria
em troca de uma temporada pífia, mas, ao fim, estão lá.
Isso sem dizer nas idéias mirabolantes que inventam quase
que toda hora, a todo dia. Tipo, te convidam porque você tem
o que chamam de talento, mesmo não tendo muita
experiência, bem entendido, fazem trabalhar igual mula e nunca o tão
esperado patrocinador chega.
Eu tô esperando um monte até hoje. Eles nunca aparecem aqui pelas
bandas da Jaguaribe não.
Quem sabe erraram de endereço.
Mas, algumas vezes a gente tem gratas surpresas, apesar dos resultados
não serem imediatos.
Teve uma em especial que me chamou atenção.
Um camarada que estava distante há uns tempos lembrou da minha
medíocre, vagabunda, errante e bêbada existência e fez maior propaganda
para um contato bacana aí. Se vai rolar ou não, eu, sinceramente, não sei.
É que casos de brodagem estão ficando tão raros que, quando acontece,
você acaba ficando feliz só pela atitude do sujeito.
Não vou dizer quem é pois ele sabe que tô falando com ele e acho que o
sujeito não precisa disso.
E assim a gente continua a angústia nossa de todo dia.
Mas, sinceramente, apesar das reclamações de pagar o aluguel
o bacana é que todos continuam e estão aí.
Reclamões ou heróicos indiferentes à situação apesar do misere,
é o tipo de gente que adoro.
Eles nunca vão ter horário definido de trabalho, não sabem nunca
se terão a grana do aluguel do mês que vem, pagam rango uns para os
outros quando a barra pesa, mas, ao fim, estão vivos. Tentando e se equilibrando.
Como todo aquele que está em cima da corda bamba, cai, volta a se levantar
apesar da dor, continua o que estava fazendo.

Segunda-feira, Janeiro 12, 2004

Diabo a quatro

Um excelente filme. É de 1933, direção de Leo MacCarey e tem
no elenco os impecáveis irmãos Marx (entendeu o título de diabo à quatro?,
que, na verdade, deveria se chamar Sopa de Patos?)).
Se você não sabe quem são os irmãos Marx,simplesmente eu lamento.
Acho que podeira, no mínimo, entender um pouco mais de Clown e
cinema mudo, só para ficar em dois assuntos básicos.
Enfim. Os caras foram um fracasso de bilheteria no ano em que lançaram
o filme. Claro!!! Alguém se lembra aí das aulas de história e/ou economia e
sabe o que aconteceu em 1929 nos EUA (e, por conseguinte, no mundo) por acaso?
Pois bem.
Fazer sátira hoje, no auge da democracia norte-americana (tipo, apesar do Bush),
é fácil.
Quero ver fazer isso no borbulhar da década de 30, primeira-guerra mundial,
uns paspalhões norte-americanos já expondo suas garras da Freedolândia e,
ainda por cima, tirar sarro de um Hitler, Napoleão e outros acéfalos
pré e pós-guerra em suas épocas, antepassadas e, infelizmente, vindouras.
Ai todos idolatram um Tim Burtom e as bravatas que o mesmo destila atualmente.
Faça-me o favor!!! Vá ao menos estudar
um pouquinho da história da Sétima Arte e suas evoluções porra!!!
Do mais, é diversão pura. Vale pela cena do chapéu na hora que eles vendem amendoim.
O mais absurdo é que, até o dia 15, por R$ 3,00 na sessão das 18h (dita popular) do
Unibanco Arteplex.
É isso.


Domingo, Janeiro 11, 2004

Apesar de odiar MPB...

Copo Vazio

É sempre bom lembrar
que um copo vazio
está cheio de ar.
É sempre bom lembrar
que o ar vazío de um rosto
está cheio de um ar vazío,
vazío daquilo que no ar do copo,
ocupa um lugar.
É sempre bom lembrar,
guardar de cor,
que o ar vazío de um rosto sombrío,
está cheio de dor.
É sempre bom lembrar
que um copo vazío
está cheio de ar.
Que o ar no copo
ocupa o lugar do vinho,
que o vinho busca ocupar
o lugar da dor,
que a dor ocupa a metade
da verdade,
a verdadeira natureza interior,
uma metade cheia, uma metade vazía
uma metade tristeza, uma metade alegría.
A magía da verdade inteira,
todo poderoso amor.
É sempre bom lembrar
que um copo vazío
está cheio de ar.


Chico Buarque

Sábado, Janeiro 10, 2004

Surpresa
Ontem, sexta-feira, abri minha caixa de mails e recebi
uma bomba, quase que literalmente.
Uma pessoa que nunca imaginava que iria perder tempo lendo
o que escrevo, eis que me manda um mail.
Pasmei, simplesmente.
Ótimo.....
Mas....
Como sempre disse que não sou adepto de eufemismos,
falei para ele o que acho da pessoa do mesmo, dos seus congêneres
e também do seu desempenho na área que atua.
Vou poupá-lo pois percebi, em seu escrito, que não gosta de publicidade.
Bem, entendo. Odiava receber sobrenomes, alcunhas, pós-nome e alguns apelidos como sempre tive nessa pífia vida profissional.
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Amanhã farei uma das coisas mais felizes nos últimos meses. Colocarei as prateleiras para guardar meus livros. É que, após quase quatro anos peregrinando de cidade em cidade, agora me estabeleci onde sempre quis, à saber, Sampa. Farei 22 furos nas paredes e colocarei alguns metros de livros supsensos na parede.
Ficava muito triste ao saber que meus livros estavam no meu antigo apartamento (atual da minha irmã), sujeitos à sujeira, o tempo e também a minha falta de contemplação....
Sinto ciúmes de mulher e tenho falta de grana. Mas, sinceramente, se tem algo que prezo, são meus livros e meus CDs. Diante deles eu compartilho a mulher e distribuo grana.
É isso.

Sexta-feira, Janeiro 09, 2004

Décio

Ele está de volta: Décio Alves Ribeiro Júnior, principal
estrela de filmes B da galera de Cinema e Vídeo da UFSCar,
cover de assessor de imprensa de prefeito petista do interior, garanhão
nato e um grande sujeito.
Chegou na quarta e só vai embora amanhã, sábado.
É o sujeito que me ensinou várias coisas, entre elas siglas como
NCAV (nem com álcool vai)
CAV (com álcool vai)
IF (e suas variações +, ++, +++ ou +++, IF quer dizer eu ia fácil)
CCRL (casa, comida e roupa lavada), entre outras
Chamei ele para almoçar aqui e o sujeito trouxe as melhores coisas que
podia: cerveja e vinhos.
Já chegou desancando: fez cara e voz de bicha para o porteiro.
Bem, minha fama já tá ótima com os porteiros, aí me aparece um sujeito
daquele imitando bicha...Já viu no que dá né. Daqui a pouco o condomínio
me expulsa, tranqüilo, tranqüilo.
Enfim, ele subiu, viu o que estava sendo preparado, trocou maior idéia
comigo, com a Mirella, a Tia Dedeca e, somente no momento que foi
comer, é que se lembrou que não gostava de frango xadrez, o prato que
eu tava preparando. Beleza. Azar foi o dele.
À noite fomos no barzinho da prima dele lá no Paraíso e, como de praxe,
enchemos a cara, falamos muita besteira para a Tia Dedeca e para a Mirella,
e, como ele tava azarando, fez todo mundo decorar o maldito telefone da
casa dele: 2757386. A noite inteira era: 2757386, 2757386, fizemos música,
piada e muita besteira com esse número.
Despachamos ele, a Mirella voltou para Black River e a Tia Dedeca me deixou
em casa.
Acordo na madrugada e lembro do quê? 2757386....Ã!!!!!
Hoje fomos na Folha trocar uma idéia com uma editora amiga dele lá.
Chegamos na portaria e mulamos pra caramba a recepcionista.
Reencontrei uma galera lá no Agora SP, o Vignola e o Flávio.
Fiquei contente de saber que a galera tá bem e no maior afinco, tipo,
curtindo mesmo o que fazem e fazendo bem dentro do que se propõem.
A amiga dele nos chama para tomar um café e o que acontece? Ele não toma.
Pediu um Chandelle.
Simples. Aliás, como eu posso andar com um cara que é assessor de imprensa de
Prefeitura, não come frango xadrez e não toma café?
Ah, brincadeira. Ele é um bom sujeito.
Hoje à noite disse que sairá com uma produtora e diretora de cinema aí.
Vamos ver no que dá. Sorte pra ele.
Marcamos de tomar uma cerveja com a editora amiga dele lá do Agora SP,
mas, como ela disse que não vai beber. Vamos ver. Tomara que os dois não
conversem apenas de Engenheiros do Hawaí (sim, eles idolatram a banda)...Pode?
Persistente
O Décio é o único amigo que tenho que viaja mais de 300 km,
se endivida comprando um vinho de quase R$ 300,00, gasta uma nota
preta de táxi pra impressionar uma semi-tia aí, passa a noite com ela e só
dá beijinho no rosto.
Pior ainda: volta. Vai almoçar de novo com a sujeita e hoje (em menos de
três meses) ela está casada e definitivamente não quer nada com ele.
Ainda vira amiga da figura e, quem sabe, ainda trabalhará com a mesma.
Ah, Décio....

Quinta-feira, Janeiro 08, 2004

My sister

Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rost é igual, a fisionomia é diferente. Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde; mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo.

Machado de Assis, Dom Casmurro

Agora estou com a pessoa que menos queria estar: eu mesmo.
Você, acomodada em uma poltrona de ônibus, foi-se.
Eu fico, com minhas manias, taras, vontades, transtornos obsessivos-compulsivos e outros.
Verão de 2001: você era quem dava a despedida, e eu, era quem partia.
Você, em sua fortaleza, e eu, em minha esperança e sonho.
Fui. Consegui o que quis. Você ficou, também conseguiu, é claro.
2004: você é quem está indo com seus sonhos. Eu é que fico.
Mudamos de lado no balcão da vida em tão pouco tempo.
Um dia, antes mesmo do raiar do novo ano na mais importante avenida do país, ainda tinha sonho em ter você comigo.
Leda ilusão.
Sorte minha que teu espelho refletiu.
Assim como a Medusa, que, ao olhar seus objetivos, os transforma em pedra.
Faltava pouco. Você conseguiu.
Estou pedra, rocha, inabalável.
Grato sou.
Meu coração, até anteontem, dizia o contrário. Sorte minha.
Tal coração que já tergiversou, amou, suportou, passou e suportou situações que só essa tal palavrinha chamada amor passa.
Agora transformou em um estado pétreo.
Aguardava os mails, ficava com outras pessoas e também sonhava e imaginava.
Bastou cinco, seis dias, e o sonho acabou.
Vamos encarar a realidade...
É...
Uma graduação passa, outra vem, a pós, o mestrado, doutorado, transformação, saber passar um café com o filtro....
Algum dia isso chegará...
Hoje és irmã.
Assim será.
Imaginei que em meus braços conheceria o que outras já conheceram. O amor que já fui capaz de gerar, os momentos, os carinhos, carícias, prazeres, sonhos realizados e outros...
Contigo é diferente.
Passou.
Quem sabe em outra encadernação (by Dedeca).
Valeu.
A gente se vê por aí, quem sabe em outras férias coletivas, passeios pelos cartões-postais ou mesmo minhas visitas...
É isso.
Boa viagem.
Você nunca me deu sono tranqüilo apesar de sempre ter dormido, roncado, rosnado e outros ao teu lado. Sempre foi recheado pelas imaginações que tive, ilusões e também por algo que nunca tive com outra pessoa, mas, contigo, se manifestou: o respeito. Seja feliz.
Sabe, a gente tem muitas afinidades, mas, o teu jeito de deixar roupas largadas, café sem coador, trancar-te na porta do banheiro, jaquetas viradas do avesso, zorra no quarto e outras coisas como não saber cozinhar ou mesmo dizer que já namorou, são tão inebriantes que prefiro passar a vez.
É. Tipo, embriaga outro, pois disso, não tomo. Sou fraco, acho que caio logo no primeiro trago e preciso ser levado logo. Então, passei minha vez nessa dose. É muito pra meu fígado debilitado e cheio de hematomas e viagens mal sucedidas (a última para o litoral de um Estado aeh do Sudeste).
Até logo ou até a próxima.
Não se esqueça: Personal Pêssego, R$ 2,39 no Futurama.

Terça-feira, Janeiro 06, 2004

Fiorin

Apesar das alfinetadas conterrâneas que recebi
recentementemente de uma pessoa que admiro
sinto muito orgulho da cidade onde nasci e dos amigos e inimigos que fiz.
Um deles (amigos, bem claro) foi o Fiorin. Augusto Fiorin.
Era para eu o ter odiado, mas, sinceramente, acabei gostando do figura.
É o seguinte: eu trabalhava num jornal babaca pra caralho
e queria mudar de trampo para um lugar muito mais legal.
Bem, a situação era a seguinte: estava de férias do jornal em que eu trabalhava, puto da vida
com a demissão de uma pessoa que eu gostava muito e queria sair de lá. Acontece que eu não
podia pois era pobre, semi-favelado e pedia pelo amor de Deus para não ser demitido.
Então eu cheguei no editor e pedi: me demite para que eu fique com a grana do acerto, já que
tenho uma vaga garantida em outro lugar.
Claro: antes de falar isso a ele, eu já tinha feito várias pautas para o tal lugar (outro) e também
conquistado a simpatia da galera de lá.
Só que, para minha surpresa, o panaca não queria me demitir. Então, resultado? Tive de voltar...
Bem, quem ocupou minha vaga nessa lacuana? O Fiorin, claro.
Garoto estagiário, demonstrando maior vontade, um educado nato e também com um gás que
só alguns como ele tem.
Fiquei pra escantei. Fui demitido da palhaçada do lugar que trabalhava e, ainda por cima, perdi a vaga no lugar que queria.
Voltei para o tal lugar e vi que o Fiorin lá estava. Compentente, dava conta do recado e, ainda por cima,
era (é, acho,) um sujeito bacana pra caralho.
O chefinho lá até que tentou tergiversar, mas, no fim, tinha me fudido de grandão.
Assim começou minha história com o Augusto Fiorin, um cara que, no começo, tinha achadoq ue era impecilho, mas, no fim, se tornou um grande camarada de pautas e loucuras.
Assim como eu, gosta de mulheres (sim, sem sombra de dúvida, ele tem mais sorte do que eu) e beber....
Do mais, é um bom jornalista (assim como eu, it´s course)..
Histórias são várias. Teve uma que ele apanhou de recrutas de um partidinho medíocre aeh.....Fiquei
fulo da vida..
Outras vezes ele presenciou meus ataques de bravatas, assim como o mesmo relatou em seu mail...
Do mais, é um dos poucos sujeitos que acho que estão no lugar errado, fazendo a coisa errada...
Abraço seu vagabundo!!!

Segunda-feira, Janeiro 05, 2004

Albergue Espanhol

Se você tá com pouca grana, tipo anda meio sem ter o
que fazer e ainda por cima quer gastar pouco
para ir ao cinema, então a pedida é juntas as moedinhas do cofre até
somar R$ 3,00 e curtir a sessão
latina do Frei Caneca Unibanco Artplex (sugiro ir acompanhado, de preferência
de alguém do sexo oposto).
Bem, vai lá por volta das 12h30 e compra um ingresso para a sessão latina, filme
Albergue Espanhol.
Ah, tá. Deixa eu explicar. Vá somente se você algum dia fez faculdade e
teve de dividir o mesmo lugar que
morava com pessoas desconhecidas. Ai sim tá valendo.
Xavier é um francês recém-graduado, que está numa situação típico
de todo sujeito que busca oportunidade no mercado de trabalho.
Terá sua chance desde que consiga concluir uma pós-graduação em outro país,
cuja língua não conhece.
Destino: Espanha.
Convence a namorada, dá adeus à mãe e vai para seu destino.
Lá vivenciará típicas dificuldades enfrentadas por todos aqueles que já
foram para um lugar distante repleto de gente desconhecida em busca de
um objetivo na vida.
Tenta morar sozinho num lugar que a mãe, uma hiponca esteriotipada
lhe descola. Quebra a cara.
Vai então tentar morar com um casal que ele fez amizade no aeroporto,
assim que desembarcou na Espanha.
Continua sua busca por lugares para morar até que acaba encontrando uma
espécie de república onde todos são estrangeiros: alemão, italiano, inglesa,
holandês, belga, enfim...uma zorra só.
Daí o que se segue é um típico relato universal e fiel vivenciado ao menos
uma vez por quem já teve de dividir o mesmo teto, geladeira, banheiro e
outras dependências da casa.
Bebedeiras, amores, traições e demontrações daquela típico
amizade universitária que só quem passou por isso sabe.
Moral, errado, certo? Nada disso. Todos tem culpa e são inocentes,
tudo ao mesmo tempo.
Se o roteiro é bom? Não, claro.
É simples. Trata do cara escrevendo suas memórias, em livro.
Fotografia, direção de arte e algumas interpretações (o irmão
inglesinho é um candidato a Hulligan, tranquilo, tranquilo) redondas.
Do mais, é só para entreter os sujeitos que, como eu, tem pouco
dinheiro para gastar, quer dar algumas risadas vendo-se em cena
algumas vezes (principalmente nos porres) e querem uma diversão
para matar o tempo que insiste em não passar.
Só.

Sábado, Janeiro 03, 2004

Então, tá...

É bastante tentador
A comodidade é algo que instiga
Mas, pensando bem, melhor é se mexer
Dar um jeito mesmo que não tenha como
Sair mesmo sabendo que não deveria ter entrado
O melhor é saber que quebro a cara sim
Com muita satisfação e uma merda de uma tranquilidade
Não a tranquiilidade de ter feito o certo
Aliás, eu nem sei se é certo ou errado
Muitas vezes tá mais para o errado
Bater a cabeça, dar a voltar, perder, ganhar
Isso tudo não tem lá muito sentido
A única vontade é estar vivo
Onde e como se vê depois
A eterna vontade dos atos irresponsáveis
De jogar aquele velho e bom jogo ultrapassado
Falar besteira com os amigos e não ver nada de útil em
absolutamente nada
Brigar sempre com a mesma amada e descobrir outras logo depois
Claro, logo após seduzí-las, conquistá-las e amá-las, enciumá-las,
enlouquecê-las, prometer a vida eterna ao lado dela....
Só que sempre o vento sopra e o castelo de cartas desmorona....
A paixão e fidelidade declaradas é pela bohemia.....
Essa sim....
Tratada como uma lady, intocável, daquelas que dá vontade de abrir a porta,
pagar o jantar, ir no cinema e comer a pipoca juntos, transar com camisinha
devido a encanações dela e tudo mais....
Então, tá....

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A Mirella, também chamada de três notinhas, Mirrela lá ou mesmo Mirel la, tem um aspecto looser particular pra caramba...
Tipo, consegue se trancar no banheiro e não conseguir sair durante quase uma hora,
Fazer o café e esquecer de colocar o coador,
Passar creme para as mãos nos cabelos,
Sair com a jaqueta do avesso,
Literalmente cagar para o Museu do Ipiranga,
Não saber como se descasca uma cebola e diferenciar um
rabanete de uma couve, só para ficar nas folhas...
E, é claro, a minha melhor amiga....


Quinta-feira, Janeiro 01, 2004

Bucólico

Todo mundo parou.
A Paulista tá chata.
São Paulo tá meio assim, de ressacão.
A cidade que não para deu um tempo.
Deve tá meio zuada, ainda ouvindo os estalos dos fogos
de ontem à noite e a merda da versão que o Toni Garrido
fez de Sampa, do Caetano.
E ainda me chamam de radical.
Veja só. Não que eu gosto do baiano, mas daí a pegar a música e
fazer isso é demais, não?
Bem, azar alheio não se comenta. Se lamenta.
O pior é que não sei o que fazer.
Já li três livros e acho que terei de ir comprar mais
pocket books na única banca aberta aqui perto de casa.
Chato isso.
Se ao menos tivesse um show ou uma peça minimamente assistíveis
eu não teria de ficar em casa.
A Mi ainda tá animadaça. Acha que vai encontrar alguma coisa que valha na rua.
Acho que não. Mesmo assim vou com ela.
Assim a gente aproveita, passa numa banca, vê um filme, descola uma pipoca,
compra um pocket e volta pra casa.