Metralhadora Giratória |
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Domingo, Fevereiro 29, 2004
Sartriniando Ontem à noite fui assistir O Diabo e o Bom Deus, no Sesc Anchieta. Uma preza do Robson, brother de lá. Curto Sartre desde os 17 anos. A primeira coisa que caiu na mão foi a peça A Prostitura Respeitosa, uma puta de uma crítica social aos gringos e afins. Depois disso li e comprei algumas coisas do cara, na minha pífia e rasteira opinião o melhor e o maior filósofo que já passou por aqui. Existencialista até o último fio de cabelo (aliás ele não tinha muitos). Uma das melhores coisas que já ouvi na vida foram frases do tipo O Inferno são os outros e matar o que se ama, o homem está condenado à liberdade entre outras pérolas do sujeito. Então, O Diabo e o Bom Deus é o texto que Glauber se inspirou para o filme dele. O texto é do caralho. Muito bom mesmo. Fala de um sujeito que fará de tudo para saciar seus fetiches de grandeza (semelhança com Hitler pouca é bobagem). Trata-se de um general que desafia tudo e todos (até Deus) para conquistar o que quer, até descobrir sua liberdade. Passeia pelo bom e pelo mal com a mesma desenvoltura em nome de seus anseios. No caso ele quer conquistar uma cidade chamada Worms, na Alemanha, e, para isso, fará tudo que estiver ao seu alcance, até matar o próprio irmão. São oito atores em cena. Luz simplesmente perfeita. Uma coisa chama a atenção: a escultura de um cristo de Emanoel Araújo, um artista plástico de responsa, cultuado no meio. Alguns atores se destacam de forma muito boa. Almir Martins, no papel de Getz (o tal do general) manda muito bem. A maioria do tempo ele contracena com José de Brito (que faz o papel de Nasty, um padeiro que é o mentor da resistência da cidade) e Maíra de Andrade (que dobra papel como Catarina; uma prosti que sacia os desejos de Goetz, e Hilda, uma das habitantes ricas da cidade tida como simpática e querida pelos camponeses). Os demais nem vale a pena serem citados. Almir e José mandam bem. Maíra em uma interpretação muito boa, só que a voz.... Simplesmente a garota deveria ter um princípio de lábio-luporino. Saca aquela doença em que o lábio racha no meio e dificulta a fala, e, quando a pessoa fala alguma palavra, sai meio que assoviada. Então, aguentei durante uma hora e meia de espetáculo o tal do assovio na fala da garota. Nada contra a interpretação dela, só que em vários momentos eu não ouvi absolutametne nada, apesar de estar na oitava fileira, relativamente próximo ao palco. Algo que me chamou muita atenção pelo aspecto negativo foi a solução cênica encontrada pela direção para encontrar locais para os atores encenarem. Optou-se por colocar planos em andaimes e, lá de cima, os atores contracenavam, se integravam os objetos cênicos. O grande problema é a enorme quantidade de entrada e saídas daqueles trambolhos. Que eles ficaram bacana tudo bem. O problema é que não é nem um pouco funcional, principalmente para os atores secundários que só apareciam nesses momentos. Um detalhe que pra mim estragou a cena. Algumas gorduras são muito evidentes. Uma delas é a construção cênica minimalista de Worms. Um ator chega com uma bacia com pequenos objetos cênicos simulando a construção de uma cidade, só para Goetz contemplar o que iria conquistar. O problema é que a cena da construção roubou tanto o intuito principal que soa desconexo e exagerado deixar um ator sob música, com movimentos coreografados colocando e tirando logo em seguida objetos cênicos debaixo de um foco. Do mais, fiquei extremamente decepcionado com o que vi em cena. Havia curtido pra caramba a notícia de que alguém montou o texto, ainda mais com as dificuldades naturais dele, um autor crítico, difícil e nenhum pouco comercial. Mas, se fosse para fazer o que fizeram em cena, acho melhor nem ter montado o espetáculo. __________________________________________________________________ Depois da peça fui no buteco do Satyros, onde ia rolar uma peça. Era a festa de estréia do novo site dos caras. Encontrei a galera do Cemitério. Bati um papo bacana com o Bortolotto a respeito do que penso sobre o prêmio gasolina de teatro e as escolhas dos caras e suas indicações. Mais uma vez aprendi um pouco mais com gente experiente e que sabe o que fala. Não sei se minha opinião mudou a respeito. Mas, ao menos, tive um outro lado mais consistente, de quem tá no palco, trabalhando há uma porrada de tempo. Bacana. Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004
Nelson Rodrigues A companhia de um paulista é a pior forma de solidão O homem começa a morrer na sua primeira experiência sexual Só os profetas enxergam o óbvio Deus prefere os suicidas A morte é anterior a si mesma Toda unanimidade é burra Todo desejo é vil A cama é um móvel metafísico Até 1919, a mulher que ia ao ginecologista sentia-se, ela própria, uma adúltera O brasileiro chamado de doutor treme em cima dos sapatos. Seja ele rei ou arquiteto, pau-de-arara, comerciário ou ministro, fica de lábio trêmulo e olho rútilo --------------------------------- Nelson apimentado... Sou um reacionário. Reacionário é aquele que quer liberdade, quer o pão e se recusa a admitir que o Estado tome conta dos seus filhos, faça eles de palhaços. (Ao JB em 09/07/77) Eu me nego a acreditar que um político, o mais doce político, tenha senso moral. O que me dá um certo inconformismo é a discriminação que se faz: Franco é um canalha mas Stalin não é um canalha. A ONU não considera Stalin um canalha. Para ela, o fato de existirem intelectuais internados em hospícios não é um ato atentatório aos direitos humanos. (Ao JB em 09/07/77) Durante 20 anos, durante toda a década de 40 e toda a década de 50, fui um homem absolutamente só. Combatido, me chamaram de tarado, de cérebro doentio. Poucas pessoas, algumas excessões como Gilberto Freyre, José Lins do Rego e Manuel Bandeira, me estimulavam. Mesmo o Manuel Bandeira chegou pra mim um dia, quando eu e meus personagens éramos odiados, e disse: ' Nelson, por que você não faz uma peça em que os personagens sejam assim como todo mundo? Eu respondi da forma mais singela: Mas meu caro Bandeira, meus personagens são como todo mundo. Porque uma coisa é verdade: quem metia ou mete o pau no meu teatro está procedendo como um Narciso às avessas, cuspindo na própria imagem. (Ao JB em 14/04/80) Um colega da Última Hora me perguntou: quais seriam as suas últimas palavras? Para um sujeito com quarenta e um graus de febre, esta piada é de uma crueldade mortal. Eu disse a ele: Minhas últimas palavras são as seguintes, que boa besta é o Marx!. Eis um momento em que o sujeito não faz pose, porque, na hora de morrer, cada um fica atribuladíssimo com a própria morte. Sem fazer a menor pose - e achando que ia morrer - eu disse, então, aquelas que seriam minhas últimas palavras: Marx é uma besta!. (Em entrevista a Otto Lara Rezende, em 1977, e publicado pelo JB em 26/02/89). Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004
Again Confesso, meu cérebro foi execrado. Tive de ficar confinado a cobertura de Carnaval e coisas correlatas. Uma verdadeira porcaria. Tô sentindo uma vergonha tremenda. Vou ficar um bom tempo sem aparecer em público me lastimando profundamente pela postura prostituta que tô tomando. Às vezes eu me impressiono seriamente com certas coisas que faço em detrimento de dinheiro ou em nome de pagar aluguel. Mas, ultimamente, tenho me decepcionado muito com certas pessoas que se dizem nem aí para o sistema e acabam até aparecendo em alguns lugares execráveis. Ou seja, no fundo, no fundo, tudo é bravata. Fala que faz o que gosta e tudo o mais e, quando pinta a grana, tá em qualquer lugar. Quando o assunto é grana, neguinho, foi-se. Pelo menos assim me sinto um pouco menos culpado, se bem que, há anos, aprendi que nessa vida tudo é feito sozinho e que só dependo de uma pessoa para me dar bem ou me dar mal, ou seja, eu mesmo. Vejam só. Eu, odioso mor do Carnaval e tudo que se refira ao mesmo, tive de ir, em menos de três dias, ao Sambõdromo e duas (sim, duas quadras de escola de samba). Só não vomitei para não causar constrangimento (e também pelo fato de que muitos bateristas de escolas de samba iriam me enquadrar legal). Do mais, antes de ser puto da avenida em troca de uma grana, já havia feito trampo de ghost writer (saca o que é isso?). É escrever livro para os outros como se os cuzões o tivessem escrito. Não pára por ai não. Quando pivete, enchia saquinho de areia para uma floricultura aí. Eu tinha nove anos mané. Depois fui ser marcineiro, segurança de loja, servente de pedreiro, ouvires (manja, fazer anel, brinco, corrente e outras merdas do gênero), trampei num escritório de uma imobiliária, auxiliar de serviços gerais (tipo escriturário) num dos maiores hospitais públicos do interior, e, para piorar, no setor de emergência. Via tudo quanto é nego estourado. Uma vez fui correndo atrás de um cara que tinha acabado de chegar, ele tava sangrando todo, troquei uma conversqa com o sujeito para saber como ele havia se arrebentado, seus documentos, telefone da família para avisar, etc. Lembrei de tudo, só esqueci do RG (veja só). Voltei e o quê eu encontro? Um pano branco, a enfermeira do lado e ai eu pergunto fatidicamente: - É o cara? Ela, ironicamente, diz. - O próprio, foi-se. Simplesmente falei: - Beleza. Então, depois disso fui ser estagiário em jornalismo numa prefeitura aí. Fiquei dois anos. Fui contratado para um jornal bacaninha mas muito provinciano. O tempo se passou, levei o pé na bunda (tava pedindo, claro), fui ser repórter de internet, fiz assessoria de imprensa e produção num festival de rock aí, produzi um jornal para um evento gigante de dança e depois entrei para a Falha de São Paulo, ops Folha de São Paulo como frela fixo (ou seja, tú não tem vínculo com a empresa nos direitos trabalhistas, só no trampo que tem de exercer ao longo do dia). O tempo passou, exerci um cargo muito garboso na USP, fui especialista de eventos, consegui minha DRT de diretor de produção (vejam só), tinha um salário muito bom mas o sonho acabou. Agora tô aqui, às 20h15 da noite, numa redação minimamente duvidosa produzindo algo estupidamente duvidoso. E, o pior de tudo, cobrindo Carnaval. Tô no lixo, me sentindo a pior bosta já produzida por algo. Talvez melhore. Nâo sei. Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004
Da série jornalismo fake DesastrePassarela e arquibancadas viraram pó DESABAMENTO DE SAMBÓDROMO MATA 52 MIL O Sambódromo do Anhembi (SP) desabou agora há pouco matando 52 mil pessoas que estavam no local. O desastre aconteceu às 7h20 da madrugada deste domingo (dia 22 de fevereiro), durante a apresentação da última escola do grupo especial a entrar na avenida, a Nenê da Vila Matilde. No momento que os integrantes da última ala teriam saído da concentração para entrar na pista a estrutura começou a ceder. A primeira estrutura a ruir foi a arquibancada monumental, seguida pelos setores 5, 6, 7, 9, 2 e 1 (ordem do desabamento). As hastes dos holofotes desabaram em cima das arquibancadas. O desmoronamento fez com que a pista do sambódromo partisse em duas abrindo uma espécie de vala de 37 metros de profundidade. Toda a estrutura do sambódromo foi tragada pela força do desmoronamento. A pista direita da marginal Tietê e da avenida Olavo Fontoura também cederam destruindo 3.297 veículos que estavam parados nas laterais direita e esquerda do complexo. Metade dos 970 quartos do hotel que fica ao lado do Anhembi vieram ao chão. Os escombros fizeram aumentar o volume do rio Tietê, aumentando em 28 metros a sua margem, invadindo 38 bairros da zona norte num total de 1,2 milhões de casas. Integrantes das 8 escolas do grupo de acesso e das 16 escolas do grupo especial, além de diretores da Liga, 987 ilustres entre atores da Globo, jogadores de futebol, políticos e músicos também morreram. Outras 36 mil pessoas que superlotavam as arquibancadas foram tragadas pelo desabamento. Entre os ilustres que estavam na pista morreram a prefeita Marta Suplicy, seu marido, Luís Favre, Horácio Lafer Piva (presidente da Fiesp, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o presidente da Bovespa (Bolsa de Valores do Estado de São Paulo), BMF (Bolsa Mercantil e de Futuros), presidente da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), presidente do BC e das instituições Itaú, Unibanco, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, o empresário e apresentador de TV Sílvio Santos e o bispo Edir Macedo. O empresário e o bispo, além de Dom Paulo Evaristo Arns estariam desfilando secretamente como destaques na Gaviões da Fiel (Macedo), Camisa Verde e Branco (Arns) e Vai-Vai (Silvio Santos), de acordo com informações de foliões. Eles estariam vestindo fantasias femininas em carros alegóricos. A assessoria de imprensa das escolas não divulgaram nem iriam divulgar a presença deles. A medida é adotada para preservar a imagem dos envolvidos e é muito comum em países como EUA e França, de acordo com Manoel Chaparro, doutor em comunicação pela USP. Na verdade eles [os envolvidos] não queriam assumir sua boiolagem para o público diretamente. Assim compram fantasias escondido das famílias, não informam assessores e caem na folia protegidos pela corporação, afirma Chaparro. A ONU (Organização das Nações Unidas) determinou há pouco a constituição de uma força-tarefa para auxiliar nas buscas dos desaparecidos e auxílio às famílias dos mortos. Luís Inácio Lula da Silva não foi encontrado. Ele estaria em uma praia nas Ilhas Galápalas e não foi encontrado pela assessoria para falar a respeito. O ministro José Dirceu, da Casa Civil, foi informado há pouco do desastre e embarcará daqui a instantes de Brasília com destino a São Paulo. A medida foi criticada pela bancada do PSDB. Ele quer se mostrar. É um exibido, afirmou Artur Virgílio, líder tucano no Senado. Ele afirmou que irá propor a abertura de uma CPI para avaliar a necessidade da ida de Dirceu até São Paulo. Em entrevista coletiva na Casa Branca há pouco, o presidente dos EUA, George W. Busch, afirmou que a FBI e CIA tiveram informações de que um atentado terrorista poderia acontecer no período, na América do Sul. Em seu discurso, Busch cometeu uma gafe. Disse lamentar a morte dos brasileiros do samba que morreram em Buenos Aires durante a festa do Mona. Busch se reunirá com seu conselheiro de guerra. Tropas estariam migrando da costa leste em direção a China. Informações dão conta que haverá um remanejamento das equipes que estão em Israel, participando do pós-guerra. A contenda entre EUA e China é inevitável. Vamos botar para quebrar, ops, para destruir tudo. Tentaremos reaver todos os tênis clonados da Nike e Reebok, disse Busch para um repórter da CNN, quando perguntado da constante atitude de orientais em falsificar produtos. Até agora as 397 equipes de Corpo de Bombeiros resgataram cerca de 23 mil corpos dos escombros. As equipes não são suficientes para resgatar todos os desabrigados pelos alagamentos. Nenhuma autoridade soube informar quantas pessoas morreram devido à invasão das águas. Outros 17 mil policiais que estavam na tradicional festa da coxinha patrocinada pela Secretaria da Segurança Pública na zona leste, foram requisitados para trabalhar. Alguns afirmaram-se indignados. Positivo. Isso é um complô da corporação contra a categoria. O nosso campeonato anual de maior comedor de coxinhas iria distribuir um milhão de reais em prêmios graciosamente cedidos por empresários da região, afirmou um diretor do sindicato dos policiais militares que não quis se identificar para não sofrer represálias. Helicópteros das policias civil, militar, federal e de particulares fazem uma barreira aérea não permitindo que emissoras de TV captem imagens para exibir em seus programas. A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) expediu uma nota repudiando a atitude. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo pretende realizar uma grande manifestação na praça da Sé contra o que chamou de censura, segundo o presidente da entidade, Fred Guidini. Estamos numa sociedade onde o livre acesso da informação se faz necessário, disse. Ele afirmou que a manifestação será feita após o término do resgate das vítimas do desastre. A repórter Eleonora Pascoal, da Rede Record, entrou em depressão e está internada em estado grave no departamento de psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP. Um câmara do Águia Dourada (helicóptero da emissora) que trabalhava com a repórter teria ouvido o último suspiro antes dela desmaiar. Ela gritou, bateu no teto do helicóptero, tentou pular mas se atrapalhou com o fio do fone de ouvido e desmaiou. Quando acordou só dizia que queria voltar a trabalhar como balconista de loja de frios no Mercadão, disse o cinegrafista da emissora. Causa A superlotação de foliões na avenida, a umidade dos últimos dias ocasionada pelas chuvas e o alto volume das escolas de samba teriam abalado as estruturas de cimento do complexo e seriam os responsáveis pelo desmoronamento, segundo engenheiros das defesas civis Municipal e Estadual. A denúncia é de que a Liga das Escolas de Samba de São Paulo teria permitido a entrada de dez mil pessoas além da capacidade do sambódromo (26.529, segundo a organização). Outra informação dá conta de que diretores do Anhembi teriam se sentido indignados com o fato de não terem sido contemplados pela isenção do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). A Prefeitura havia anunciado que imóveis alagados pelas fortes chuvas de fevereiro seriam isentos do imposto. Quando foi até a subprefeitura conferir se o Anhembi seria isento ou não, o presidente da entidade teria se indignado. Ele teria então jogado água quente e fria (alternadamente) nas estruturas dos pilares do complexo. Em entrevista ao Cidade Alerta, um homem identificado como Nostravamus disse que a estrutura já estava condenada. A culpa seria dos próprios foliões que fazem xixi em plena avenida. A urina teria, ao longo dos anos, entrado na estrutura e formado uma espécie de lamaçal embaixo da pista. A informação provocou uma corrida de parentes as lojas do Pão de Açúcar instaladas na Grande São Paulo em busca de materiais de limpeza para lavar os corpos. O Boletim de Ocorrência foi registrado no 238º DP. O delegado titular teria saído para tomar um café e não retornado até o fechamento desta edição. Ele iria decidir se iria abrir ou não inquérito para apurar o caso. Segundo um dos investigadores, o delegado titular seria um ex-integrante de grupos punk. Ele foi é num churrasco de carne de soja com um grupo punk que está comemorando desde a hora que o Sambódromo caiu, afirmou uma copeira da delegacia. Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004
Deslocado intencionalmente Desconheço terminantemente qual é o sujeitou ou a sujeita expulso (a) do Big Brother Não me importo nem um pouco em saber a quantas andam os personagens de Chocolate com Pimenta, Celebridade e afins Até agora não sei e nem vou saber qual é o novo hit do momento ou sequer a lista das 10 ou 20 mais em emissoras de rádio ou TV Gosto de internet e a uso diariamente. No entanto isso não me faz sabedor do novo site, portal ou blog indicado nas revistas de informática ou seções especializadas de jornais Passei pela banca mas nem me lixei para as capas de Caras, Contigo, Quem Acontece e assemelhados só anteontem minha sobrinha de quatro anos me explicou quem era um tal de Felipe Dilon. Ela se irritou com o fato de seu tio não saber quem é o sujeito e nem cantarolar a música chiclete do garoto Me dá alegria ao saber que minha TV está desligada no momento do Vídeo Show, Falando Francamente, Melhor da Tarde e seus pares Alguma sessão cultural de um jornal por aí soltou a nova sensação do mercado literário devidamente abençoada por Paulo Coelho. Sorte minha que cortaram a entrega por falta de pagamento Minha mãe quis saber se um tal de Carlinhos era ou não filho de não-sei-quem. E eu achando que Carlinhos era nome somente de um amigo de décadas Fiquei impressionado com uma amiga me sentir estupefata com o fato deste inconveniente blogueiro desconhecer que uma global puta qualquer largou do globalzinho marombeiro veadinho para ficar com um vocalista de uma banda de merda que se assemelha muito com rapaz, ou a alcunha deste na gíria Não fui e nem tão cedo irei no novo barzinho do momento na Vila Madá (tem gente que adora esse nome) Definitivamente não me interesso nem um pouco pelos samba-enredo deste batalhão de asseclas felizes por sei lá o quê É por essas e outras que me pergunto o que estou fazendo aqui e por que ainda permaneço Terça-feira, Fevereiro 17, 2004
De volta à pizzaria Tentei escapar mas sinceramente não deu. Tô voltando pra pizzaria, de onde saí há um ano e meio na esperança de nunca mais voltar. Queria retomar algo que havia interrompido há dez anos, o teatro. Até que consegui. Aliás, modéstia às favas, bem. Me deram uma tal de DRT e me senti diretor de produção, fazendo assessoria de imprensa para montagens, enfim, trabalhando com e para a classe. Só que as coisas não acontecem da forma como a gente quer e pensa. São impostas pela necessidade de pagar o aluguel, vestir, comer, beber, enfim, essas besteirazinhas da existência humana que fazem do vil metal o essencial. É claro que gosto de ser repórter. Só que me sinto enojado toda vez que me chamam de jornalista. Se você for considerar que até a Tiazinha e Feiticeira dão uma de jornalista, tenho motivo de sobra para rasgar o meu diploma, jogar minha MTB em qualquer latão de lixo da Amaral Gurgel e nunca mais pisar numa redação de jornal enquanto existir... Só que tenho de voltar pela imperiosa necessidade. Acho que o teatro nunca me quis mesmo. Um cara que considero pra caralho nunca se referiu a minha pessoa como um produtor (ele me conheceu quando eu o era e exercia a atividade). Insiste em dizer que sou jornalista malaco. Ainda bem que tem o malaco no final, senão, tava fudido. Talvez eu não leve jeito mesmo para ser produtor ou assessor de imprensa, sei lá. Mas eu não vou desistir não, só vou dar um tempo, de repente descolar grana para pagar uns cursos aí, poder me envolver em produções sem ter a obrigação de ganhar dinheiro, enfim....filantropia comum no meio. Pois bem, a partir de amanhã vou continuar a ser o que sou há tempos: arrogante, crítico, irônico, soberbo, desprezível, inconveniente, instigador, inteligente (claro), perspicaz, mala pra cacete e ainda por cima com síndrome indefectível de Super Homem; ou seja, voltarei a trabalhar numa redação de um jornal na função de repórter. Será no Agora SP, do Grupo Folha. O grande problema disso tudo é ter de ver o Fausto. Será que eu vou ter estômago para isso? Bem, pensando na quantidade de cerveja e vinho que vou poder comprar com o salário que ganharei, isso será o de menos. Boa sorte pra mim. Azar dos entrevistados que quiserem me passar pra trás e se fazerem de espertos. Então, tá. Segunda-feira, Fevereiro 16, 2004
Jogo de xadrez Semana passada fui até o Teatro de Arena, onde a Cia Livre toca um projeto de responsa, bacana mesmo, o Arena Mostra Novos Dramaturgos. Se bem que alguns nem tão novos assim como o Newton Moreno, Toscano, Bonassi, Dionísio Neto e Bortolotto. E por falar no brucutu fundamental (segundo Mirisola), no próximo sábado e domingo (21 e 22), serão apresentados textos do cara. O primeiro é O Método, direção da conterrânea ilustre Fernanda D´Umbra, às 21h. No sábado, às 23h ainda rola o indefectível brucutu com Amalfi e trupe no show do Tempo Instável (meu Deus, será que vão tocar os odiosos raggae e sambinha???. Tomara que não). No domingão, enquanto a merda da passarela apresenta as escolas de samba, os asseclas do Cemita Social Club (me incluo nisso) estarão conferindo Brutal, com direção do Marião. Morre em (pelo menos) R$ 0,50, às 19h. Ah, é a tal da campanha sacadíssima da Cibele Forjaz e sua trupe (fala dialético Edgar de Castro!!!), chamada Pague Quanto Der. E óbvio que os mais sensatos vão pagar mais, claro. Bem, vale pelo vinho chileno no final. Voltando.... Quinta-feira passada assisti a leitura dramática de um texto de um futuro patrão. Débora, Márcio Aurélio e cia. Só que não entendi nada. Só saquei que era teatro do absurdo, tinha um puta fundo de crítica social, narrativa desfragmentada, existencialista, questionadora, etc. Do mais, não consigo mais pensar em nada simplesmente por não ter subsídios para tanto. Saca Sócrates. Ele dizia que você não pode amar ou odiar aquilo que não conhece. Já no domingão, ontem, voltei no Arena para ver a leitura do texto de Rubens Rewald chamado Umbigo com direção de Sérgio Sálvia Coelho, crítico da Falha de São Paulo, ops, Folha de São Paulo. Texto dificílimo mas bom. A história (ou seriam histórias?) traçam relacionamentos entre pai, filha, garoto, mulher e outros personagens periféricos. O núcleo central da trama é a discussão entre pai e filha a respeito da morte misteriosa da mãe. O texto privilegia ao máximo o ator, diferente de dramaturgos que insistem em aparecer mais do que os próprios (vide Temporada de Gripe). Inteiramente rubricado (olha a mão da direção!!!) o texto sugere vários outros sub-núcleos onde os fatos vão acontecendo. Todas, é óbvio, ilustrando, dando sustentação para o mote principal que é o pai e a filha em cena, lembranças de um passado recente, situações, tabus, conceitos, preconceitos. As falas entrecortadas, a fragmentação da narrativa (aliás, linearidade passou longe), traz diversos elementos para a compreensão do que se dará ao longo do desfecho da peça. Existem algumas barrigas (odeio essa palavra), que poderiam tranqüilamente serem cortadas (em minha assecla opinião óbvio). Acontecendo isso o texto fluiria num ritmo melhor, mais palatável ao entendimento do público. Soa didática a sua manutenção. E por falar em entendimento esse é o grande mote do texto. Sinceramente em dado momento eu olhei para o lado e me perguntei sinceramente Qual o motivo de ter vindo?, O que eu tô assistindo?, entre outras indagações. Só que o interessantíssimo desenrolar (lá pela quarta parte do espetáculo) vai se dando em pílulas. Surpreende de fato. A criação de situações, fantasmas (ou seriam consciências???), entrecortes, inversões, para trás e para frente (by David Ball) vão prendendo a atenção. Impossível não relembrar do que foi assistido. Aliás, a conexão de tudo que se assistiu; que até então não fazia o menor sentido; claro, pois o que teria a ver uma mulher com um menino??? vai se mostrando estrutural. A única dúvida que sinceramente ainda tenho é em relação as benditas (malditas para alguns) rubricas. Das duas uma: ou o diretor (no caso o Sérgio) tira soluções cênicas da cartola, ou faz como na leitura dramática, recorrendo a uma espécie de narrador, condutor de cena, o que, sinceramente, não é nada interessante pois suja a cena. Muito bom texto. Dificílimo de vê-lo no palco, encenado. Veremos. Vale a pena conferir. Dou o serviço Hã? Arena Mostra Novos Dramaturgos Ah, é? Tá, e daí? Apresentação de leituras dramáticas e jam sessions Rola quando? De quinta a domingo. De quinta a sábado rola às 21h, os shows do sabadão vão lá pelas 23h. No domingão é às 19h. Domingo, Fevereiro 15, 2004
Reflexo Uma vez tava andando meio que sem rumo, como sempre pensava em absolutamente nada (que me perdoem os budistas) encontrei alguém que vinha em direção contrária dentro de mim mesmo era calmo, cerrou o olhar em minha direção, deu uma tragada numa garrafa que trazia consigo, abriu a boca ainda molhada, ai disse mais ou menos assim -Eu já te disse o que penso. Aliás eu não entendo bem o motivo pelo qual tem por tão alta conta aquilo que considero. É uma visão particular da vida. O de nada achar sobre ela, saca? Tenha a sua. É minimamente saudável. Se realmente tivesse algum sentido não teria dúvidas ou sequer perguntaria aquilo que já sabe. Melhor seria que não tivesse falado. Não teria gastado meu tempo. Afinal de contas tenho muito o que ler, escrever em blog, checar mails, ver filmes, e, se sobrar tempo, descolar alguma forma de arrumar dinheiro para pagar a próxima. Se sente ódio ou amor é bom. Fico indiferente com tal indiferença. Sou bom em certas coisas. Essa é uma delas. É meio que natural. Penso como seria a vida de um vegetal. Sem vontades, reações, apenas existindo. O tempo passa. Alguns nascem, outros morrem, uns fazem guerra, outros insistem em pregar a paz. Outros estudam, alinham carreiras até que razoavelmente bem sucedidas. Compram o carro que tanto queriam, montam seus apartamentos com belos móveis, a TV de 29 polegadas, detalhes do Tok e Stok. Se casam, têm filhos, separam-se, voltam a tentar outro relacionamento, suportam o namorado da filha, o novo apartamento.... Uma geração inteira passa. Alguns ficam aí. Planejam novas coisas com a mesma velocidade que a indústria fonográfica cria ídolos numa semana, eleva-os ao patamar de nova moda à ser seguida, e, no mês seguinte, elegem outro. Por mais que se faça tudo é vazio. Se tiver ou não um plano Se viver de forma vagabunda ou workaholic Se estudar ou não estudar Trabalhar ou ficar sem fazer nada Ter um belo projeto, traçar metas, trabalhar para alcançá-las ou só ficar ouvindo a merda dos projetos alheios, daqueles que só ficam no projeto, ou seja, nunca se concretizam enfim, no fundo, no fundo, vai sentir um vazio como se não tivesse feito nada, ou, caso tenha feito, trabalhado bastante mesmo, é como se não tivesse feito absolutamente nada ninguém vai reparar então escolhe faz o que bem entender só não me enche o saco vai lamentar na puta que te pariu, se já sabe o que quer então levanta essa bunda gorda não te entendo, sinceramente, não que eu me esforce para entender aliás esse não é um problema meu, é legitimamente seu eu não me entendo nem quero me esforçar para tanto não almejo projetos penso só no que quero hoje se sofro ou não com isso é uma outra história tô aqui e não pedi pra vir isso é um saco, te garanto a única certeza é a total incerteza não sei o que será amanhã nem sequer daqui a cinco minutos esse mundinho é estranho não fui eu que o fiz vou colaborando da forma como me desagradar melhor aliás, se fosse eu no manche desse bólido tava muito mais estranho brother. Quinta-feira, Fevereiro 12, 2004
Da série jornalismo fake VIOLÊNCIACliente teria se vingado Terraço Itália, no Centro de SP, é metralhado Um operador da Bolsa de Valores de São Paulo é o principal suspeito de ter metralhado toda a vidraça do restaurante do Terraço Itália, no Centro da capital. Ele ainda estuprou duas hostless, baleou um segurança, cortou os cabelos de uma socialite com a faca de cortar pão e ainda obrigou um executivo que estava almoçando no local a fazer sexo oral com a socialite. A polícia ainda não tem pistas do suspeito. Para fugir o operador usou equipamentos de escalada. Desceu até o térreo, trocou de roupa e, segundo testemunhas, entrou em um ônibus que passava pela avenida Ipiranga. O operador da Bolsa de Valores entrou no prédio pela portaria. Disse que iria jantar no restaurante panorâmico do Edifício Itália sozinho. Os funcionários identificaram o suspeito como sendo um operador da bolsa de valores devido ao colete que o mesmo usava, listrado, e também o rádio comunicador que ele trazia pendurado em sua calça. Ele trazia consigo uma mochila usada por esportistas para acampamentos onde pode-se acondicionar colchão, roupas e equipamentos diversos. O operador entrou no elevador e subiu até o 41º andar, onde fica localizado o restaurante panorâmico. Seguranças afirmam que o operador se mostrou sorridente, aparentava estar bem e tranqüilo. Entrou no restaurante orientado por uma hostless. Pediu uma mesa ao lado da vidraça, no lado esquerdo do andar, com vista ao prédio do Banespa. Sentou, fez o pedido (postas de pato ao molho krubiniê, salada grega gelatinada e uma garrafa de vinho Brunello, segundo o garçom). Enquanto o pedido não ficava pronto foi até o banheiro. Foi neste momento que abordou uma das hostless que estava na entrada do restaurante a convidou para que o ajudasse no banheiro. Solícita, a moça identificada pela administração do Terraço Itália simplesmente como Babete foi com o cliente até o banheiro. Lá ela teria sido obrigada a tirar a roupa e fazer sexo com o operador em cima do vaso sanitário do banheiro, à portas fechadas. Percebendo a demora da colega de trabalho, outra hostless, identificada como Shirley, foi até o banheiro ver o que estava acontecendo. Segundo relatos de clientes que estavam no banheiro, Shirley ficou entusiasmada ao ver a amiga Babete fazendo sexo com o cliente Teria começado a se masturbar de pronto, tirou seu salto alto, vestido preto de tubinho e a calcinha fio dental que vestia. Entrou no local onde os dois estavam e também participou. Ainda de acordo com clientes as duas recepcionistas eram, na verdade, namoradas. Eles deram essa versão após ver o operador da Bolsa abrir a porta do banheiro que estava junto com as duas garotas e convidou outros homens a olhar a transa das duas. Alguns tentaram transar com Babete e Shirley mas foram impedidos por elas. O operador então deixou as duas no banheiro, vestiu sua roupa e voltou para a mesa onde estava. Como seu pedido ainda não havia chegado, perguntou ao garçom o motivo da demora. Segundo o maitrê da casa o pedido do operador da Bolsa não poderia ser atendido pois não havia mais pato, salada ou sequer a marca de vinho requisitada por ele ao garçom. Foi neste momento que homem, calmamente, levantou-se, foi até a mesa ao lado onde uma socialite comia aspargos ao sugo com seu esposo, um executivo do mercado da moda. O operador da bolsa pediu licença à socialite, pegou a faca de cortar pão e começou a cortar o cabelo da cliente. O esposo dela perguntou ao operador o que ele estava fazendo. O executivo teria pedido gentilmente para o operador parar de cortar o cabelo da mulher. Como não foi atendido, ele levantou-se da mesa e ameaçou o operador da Bolsa que solenemente desprezava a presença do homem na mesa. A socialite, falava para as pessoas ao lado que se tratar de um telegrama legal do Gugu e que o homem na verdade, era um cabeleleiro da Soho, dava risadas e procurava onde poderia haver uma câmara. O operador continuou cortando. Disse para o executivo abrir o zíper e colocar o pênis dele na boca da esposa. A socialite gostou da idéia e abriu a boca. Pegou o pênis do esposo com as duas mãos, chacoalhou e coloco-o na boca. Fazia movimentos violentos com a língua até que o executivo fechou os olhos. O operador resolveu parar de cortar quando o cabelo da mulher já havia sido retalhado até a altura da nuca (o cabelo dela era comprido e atingia metade das costas), agradeceu a faca, a colocou no lugar de novo e foi novamente até a mesa onde estava sentado. A socialite e o executivo nem deram atenção e continuaram a fazer sexo oral dentro do restaurante. O homem então pegou a mochila e de lá tirou uma AR-15. Colocou vários cartuchos no bolso e começou a disparar contra os vidros do prédio. Clientes, funcionários e até seguranças saíram correndo. Os tiros atingiram todos os vidros do lado esquerdo do restaurante. Não contente o operador recarregou a arma e foi até a outra extremidade do andar. Além de todas as vidraças atirou também contra uma escultura de gelo de três metros e meio de altura por dois metros de diâmetro que estava no centro do salão. De acordo com a administração do Terraço Itália a escultura era o principal atrativo de um jantar de negócios reunindo executivos da Microsoft que aconteceria no final da noite. Bombeiros subiram até o restaurante e ficaram na porta vendo o operador atirar. Tentaram falar com o ele. O homem os ignorou. Segundo o chefe da brigada, o operador apenas olhou para os homens que estavam parados na porta, deu um sorriso, balançou a cabeça e fez sinal de positivo para todos que o olhavam. Os únicos que permaneciam no salão eram a socialite e seu esposo, além do casal de hostless, Babete e Shirley, que disseram ter ficado excitadas com os tiros e foram até a mesa de frios do restaurante (localizada no meio do andar) e lá, em cima da mesa, continuaram fazendo sexo sem se incomodar com a presença dos bombeiros, do atirador e do casal. O operador voltou calmamente para a mesa onde estava, colocou a AR-15 em cima de uma cadeira, pegou um bloco de anotações e começou a escrever. Deixou o recado em cima da mesa, abriu novamente a mochila e tirou equipamentos de escalada (cadeirinha de alpinismo, corda, mosquetões e um boné). Colocou a mochila nas costas, prendeu a corda em volta de um balcão, chutou a janela e começou a descer os mais de 100 metros do Edifício Itália. Os bombeiros disseram que o atirador agiu rápido e que sua ação não demorou sequer dois minutos. Foram até a janela onde o homem estava descendo mas só conseguiram enxergar quando ele já estava no térreo. Viram o operador sair correndo, rumo a uma cabine de telefone. O homem teria trocado de roupa, abandonado o terno que estava vestido e os equipamentos de alpinismo na cabine. Foi até o ponto de ônibus na avenida Ipiranga e entrou em uma linha que ia em direção ao bairro de Ibirapuera, na zona sul da cidade. Assim que o ônibus virou a esquina para subir a rua da Consolação 27 carros de polícia cercaram o prédio. Helicópteros Águia sobrevoavam o topo do Terraço Itália. Da aeronave deram voz de prisão a Babete, Shirley (que permaneciam nuas transando em cima da mesa de frios) e o casal (socialite e executivo) que estavam fazendo sexo oral na mesa. Todos foram acusados de atentado violento ao pudor. O recado deixado pelo operador da Bolsa na mesa dizia havia uma mensagem curta e uma assinatura indecifrável que dizia São Paulo, 12 de fevereiro de 2004, Aos senhores proprietários do restaurante do Terraço Itália Gentileza repensar a postura de suas hostless, principalmente no que se refere a preferências sexuais menos dúbias, além de dar mais transparência ao serviço da casa. Na próxima vez não demorem tanto para me dizer que não há o prato que pedi. Atenciosamente A polícia ainda não tem pistas do operador. A administração da Bolsa de Valores anunciou que nos próximos cinco dias permanecerá fechada e não haverá pregão até que o crime esteja solucionado. Segunda-feira, Fevereiro 09, 2004
My Way Como eu queria Paul Anka Estou perto do fim, da hora que espero sem receio e vou lhe expor assim minhas razões nas quais eu creio vivi de tudo, vi tudo que em toda parte havia e mais, bem mais, o fiz como eu queria sofri, mas se eu for ver, nada demais pra ser lembrado cumpri com todo meu dever, nunca deixei nenhum de lado eu fiz, por onde andei, meu mapa e fui m eu próprio guia, e mais, bem mais, só fui aonde eu queria tentei morder às vezes mais do que talvez eu fosse capaz, mas mastiguei até o fim e então cuspi tudo de ruim jamais cedi, fiquei ali onde eu queria amei, chorei também, ganhei, perdi, cheguei a zero: já foi e hoje, porém, nada parece tão sério fiz mais do que pensei e eis tudo aqui à luz do dia, porque, porque só fiz o que eu queria quem quer se alguém respeita a quem? se não a si, não a ninguém homem é quem sabe o que quer sem se dobrar a outro qualquer morro feliz _penei, mas fiz o que eu queria Domingo, Fevereiro 08, 2004
Herdeiro de Kafka Tô vendo que tá sendo falada muita coisa de Philip Roth por causa do filme Revelações, com a Nicole Kidman e o Anthony Hopkins, baseado em um dos romances de Roth. Eu ainda não assisti o filme ¿ o que farei em breve ¿ mas, se o roteirista não fez cagada, deve até ter ficado bom. Mas não é disso que quero falar. É de Roth. O cara nasceu em Newar, Nova Jersey, em 19 de março de 1933. Até hoje é professor de criação literária e literatura inglesa nas universidades de Nova York e Pensilvânia. Ele alfineta por todos os lados. Tem um humor cortante com tiradas que desabam qualquer moral. Aliás, ele adora destruí-las (a tal da moral gringa). É um autor que tem a manha de dichavar as idéias da sociedade judaica norte-americana e transformá-la em literatura, como já fez diversas vezes. Um dos seus livros conhecidos é O Complexo de Portnoy, lá pela década de 70. O cara mostra no livro como que um sujeito mantém suas fantasias sexuais mesmo estando numa casa retrógrada. Já desconcertou muitos, entre eles Nixon e Bush, para ficar em dois exemplos emblemáticos. Também é o crítico mais ácido que já vi do tal modo de vida dos gringos, seu patriotismo exacerbando, enfim, o sujeito literalmente chuta o balde, numa boa. Ele foi durante uns tempos classificado como expoente do New Journalism, rótulo que o cara nem se ligou, mas também não esquentou a cabeça. Ou seja, ele escreve e não tá nem aí pra classificações. Por ser professor universitário e conviver durante muito tempo com essa galera, conhece muito bem o psique desses punheteiros acadêmicos e dessas putinhas de corredores de departamentos de universidades (expressões usadas por ele, claro). Merece ao menos ser conhecido, já que todos acham que ele é novo só porque agora um de seus Argumentos virou filme com a ex do Cruise. Sexta-feira, Fevereiro 06, 2004
Ficção científica com humor Muito do que se vê nas telas, livros e outros produtos que abastecem o bendito mercado de massa a respeito de ficção científica são dramas. Personagens cheios de nomes estranhos, heróis carregados de moralismo, querem salvar a humanidade, lideram boas e grandes equipes, enfim, aquela merda toda que a gente tá acostumado a ver por aí. Acontece que um autor maluco chutou o balde faz tempo. Douglas Adams não é novo. Muita gente só o conhece por causa de seu trabalho como roteirista dos humorístico inglês Monthy Pytton ou por conta de filmes como A Vida de Brian e O Sentido da Vida. Você não gosta de humor inglês? Bem, foda-se. Se o humor for bom, pode ser turco, alemão, chinês, Argentino, não tô nem aí. Autor de O Mochileiro das Galáxias, O Restaurante do Fim do Universo e Vida, Universo e Sabe Lá o Que Mais o cara simplesmente brinca com a escrita, fluindo personagens, situações que fariam Philip K. Dick ruborizar de ódio ou mesmo colocaria a Enterprise em parafuso rumo ao infinito. Adams tá cagando para o psicológico de seus personagens, o humanismo dos mesmos ou se eles tem ou não um destino, missão que seja. Aliás, quanto mais zuado, melhor ainda pra ele. Então, é por aí. Essa é a melhor descrição de uma casa que eu já vi em toda minha vida (que, digamos, não é muito nova). A casa ficava numa pequena colina bem nos limites de uma vila, isolada. Dela se tinha uma ampla vista das fazendas do oeste da Inglaterra. Não era, de modo algum, uma casa excepcional _tinha cerca de 30 anos, era achatada, quadrada, feita de tijolos, com quatro janelas na frente, cujo tamanho e proporções pareciam ter sido calculados com exatidão para desagradar a vista.. Saca? Esse é o primeiro parágrafo de O Mochileiro das Galáxias. Nesse livro ele conta a história de Arthur Dent e Ford Prefect. A história parte da demolição da casa de Arthur e a destruição total da terra pelos vogons. Arthur e Ford então pegam uma carona numa nave de Zaphod e saem viajando pelo espaço. Na companhia deles Trillian e Marvim dois E.T.s malucos de pedra. Todos serão guiados pela bíblia de suas viagens, o tal do Guia da Galáxia para Caronas. O tal do guia trará todas as respostas para as situações mais escabrosas já contadas na literatura de ficção. Os exemplares que eu tenho são do final da década de 80. Saiu pela Brasiliense. Se rodar legal dá pra descolar em algum sebo de Sampa, eu acho. Motivo pelo qual eu estou dando a dica desses livros? É o seguinte: toda vez que tô lendo coisa muito cabeça aperto a boa e velha teclinha do foda-se, deixo o livro de lado (não adianta, eu ainda não consigo entender mesmo Montaigne, então eu encosto o livro difícil num canto, vou até a prateleira e pego uma coisa dessas para, ao menos, dar umas boas risadas). Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004
Livro dos Pesadelos Pré-do-pré-prefácio Sonhei com grandes morangos, vermelhos, maduríssimos. Esqueléticas vestidas como imperatrizes (poderiam bem ser meretrizes, gueixas) passeavem em meio a eles. Devorei-os, devorei-as. Fui pra Taboão, Campo Limpo, Paraisópolis. Ficou meio difícil passar. Acho que errei o caminho pois só via águas, águas, águas. Alguém deve ter aumentado o nível do Pirajussara. Ou convocaram de vez a consciência burguesa e implodiram os barracos. É uma hipótese. Lá eles não estavam. Senti uma vontade filha da puta em ir nada nas piscinas do Tricolor. Acho que vai ficar pra outra. Não achei. Só vi lama. Lugar ideal para outra agremiação, a dos porcos. Se bem que ver os pós-de-arroz inundados em lama não é assim tão ruim. Vou mudar de caminho. Quem sabe passar na Augusta. Nunca vi as profissionais do sexo tão bem vestidas em plena luz do dia. Elas iam e voltavam da loja de um estilista famoso aí. Saí de lá. Decidi pegar metrô. Me disseram que a entrada do meu shopping predileto estava interditada. O tal do teto da estação caiu. Quem derrubou hein? Novo dia, sol, calor, nuvens, chuva, Aricanduva transbordando, mãe e criança em cima do muro. E não é porque não se decidiam por algo, assim como os visitantes eternos de Brasília. Não tinham onde se agarrar. Ficavam se equilibrando, lá do alto veio ajuda. Conseguiram sair. Acordei. Terça-feira, Fevereiro 03, 2004
Vampiro Acho perfeitamente normal perder o sono, ficar incomodado em permanecer deitado, olhar para relógio, levantar, ir tomar água, banheiro..... O problema é quando se liga a TV. Simplesmente sacal ver esse monte de boçais dançando num cromaqui onde são projetadas imagens de clipes na Emetevê. E as aulas da TV Cultura? Agora entendo o que se passa na cabeça de vestibulandos, coitados. Até onde eu contei o Hermano Henning apareceu pelo menos seis vezes com as mesmas notícias. O indefectível Tolerância Zero, a gripe do frango, os 20 mangos que estão cobrando para entrar nas partidas de futebol, e por ai o SBT vai com seu jornalzinho televisivo meia boca. Graças a Deus a Record fica fora do ar durante um tempo, senão teria de agüentar os malditos programas evangélicos da madrugada. Tortura pura. Me salve São Controle!!! Os filminhos repetidos durante 110 vezes só neste ano nas madrugadas da Globo deveriam virar caso de Procon, no mínimo. Uma sacanagem sem tamanho. Tento ir para Band, Rede TV, Gazeta, 21....e nada..... É nessas horas que morro de inveja de quem tem TV a cabo. Tipo, pelo menos rolaria umas partidas da NBA, futebol americano, campeonato de boliche, Cirque du Soléil, filme pornô, enfim, essas coisas descentes que tornariam menos sofrível uma madrugadona em claro. Imprensa marrom beliscão Eu, garoto do interior, sonhava em fazer qualquer coisa, só não sabia o que. Tipo, só pra não deixar de estudar, essas coisas. Nunca fui de ter sonhos. Aliás, esse é meu grande problema ou solução, sei lá. Tô me fudendo pra isso. Acho até que bacana essa galera que fala coisas do tipo de fazer facul, mestrado, doutorado no exterior, ou de subir de cargo numa empresa. A minha parte eu quero em livros, CDs, cerveja, mulheres, baladas, não necessariamente nesta mesma ordem, claro. Então, é mais ou menos assim que sempre fui e vou levando. A decisão para fazer jornalismo foi tão pífia quanto a facul que fiz. Tipo, estava numa das piscinas do Sesc numa tarde de sol filha da puta (Rio Preto é uma das cidades mais quentes do Estado), olhei para a placa a minha frente e vi que teria o curso de jornalismo. Era domingo. Na segundona fui lá e me inscrevi. Passei no vestibular, comecei a estudar e logo no segundo ano descolei um estágio na área. Caso raro uma vez que estágio à época era coisa proibida pelo Sindicato. Lá fui. Depois descolei um trampo num jornal de lá (de tanto encher o saco do editor da área de cultura, que era meu professor na faculdade). A forma como eu passei no processo seletivo que tinha 170 neguinhos para uma vaga é uma história longa, longa, longa.... Entrei no jornal. Até que trabalhei de forma séria, fazendo matérias, procurando melhorar, enfim....Essas coisas de foca empenhado. Em pouco tempo percebi que meus ídolos iam caindo por terra. Eram tão normais quanto eu e faziam as mesmíssimas coisas, da mesma forma. E por aí foi. Agência de notícias, passagem de um ano no maior jornal deste país, períodos de desemprego intercalados regados a insubordinações constantes, até chegar onde estou, num jornal de sexta, com uma qualidade editorial no mínimo duvidosa. É o primo pobre do grande jornal. Ontem uma amiga minha, a Carol, me ligou dando os parabéns. Disse a ela que isso nem mereceria um parabéns, haja vista a porcaria que é. E olha que ela se dispôs a se despir no meio da redação em pleno horário de fechamento, gritar a plenos pulmões para os caras me contratarem. Ainda bem que isso não foi preciso. O cara que chamou antes para cobrir uma semaninha só e a Carol foi poupada, ainda bem. Eu é que não ia permitir que uma de minhas maninhas pagasse um mico homérico, né? Se bem que se fosse na Augusta....É, uma idéia....hehehe. Então, o tal jornal. Nunca vi tanta desordem, falta de pulso em decisões (em jornal meu velho, um minuto é uma vida e determina se tua matéria entra bem na edição ou não), falta de critérios editoriais (não que os sujeitos que estão lá não os tenha, por algum motivo não colocam em prática, só). Uma verdadeira pena. Quando se está fora, você olha com deslumbramento. No momento em que está dentro, lamenta a baixíssima qualidade da produção (apuração, confecção dos textos, edição, escolha das fotos) e o resultado. Enquanto não me pedirem vou só assinando as iniciais. Tomara que isso seja um problema localizado. Outras editorias são bem mais definidas e o conteúdo nitidamente diferente. Ou seja, em se tratando de ídolos, ao menos um deles já caiu. Tomara que eu não me decepcione com os demais. Domingo, Fevereiro 01, 2004
Pastel de feira Religiosamente domingão é dia de pastel de feira. Desde pivete curto essa parada. Acordo cedo apesar das ressacas dominicais, tomo banho, boto bermuda, chinelão e uma camiseta, óculos de sol (odeio claridade logo cedão) e desço três quarteirões até a feira da Santa Cecília. Sento naquele banquinho de plástico de preferência numa sombra, a tiazinha, uma morenona gorda, acho que deve ser baiana, com um lenço na cabeça, abre o sorriso mais espontâneo e sincero que conheço e já vai logo falando o melhor bom dia que já vi por essas vizinhanças. Pergunta qual pastel eu queiro e oferece o caldo. Gosto de ir cedão porque o óleo ainda tá limpo. Vejo a outra tiazinha pegar o pastel que pedi debaixo de um pano que cobre-os, bota o mesmo no tacho e fico só olhando. De uma hora pra outra o pastel passa de branco para um marrom específico de fritura. Ela tira do óleo, coloca para dar uma esfriadinha enquanto a outra fica meio numas de oferecer pros outros que passam. Olha pra trás, pega papéis, embala-o e me entrega. - Cuidado que tá quente! (eu adoro vê-la repetir isso pra todo mundo). Pego o pastel na mão, curto ver a fumaça saindo dele quando lasco a ponta. A primeira mordida, na parte onde só tem massa frita, vai na seca. Nas outras eu vou fazendo a merda de sempre: tucho de maionese, cat-chup, mostarda e o que mais eu achar na frente. Acabo de comer e dar o último gole no caldo, pago, me levanto e a tiazinha quase que numa simpatia protocolar me deseja um bom domingo. |