Metralhadora Giratória

Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. O prazer de desagradar. Questão de afinidade. claytonfreitas@yahoo.com.br

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Domingo, Fevereiro 29, 2004

Sartriniando

Ontem à noite fui assistir O Diabo e o Bom Deus,
no Sesc Anchieta. Uma preza do Robson, brother de lá.
Curto Sartre desde os 17 anos. A primeira coisa
que caiu na mão foi a peça A Prostitura Respeitosa,
uma puta de uma crítica social aos gringos e afins.
Depois disso li e comprei algumas coisas do cara, na minha
pífia e rasteira opinião o melhor e o maior filósofo que já passou
por aqui. Existencialista até o último fio de cabelo (aliás ele não
tinha muitos).
Uma das melhores coisas que já ouvi na vida foram frases do tipo
O Inferno são os outros e matar o que se ama,
o homem está condenado à liberdade entre outras pérolas do sujeito.
Então, O Diabo e o Bom Deus é o texto que Glauber
se inspirou para o filme dele.
O texto é do caralho. Muito bom mesmo. Fala de um sujeito que fará de tudo
para saciar seus fetiches de grandeza (semelhança com Hitler pouca é bobagem).
Trata-se de um general que desafia tudo e todos (até Deus) para conquistar o que
quer, até descobrir sua liberdade. Passeia pelo bom e pelo mal com a
mesma desenvoltura em nome de seus anseios.
No caso ele quer conquistar uma cidade chamada Worms, na Alemanha, e,
para isso, fará tudo que estiver ao seu alcance, até matar o próprio irmão.
São oito atores em cena. Luz simplesmente perfeita. Uma coisa chama a
atenção: a escultura de um cristo de Emanoel Araújo, um artista plástico
de responsa, cultuado no meio.
Alguns atores se destacam de forma muito boa. Almir Martins, no
papel de Getz (o tal do general) manda muito bem. A maioria do tempo ele
contracena com José de Brito (que faz o papel de Nasty, um
padeiro que é o mentor da resistência da cidade) e Maíra de Andrade
(que dobra papel como Catarina; uma prosti que sacia os desejos de Goetz,
e Hilda, uma das habitantes ricas da cidade tida como simpática e querida
pelos camponeses).
Os demais nem vale a pena serem citados. Almir e José mandam bem.
Maíra em uma interpretação muito boa, só que a voz....
Simplesmente a garota deveria ter um princípio de lábio-luporino.
Saca aquela doença em que o lábio racha no meio e dificulta a fala, e,
quando a pessoa fala alguma palavra, sai meio que assoviada.
Então, aguentei durante uma hora e meia de espetáculo o tal do assovio
na fala da garota. Nada contra a interpretação dela, só que em vários
momentos eu não ouvi absolutametne nada, apesar de estar na oitava
fileira, relativamente próximo ao palco.
Algo que me chamou muita atenção pelo aspecto negativo foi
a solução cênica encontrada pela direção para encontrar
locais para os atores encenarem. Optou-se por colocar
planos em andaimes e, lá de cima, os atores contracenavam,
se integravam os objetos cênicos. O grande problema é
a enorme quantidade de entrada e saídas daqueles trambolhos.
Que eles ficaram bacana tudo bem. O problema é que não é
nem um pouco funcional, principalmente para os atores
secundários que só apareciam nesses momentos.
Um detalhe que pra mim estragou a cena.
Algumas gorduras são muito evidentes. Uma delas é a
construção cênica minimalista de Worms. Um ator
chega com uma bacia com pequenos objetos cênicos
simulando a construção de uma cidade, só para Goetz
contemplar o que iria conquistar. O problema é que a cena
da construção roubou tanto o intuito principal que soa
desconexo e exagerado deixar um ator sob música,
com movimentos coreografados colocando e tirando logo
em seguida objetos cênicos debaixo de um foco.
Do mais, fiquei extremamente decepcionado com o que vi
em cena. Havia curtido pra caramba a notícia de que alguém
montou o texto, ainda mais com as dificuldades naturais dele,
um autor crítico, difícil e nenhum pouco comercial. Mas, se
fosse para fazer o que fizeram em cena, acho melhor nem
ter montado o espetáculo.

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Depois da peça fui no buteco do Satyros, onde ia rolar uma peça.
Era a festa de estréia do novo site
dos caras.
Encontrei a galera do Cemitério. Bati um papo bacana com o Bortolotto a respeito
do que penso sobre o prêmio gasolina de teatro e as escolhas
dos caras e suas indicações. Mais uma vez aprendi um pouco
mais com gente experiente e que sabe o que fala. Não sei se
minha opinião mudou a respeito. Mas, ao menos, tive um
outro lado mais consistente, de quem tá no palco,
trabalhando há uma porrada de tempo. Bacana.

Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004

Nelson Rodrigues


A companhia de um paulista é a pior forma de solidão

O homem começa a morrer na sua primeira experiência sexual

Só os profetas enxergam o óbvio

Deus prefere os suicidas

A morte é anterior a si mesma

Toda unanimidade é burra

Todo desejo é vil

A cama é um móvel metafísico

Até 1919, a mulher que ia ao
ginecologista sentia-se, ela própria, uma adúltera

O brasileiro chamado de doutor
treme em cima dos sapatos. Seja
ele rei ou arquiteto, pau-de-arara,
comerciário ou ministro, fica de
lábio trêmulo e olho rútilo

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Nelson apimentado...

Sou um reacionário. Reacionário
é aquele que quer liberdade, quer
o pão e se recusa a admitir que o
Estado tome conta dos seus filhos,
faça eles de palhaços. (Ao JB em 09/07/77)

Eu me nego a acreditar que um político,
o mais doce político, tenha senso moral.
O que me dá um certo inconformismo é
a discriminação que se faz: Franco é
um canalha mas Stalin não é um canalha.
A ONU não considera Stalin um canalha.
Para ela, o fato de existirem intelectuais
internados em hospícios não é um ato
atentatório aos direitos humanos.
(Ao JB em 09/07/77)

Durante 20 anos, durante toda a década
de 40 e toda a década de 50, fui um
homem absolutamente só. Combatido,
me chamaram de tarado, de cérebro
doentio. Poucas pessoas, algumas
excessões como Gilberto Freyre, José
Lins do Rego e Manuel Bandeira, me
estimulavam. Mesmo o Manuel Bandeira
chegou pra mim um dia, quando eu e
meus personagens éramos odiados, e
disse: ' Nelson, por que você não faz
uma peça em que os personagens
sejam assim como todo mundo? Eu
respondi da forma mais singela: Mas
meu caro Bandeira, meus personagens
são como todo mundo. Porque uma
coisa é verdade: quem metia ou mete
o pau no meu teatro está procedendo
como um Narciso às avessas, cuspindo
na própria imagem. (Ao JB em 14/04/80)

Um colega da Última Hora me perguntou:
quais seriam as suas últimas palavras?
Para um sujeito com quarenta e um graus
de febre, esta piada é de uma crueldade mortal.
Eu disse a ele: Minhas últimas palavras
são as seguintes, que boa besta é o Marx!.
Eis um momento em que o sujeito não
faz pose, porque, na hora de morrer,
cada um fica atribuladíssimo com a
própria morte. Sem fazer a menor
pose - e achando que ia morrer - eu disse,
então, aquelas que seriam minhas
últimas palavras: Marx é uma besta!.
(Em entrevista a Otto Lara Rezende,
em 1977, e publicado pelo JB em 26/02/89).

Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004

Again
Confesso, meu cérebro foi execrado.
Tive de ficar confinado a cobertura de
Carnaval e coisas correlatas.
Uma verdadeira porcaria.
Tô sentindo uma vergonha tremenda.
Vou ficar um bom tempo sem aparecer
em público me lastimando profundamente
pela postura prostituta que tô tomando.
Às vezes eu me impressiono seriamente
com certas coisas que faço em detrimento
de dinheiro ou em nome de pagar aluguel.
Mas, ultimamente, tenho me decepcionado
muito com certas pessoas que se dizem
nem aí para o sistema e acabam
até aparecendo em alguns lugares execráveis.
Ou seja, no fundo, no fundo, tudo é bravata.
Fala que faz o que gosta e tudo o mais e,
quando pinta a grana, tá em qualquer lugar.
Quando o assunto é grana, neguinho, foi-se.
Pelo menos assim me sinto um pouco menos
culpado, se bem que, há anos, aprendi que
nessa vida tudo é feito sozinho e que só
dependo de uma pessoa para me dar bem ou
me dar mal, ou seja, eu mesmo.
Vejam só. Eu, odioso mor do Carnaval e tudo
que se refira ao mesmo, tive de ir, em menos
de três dias, ao Sambõdromo e duas (sim, duas
quadras de escola de samba). Só não vomitei
para não causar constrangimento (e também
pelo fato de que muitos bateristas de escolas
de samba iriam me enquadrar legal).
Do mais, antes de ser puto da avenida em
troca de uma grana, já havia feito trampo de
ghost writer (saca o que é isso?).
É escrever livro para os outros como se os
cuzões o tivessem escrito.
Não pára por ai não. Quando pivete, enchia
saquinho de areia para uma floricultura aí.
Eu tinha nove anos mané.
Depois fui ser marcineiro, segurança de loja,
servente de pedreiro, ouvires (manja, fazer anel,
brinco, corrente e outras merdas do gênero),
trampei num escritório de uma imobiliária,
auxiliar de serviços gerais (tipo escriturário)
num dos maiores hospitais públicos do interior, e,
para piorar, no setor de emergência.
Via tudo quanto é nego estourado.
Uma vez fui correndo atrás de um cara que
tinha acabado de chegar, ele tava sangrando todo,
troquei uma conversqa com o sujeito para saber
como ele havia se arrebentado, seus documentos,
telefone da família para avisar, etc.
Lembrei de tudo, só esqueci do RG (veja só).
Voltei e o quê eu encontro? Um pano branco, a
enfermeira do lado e ai eu pergunto fatidicamente:
- É o cara?
Ela, ironicamente, diz.
- O próprio, foi-se.
Simplesmente falei:
- Beleza.
Então, depois disso fui ser estagiário em jornalismo
numa prefeitura aí. Fiquei dois anos.
Fui contratado para um jornal bacaninha mas
muito provinciano. O tempo se passou, levei o pé na
bunda (tava pedindo, claro), fui ser repórter de internet,
fiz assessoria de imprensa e produção num festival
de rock aí, produzi um jornal para um evento gigante
de dança e depois entrei para a Falha de São Paulo, ops
Folha de São Paulo como frela fixo (ou seja, tú não tem
vínculo com a empresa nos direitos trabalhistas, só
no trampo que tem de exercer ao longo do dia).
O tempo passou, exerci um cargo muito garboso na USP,
fui especialista de eventos, consegui minha DRT de diretor
de produção (vejam só), tinha um salário muito bom mas
o sonho acabou. Agora tô aqui, às 20h15 da noite, numa
redação minimamente duvidosa produzindo algo
estupidamente duvidoso.
E, o pior de tudo, cobrindo Carnaval.
Tô no lixo, me sentindo a pior bosta já produzida por algo.
Talvez melhore. Nâo sei.

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004

Da série jornalismo fake

DesastrePassarela e arquibancadas viraram pó
DESABAMENTO DE SAMBÓDROMO MATA 52 MIL

O Sambódromo do Anhembi (SP) desabou agora há pouco
matando 52 mil pessoas que estavam no local.
O desastre aconteceu às 7h20 da madrugada deste domingo
(dia 22 de fevereiro), durante a apresentação da última escola
do grupo especial a entrar na avenida, a Nenê da Vila Matilde.
No momento que os integrantes da última ala teriam saído da
concentração para entrar na pista a estrutura começou a ceder.
A primeira estrutura a ruir foi a arquibancada monumental,
seguida pelos setores 5, 6, 7, 9, 2 e 1 (ordem do desabamento).
As hastes dos holofotes desabaram em cima das arquibancadas.
O desmoronamento fez com que a pista do sambódromo partisse
em duas abrindo uma espécie de vala de 37 metros de profundidade.
Toda a estrutura do sambódromo foi tragada pela força do
desmoronamento. A pista direita da marginal Tietê e da avenida
Olavo Fontoura também cederam destruindo 3.297 veículos que
estavam parados nas laterais direita e esquerda do complexo.
Metade dos 970 quartos do hotel que fica ao lado do Anhembi
vieram ao chão. Os escombros fizeram aumentar o volume do
rio Tietê, aumentando em 28 metros a sua margem, invadindo 38
bairros da zona norte num total de 1,2 milhões de casas.
Integrantes das 8 escolas do grupo de acesso e das 16 escolas
do grupo especial, além de diretores da Liga, 987 ilustres entre
atores da Globo, jogadores de futebol, políticos e músicos
também morreram. Outras 36 mil pessoas que superlotavam
as arquibancadas foram tragadas pelo desabamento.
Entre os ilustres que estavam na pista morreram a prefeita
Marta Suplicy, seu marido, Luís Favre, Horácio Lafer Piva
(presidente da Fiesp, Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo), o presidente da Bovespa (Bolsa de Valores
do Estado de São Paulo), BMF (Bolsa Mercantil e de Futuros),
presidente da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos),
presidente do BC e das instituições Itaú, Unibanco, Bradesco,
Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, o empresário
e apresentador de TV Sílvio Santos e o bispo Edir Macedo.
O empresário e o bispo, além de Dom Paulo Evaristo Arns
estariam desfilando secretamente como destaques na Gaviões
da Fiel (Macedo), Camisa Verde e Branco (Arns) e Vai-Vai
(Silvio Santos), de acordo com informações de foliões.
Eles estariam vestindo fantasias femininas em carros
alegóricos. A assessoria de imprensa das escolas não
divulgaram nem iriam divulgar a presença deles.
A medida é adotada para preservar a imagem dos envolvidos
e é muito comum em países como EUA e França, de acordo
com Manoel Chaparro, doutor em comunicação pela USP.
Na verdade eles [os envolvidos] não queriam assumir
sua boiolagem para o público diretamente. Assim compram
fantasias escondido das famílias, não informam assessores
e caem na folia protegidos pela corporação
, afirma Chaparro.
A ONU (Organização das Nações Unidas) determinou há
pouco a constituição de uma força-tarefa para auxiliar nas
buscas dos desaparecidos e auxílio às famílias dos mortos.
Luís Inácio Lula da Silva não foi encontrado. Ele estaria
em uma praia nas Ilhas Galápalas e não foi encontrado pela
assessoria para falar a respeito. O ministro José Dirceu, da
Casa Civil, foi informado há pouco do desastre e embarcará
daqui a instantes de Brasília com destino a São Paulo.
A medida foi criticada pela bancada do PSDB. Ele quer se
mostrar. É um exibido
, afirmou Artur Virgílio, líder tucano
no Senado. Ele afirmou que irá propor a abertura de uma CPI
para avaliar a necessidade da ida de Dirceu até São Paulo.
Em entrevista coletiva na Casa Branca há pouco, o presidente
dos EUA, George W. Busch, afirmou que a FBI e CIA tiveram
informações de que um atentado terrorista poderia acontecer
no período, na América do Sul. Em seu discurso, Busch cometeu
uma gafe. Disse lamentar a morte dos brasileiros do samba que
morreram em Buenos Aires durante a festa do Mona.
Busch se reunirá com seu conselheiro de guerra. Tropas estariam
migrando da costa leste em direção a China. Informações dão
conta que haverá um remanejamento das equipes que estão em
Israel, participando do pós-guerra. A contenda entre EUA e China
é inevitável. Vamos botar para quebrar, ops, para destruir tudo.
Tentaremos reaver todos os tênis clonados da Nike e Reebok
,
disse Busch para um repórter da CNN, quando perguntado
da constante atitude de orientais em falsificar produtos.
Até agora as 397 equipes de Corpo de Bombeiros resgataram
cerca de 23 mil corpos dos escombros. As equipes não são
suficientes para resgatar todos os desabrigados pelos
alagamentos. Nenhuma autoridade soube informar quantas
pessoas morreram devido à invasão das águas.
Outros 17 mil policiais que estavam na tradicional festa
da coxinha patrocinada pela Secretaria da Segurança Pública
na zona leste, foram requisitados para trabalhar.
Alguns afirmaram-se indignados. Positivo. Isso é um complô
da corporação contra a categoria. O nosso campeonato anual
de maior comedor de coxinhas iria distribuir um milhão de
reais em prêmios graciosamente cedidos por empresários da
região
, afirmou um diretor do sindicato dos policiais militares
que não quis se identificar para não sofrer represálias.
Helicópteros das policias civil, militar, federal e de particulares
fazem uma barreira aérea não permitindo que emissoras de TV
captem imagens para exibir em seus programas.
A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) expediu uma nota
repudiando a atitude. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais
do Estado de São Paulo pretende realizar uma grande manifestação
na praça da Sé contra o que chamou de censura, segundo o
presidente da entidade, Fred Guidini. Estamos numa sociedade
onde o livre acesso da informação se faz necessário
, disse.
Ele afirmou que a manifestação será feita após o término do
resgate das vítimas do desastre.
A repórter Eleonora Pascoal, da Rede Record, entrou em depressão
e está internada em estado grave no departamento de psiquiatria
do Hospital das Clínicas da USP. Um câmara do Águia Dourada
(helicóptero da emissora) que trabalhava com a repórter teria ouvido
o último suspiro antes dela desmaiar. Ela gritou, bateu no teto do
helicóptero, tentou pular mas se atrapalhou com o fio do fone de
ouvido e desmaiou. Quando acordou só dizia que queria voltar
a trabalhar como balconista de loja de frios no Mercadão
, disse
o cinegrafista da emissora.
Causa
A superlotação de foliões na avenida, a umidade dos últimos
dias ocasionada pelas chuvas e o alto volume das escolas de
samba teriam abalado as estruturas de cimento do complexo
e seriam os responsáveis pelo desmoronamento, segundo
engenheiros das defesas civis Municipal e Estadual.
A denúncia é de que a Liga das Escolas de Samba de São
Paulo teria permitido a entrada de dez mil pessoas além
da capacidade do sambódromo (26.529, segundo a organização).
Outra informação dá conta de que diretores do Anhembi teriam
se sentido indignados com o fato de não terem sido contemplados
pela isenção do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).
A Prefeitura havia anunciado que imóveis alagados pelas fortes
chuvas de fevereiro seriam isentos do imposto. Quando foi até a
subprefeitura conferir se o Anhembi seria isento ou não, o
presidente da entidade teria se indignado.
Ele teria então jogado água quente e fria (alternadamente)
nas estruturas dos pilares do complexo.
Em entrevista ao Cidade Alerta, um homem identificado como
Nostravamus disse que a estrutura já estava condenada. A culpa
seria dos próprios foliões que fazem xixi em plena avenida.
A urina teria, ao longo dos anos, entrado na estrutura e formado
uma espécie de lamaçal embaixo da pista.
A informação provocou uma corrida de parentes as lojas do Pão
de Açúcar instaladas na Grande São Paulo em busca de materiais
de limpeza para lavar os corpos.
O Boletim de Ocorrência foi registrado no 238º DP. O delegado
titular teria saído para tomar um café e não retornado até o
fechamento desta edição. Ele iria decidir se iria abrir ou não
inquérito para apurar o caso. Segundo um dos investigadores,
o delegado titular seria um ex-integrante de grupos punk.
Ele foi é num churrasco de carne de soja com um grupo punk
que está comemorando desde a hora que o Sambódromo caiu
,
afirmou uma copeira da delegacia.

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004

Deslocado intencionalmente

Desconheço terminantemente qual é o sujeitou ou a
sujeita expulso (a) do Big Brother
Não me importo nem um pouco em saber a quantas
andam os personagens de Chocolate com Pimenta,
Celebridade e afins
Até agora não sei e nem vou saber qual é o novo hit
do momento ou sequer a lista das 10 ou 20 mais em
emissoras de rádio ou TV
Gosto de internet e a uso diariamente. No entanto isso
não me faz sabedor do novo site, portal ou blog indicado
nas revistas de informática ou seções especializadas de
jornais
Passei pela banca mas nem me lixei para as capas de
Caras, Contigo, Quem Acontece e assemelhados
só anteontem minha sobrinha de quatro anos me
explicou quem era um tal de Felipe Dilon. Ela se irritou
com o fato de seu tio não saber quem é o sujeito
e nem cantarolar a música chiclete do garoto
Me dá alegria ao saber que minha TV está desligada no
momento do Vídeo Show, Falando Francamente,
Melhor da Tarde e seus pares
Alguma sessão cultural de um jornal por aí soltou
a nova sensação do mercado literário devidamente
abençoada por Paulo Coelho. Sorte minha que cortaram
a entrega por falta de pagamento
Minha mãe quis saber se um tal de Carlinhos era ou não
filho de não-sei-quem. E eu achando que Carlinhos era
nome somente de um amigo de décadas
Fiquei impressionado com uma amiga me sentir estupefata
com o fato deste inconveniente blogueiro desconhecer
que uma global puta qualquer largou do globalzinho
marombeiro veadinho para ficar com um vocalista de uma
banda de merda que se assemelha muito com rapaz, ou a
alcunha deste na gíria
Não fui e nem tão cedo irei no novo barzinho do momento na
Vila Madá (tem gente que adora esse nome)
Definitivamente não me interesso nem um pouco pelos
samba-enredo deste batalhão de asseclas felizes por sei lá o quê
É por essas e outras que me pergunto o que estou fazendo
aqui e por que ainda permaneço

Terça-feira, Fevereiro 17, 2004

De volta à pizzaria

Tentei escapar mas sinceramente não deu.
Tô voltando pra pizzaria, de onde saí há
um ano e meio na esperança de nunca mais
voltar.
Queria retomar algo que havia interrompido
há dez anos, o teatro.
Até que consegui. Aliás, modéstia às favas, bem.
Me deram uma tal de DRT e me senti diretor
de produção, fazendo assessoria de imprensa para
montagens, enfim, trabalhando com e para a classe.
Só que as coisas não acontecem da forma como
a gente quer e pensa.
São impostas pela necessidade de pagar o aluguel,
vestir, comer, beber, enfim, essas besteirazinhas da
existência humana que fazem do vil metal o essencial.
É claro que gosto de ser repórter. Só que me sinto
enojado toda vez que me chamam de jornalista.
Se você for considerar que até a Tiazinha e Feiticeira
dão uma de jornalista, tenho motivo de sobra para
rasgar o meu diploma, jogar minha MTB em qualquer
latão de lixo da Amaral Gurgel e nunca mais pisar
numa redação de jornal enquanto existir...
Só que tenho de voltar pela imperiosa necessidade.
Acho que o teatro nunca me quis mesmo. Um cara que
considero pra caralho nunca se referiu a minha pessoa
como um produtor (ele me conheceu quando eu o era e
exercia a atividade). Insiste em dizer que sou jornalista
malaco. Ainda bem que tem o malaco no final, senão,
tava fudido.
Talvez eu não leve jeito mesmo para ser produtor ou
assessor de imprensa, sei lá. Mas eu não vou desistir
não, só vou dar um tempo, de repente descolar grana
para pagar uns cursos aí, poder me envolver em produções
sem ter a obrigação de ganhar dinheiro, enfim....filantropia
comum no meio.
Pois bem, a partir de amanhã vou continuar a ser o que
sou há tempos: arrogante, crítico, irônico, soberbo,
desprezível, inconveniente, instigador, inteligente (claro),
perspicaz, mala pra cacete e ainda por cima com
síndrome indefectível de Super Homem; ou seja,
voltarei a trabalhar numa redação de um jornal na função
de repórter. Será no Agora SP, do Grupo Folha.
O grande problema disso tudo é ter de ver o Fausto.
Será que eu vou ter estômago para isso?
Bem, pensando na quantidade de cerveja e vinho que
vou poder comprar com o salário que ganharei, isso
será o de menos.
Boa sorte pra mim. Azar dos entrevistados que
quiserem me passar pra trás e se fazerem de espertos.
Então, tá.

Segunda-feira, Fevereiro 16, 2004

Jogo de xadrez

Semana passada fui até o Teatro de Arena, onde a
Cia Livre toca um projeto de responsa, bacana mesmo,
o Arena Mostra Novos Dramaturgos.
Se bem que alguns nem tão novos assim como o Newton
Moreno, Toscano, Bonassi, Dionísio Neto e Bortolotto.
E por falar no brucutu fundamental (segundo Mirisola),
no próximo sábado e domingo (21 e 22), serão apresentados
textos do cara. O primeiro é O Método, direção da
conterrânea ilustre Fernanda D´Umbra, às 21h. No sábado,
às 23h ainda rola o indefectível brucutu com Amalfi e trupe
no show do Tempo Instável (meu Deus, será que
vão tocar os odiosos raggae e sambinha???. Tomara que não).
No domingão, enquanto a merda da passarela apresenta as
escolas de samba, os asseclas do Cemita Social Club (me incluo
nisso) estarão conferindo Brutal, com direção do Marião.
Morre em (pelo menos) R$ 0,50, às 19h. Ah, é a tal da campanha
sacadíssima da Cibele Forjaz e sua trupe (fala dialético
Edgar de Castro!!!), chamada Pague Quanto Der.
E óbvio que os mais sensatos vão pagar mais, claro.
Bem, vale pelo vinho chileno no final.
Voltando....
Quinta-feira passada assisti a leitura dramática de um texto
de um futuro patrão. Débora, Márcio Aurélio e cia.
Só que não entendi nada. Só saquei que era teatro do
absurdo, tinha um puta fundo de crítica social, narrativa
desfragmentada, existencialista, questionadora, etc.
Do mais, não consigo mais pensar em nada simplesmente
por não ter subsídios para tanto.
Saca Sócrates. Ele dizia que você não pode amar ou odiar
aquilo que não conhece.
Já no domingão, ontem, voltei no Arena para ver a leitura
do texto de Rubens Rewald chamado Umbigo
com direção de Sérgio Sálvia Coelho, crítico da Falha
de São Paulo, ops, Folha de São Paulo.
Texto dificílimo mas bom.
A história (ou seriam histórias?) traçam relacionamentos
entre pai, filha, garoto, mulher e outros personagens periféricos.
O núcleo central da trama é a discussão entre pai e filha a
respeito da morte misteriosa da mãe. O texto privilegia ao
máximo o ator, diferente de dramaturgos que insistem
em aparecer mais do que os próprios (vide Temporada de Gripe).
Inteiramente rubricado (olha a mão da direção!!!) o texto sugere
vários outros sub-núcleos onde os fatos vão acontecendo.
Todas, é óbvio, ilustrando, dando sustentação para o mote
principal que é o pai e a filha em cena, lembranças de um passado
recente, situações, tabus, conceitos, preconceitos.
As falas entrecortadas, a fragmentação da narrativa
(aliás, linearidade passou longe), traz diversos elementos para
a compreensão do que se dará ao longo do desfecho da peça.
Existem algumas barrigas (odeio essa palavra), que
poderiam tranqüilamente serem cortadas (em minha assecla
opinião óbvio). Acontecendo isso o texto fluiria num ritmo
melhor, mais palatável ao entendimento do público.
Soa didática a sua manutenção.
E por falar em entendimento esse é o grande mote do texto.
Sinceramente em dado momento eu olhei para o lado e me
perguntei sinceramente Qual o motivo de ter vindo?,
O que eu tô assistindo?, entre outras indagações.
Só que o interessantíssimo desenrolar (lá pela quarta parte
do espetáculo) vai se dando em pílulas.
Surpreende de fato. A criação de situações, fantasmas
(ou seriam consciências???), entrecortes, inversões, para trás
e para frente (by David Ball) vão prendendo a atenção.
Impossível não relembrar do que foi assistido. Aliás, a conexão
de tudo que se assistiu; que até então não fazia o menor sentido;
claro, pois o que teria a ver uma mulher com um menino??? vai
se mostrando estrutural.
A única dúvida que sinceramente ainda tenho é em relação
as benditas (malditas para alguns) rubricas. Das duas uma:
ou o diretor (no caso o Sérgio) tira soluções cênicas da cartola,
ou faz como na leitura dramática, recorrendo a uma espécie de
narrador, condutor de cena, o que, sinceramente, não é nada
interessante pois suja a cena.
Muito bom texto. Dificílimo de vê-lo no palco, encenado.
Veremos.
Vale a pena conferir.
Dou o serviço
Hã? Arena Mostra Novos Dramaturgos
Ah, é? Tá, e daí? Apresentação de leituras dramáticas e
jam sessions
Rola quando? De quinta a domingo. De quinta a sábado rola
às 21h, os shows do sabadão vão lá pelas 23h. No domingão é às 19h.

Domingo, Fevereiro 15, 2004

Reflexo

Uma vez tava andando meio que sem rumo,
como sempre
pensava em absolutamente nada
(que me perdoem os budistas)
encontrei alguém que vinha em direção contrária
dentro de mim mesmo
era calmo, cerrou o olhar em minha direção, deu uma tragada
numa garrafa que trazia consigo, abriu a boca ainda
molhada, ai disse mais ou menos assim

-Eu já te disse o que penso.
Aliás eu não entendo bem o motivo pelo qual
tem por tão alta conta aquilo que considero.
É uma visão particular da vida.
O de nada achar sobre ela, saca?
Tenha a sua. É minimamente saudável.
Se realmente tivesse algum sentido não teria
dúvidas ou sequer perguntaria aquilo que já sabe.
Melhor seria que não tivesse falado.
Não teria gastado meu tempo.
Afinal de contas tenho muito o que ler,
escrever em blog, checar mails, ver filmes,
e, se sobrar tempo, descolar alguma forma de
arrumar dinheiro para pagar a próxima.
Se sente ódio ou amor é bom.
Fico indiferente com tal indiferença.
Sou bom em certas coisas.
Essa é uma delas.
É meio que natural.
Penso como seria a vida de um vegetal.
Sem vontades, reações, apenas existindo.
O tempo passa.
Alguns nascem, outros morrem, uns fazem
guerra, outros insistem em pregar a paz.
Outros estudam, alinham carreiras até
que razoavelmente bem sucedidas.
Compram o carro que tanto queriam,
montam seus apartamentos com belos móveis,
a TV de 29 polegadas, detalhes do Tok e Stok.
Se casam, têm filhos, separam-se, voltam a
tentar outro relacionamento, suportam o namorado
da filha, o novo apartamento....
Uma geração inteira passa.
Alguns ficam aí.
Planejam novas coisas com a mesma velocidade
que a indústria fonográfica cria ídolos numa semana,
eleva-os ao patamar de nova moda à ser seguida, e,
no mês seguinte, elegem outro.
Por mais que se faça tudo é vazio.
Se tiver ou não um plano
Se viver de forma vagabunda ou workaholic
Se estudar ou não estudar
Trabalhar ou ficar sem fazer nada
Ter um belo projeto, traçar metas, trabalhar
para alcançá-las
ou só ficar ouvindo a merda dos projetos alheios,
daqueles que só ficam no projeto, ou seja,
nunca se concretizam
enfim,
no fundo, no fundo, vai sentir um vazio como
se não tivesse
feito nada,
ou,
caso tenha feito, trabalhado bastante mesmo,
é como se não tivesse feito absolutamente nada
ninguém vai reparar
então escolhe
faz o que bem entender
só não me enche o saco
vai lamentar na puta que te pariu,
se já sabe o que quer então levanta essa bunda gorda
não te entendo, sinceramente,
não que eu me esforce para entender
aliás esse não é um problema meu, é legitimamente seu
eu não me entendo nem quero me esforçar para tanto
não almejo projetos
penso só no que quero hoje
se sofro ou não com isso
é uma outra história
tô aqui e não pedi pra vir
isso é um saco, te garanto
a única certeza é a total incerteza
não sei o que será amanhã
nem sequer daqui a cinco minutos
esse mundinho é estranho
não fui eu que o fiz
vou colaborando da forma como
me desagradar melhor
aliás, se fosse eu no manche desse bólido
tava muito mais estranho brother.

Quinta-feira, Fevereiro 12, 2004

Da série jornalismo fake

VIOLÊNCIACliente teria se vingado
Terraço Itália, no Centro de SP, é metralhado

Um operador da Bolsa de Valores de São Paulo é o
principal suspeito de ter metralhado toda a vidraça do
restaurante do Terraço Itália, no Centro da capital. Ele
ainda estuprou duas hostless, baleou um segurança,
cortou os cabelos de uma socialite com a faca de cortar
pão e ainda obrigou um executivo que estava almoçando
no local a fazer sexo oral com a socialite.
A polícia ainda não tem pistas do suspeito. Para fugir
o operador usou equipamentos de escalada. Desceu
até o térreo, trocou de roupa e, segundo testemunhas,
entrou em um ônibus que passava pela avenida Ipiranga.
O operador da Bolsa de Valores entrou no prédio pela
portaria. Disse que iria jantar no restaurante panorâmico
do Edifício Itália sozinho.
Os funcionários identificaram o suspeito como sendo
um operador da bolsa de valores devido ao colete que
o mesmo usava, listrado, e também o rádio comunicador
que ele trazia pendurado em sua calça.
Ele trazia consigo uma mochila usada por esportistas
para acampamentos onde pode-se acondicionar
colchão, roupas e equipamentos diversos.
O operador entrou no elevador e subiu até o 41º andar,
onde fica localizado o restaurante panorâmico.
Seguranças afirmam que o operador se mostrou
sorridente, aparentava estar bem e tranqüilo.
Entrou no restaurante orientado por uma hostless.
Pediu uma mesa ao lado da vidraça, no lado
esquerdo do andar, com vista ao prédio do Banespa.
Sentou, fez o pedido (postas de pato ao molho
krubiniê, salada grega gelatinada e uma garrafa
de vinho Brunello, segundo o garçom).
Enquanto o pedido não ficava pronto foi até o
banheiro. Foi neste momento que abordou
uma das hostless que estava na entrada do
restaurante a convidou para que o ajudasse
no banheiro.
Solícita, a moça identificada pela administração
do Terraço Itália simplesmente como Babete
foi com o cliente até o banheiro. Lá ela teria sido
obrigada a tirar a roupa e fazer sexo com o
operador em cima do vaso sanitário do banheiro,
à portas fechadas. Percebendo a demora da
colega de trabalho, outra hostless, identificada
como Shirley, foi até o banheiro ver o que
estava acontecendo.
Segundo relatos de clientes que estavam
no banheiro, Shirley ficou entusiasmada ao
ver a amiga Babete fazendo sexo com o cliente
Teria começado a se masturbar de pronto,
tirou seu salto alto, vestido preto de tubinho
e a calcinha fio dental que vestia. Entrou no
local onde os dois estavam e também participou.
Ainda de acordo com clientes as duas recepcionistas
eram, na verdade, namoradas. Eles deram essa
versão após ver o operador da Bolsa abrir a porta
do banheiro que estava junto com as duas garotas
e convidou outros homens a olhar a transa das duas.
Alguns tentaram transar com Babete e Shirley mas
foram impedidos por elas.
O operador então deixou as duas no banheiro,
vestiu sua roupa e voltou para a mesa onde estava.
Como seu pedido ainda não havia chegado,
perguntou ao garçom o motivo da demora.
Segundo o maitrê da casa o pedido do operador
da Bolsa não poderia ser atendido pois não havia
mais pato, salada ou sequer a marca de vinho
requisitada por ele ao garçom.
Foi neste momento que homem, calmamente,
levantou-se, foi até a mesa ao lado onde uma
socialite comia aspargos ao sugo com seu esposo,
um executivo do mercado da moda.
O operador da bolsa pediu licença à socialite,
pegou a faca de cortar pão e começou a
cortar o cabelo da cliente. O esposo dela
perguntou ao operador o que ele estava fazendo.
O executivo teria pedido gentilmente para o
operador parar de cortar o cabelo da mulher.
Como não foi atendido, ele levantou-se da mesa
e ameaçou o operador da Bolsa que solenemente
desprezava a presença do homem na mesa.
A socialite, falava para as pessoas ao lado
que se tratar de um telegrama legal do Gugu
e que o homem na verdade, era um cabeleleiro
da Soho, dava risadas e procurava onde poderia
haver uma câmara. O operador continuou cortando.
Disse para o executivo abrir o zíper e colocar o
pênis dele na boca da esposa. A socialite
gostou da idéia e abriu a boca. Pegou o pênis
do esposo com as duas mãos, chacoalhou e
coloco-o na boca. Fazia movimentos violentos
com a língua até que o executivo fechou os olhos.
O operador resolveu parar de cortar quando o
cabelo da mulher já havia sido retalhado até
a altura da nuca (o cabelo dela era comprido
e atingia metade das costas), agradeceu a faca,
a colocou no lugar de novo e foi novamente
até a mesa onde estava sentado.
A socialite e o executivo nem deram atenção
e continuaram a fazer sexo oral dentro do restaurante.
O homem então pegou a mochila e de lá tirou
uma AR-15. Colocou vários cartuchos no bolso
e começou a disparar contra os vidros do prédio.
Clientes, funcionários e até seguranças saíram correndo.
Os tiros atingiram todos os vidros do lado esquerdo
do restaurante. Não contente o operador recarregou
a arma e foi até a outra extremidade do andar.
Além de todas as vidraças atirou também contra
uma escultura de gelo de três metros e meio de
altura por dois metros de diâmetro que estava
no centro do salão.
De acordo com a administração do Terraço Itália
a escultura era o principal atrativo de um jantar
de negócios reunindo executivos da Microsoft
que aconteceria no final da noite.
Bombeiros subiram até o restaurante e ficaram
na porta vendo o operador atirar. Tentaram falar
com o ele. O homem os ignorou. Segundo
o chefe da brigada, o operador apenas olhou
para os homens que estavam parados na porta,
deu um sorriso, balançou a cabeça e fez
sinal de positivo para todos que o olhavam.
Os únicos que permaneciam no salão eram a
socialite e seu esposo, além do casal de
hostless, Babete e Shirley, que disseram ter
ficado excitadas com os tiros e foram até a
mesa de frios do restaurante (localizada no
meio do andar) e lá, em cima da mesa,
continuaram fazendo sexo sem se incomodar
com a presença dos bombeiros, do atirador e do casal.
O operador voltou calmamente para a mesa onde
estava, colocou a AR-15 em cima de uma cadeira,
pegou um bloco de anotações e começou a escrever.
Deixou o recado em cima da mesa, abriu novamente
a mochila e tirou equipamentos de escalada
(cadeirinha de alpinismo, corda, mosquetões e um boné).
Colocou a mochila nas costas, prendeu a corda em volta
de um balcão, chutou a janela e começou a descer
os mais de 100 metros do Edifício Itália.
Os bombeiros disseram que o atirador agiu rápido
e que sua ação não demorou sequer dois minutos.
Foram até a janela onde o homem estava descendo
mas só conseguiram enxergar quando ele já estava
no térreo. Viram o operador sair correndo, rumo
a uma cabine de telefone. O homem teria trocado
de roupa, abandonado o terno que estava vestido
e os equipamentos de alpinismo na cabine.
Foi até o ponto de ônibus na avenida Ipiranga
e entrou em uma linha que ia em direção ao
bairro de Ibirapuera, na zona sul da cidade.
Assim que o ônibus virou a esquina para subir
a rua da Consolação 27 carros de polícia
cercaram o prédio. Helicópteros Águia
sobrevoavam o topo do Terraço Itália.
Da aeronave deram voz de prisão a Babete,
Shirley (que permaneciam nuas transando
em cima da mesa de frios) e o casal (socialite
e executivo) que estavam fazendo sexo oral
na mesa. Todos foram acusados de atentado
violento ao pudor.
O recado deixado pelo operador da Bolsa na
mesa dizia havia uma mensagem curta e uma assinatura indecifrável que dizia
São Paulo, 12 de fevereiro de 2004,
Aos senhores proprietários do restaurante do Terraço Itália
Gentileza repensar a postura de suas hostless,
principalmente no que se refere a preferências
sexuais menos dúbias, além de dar mais
transparência ao serviço da casa. Na próxima
vez não demorem tanto para me dizer que
não há o prato que pedi.
Atenciosamente

A polícia ainda não tem pistas do operador.
A administração da Bolsa de Valores anunciou
que nos próximos cinco dias permanecerá
fechada e não haverá pregão até que o
crime esteja solucionado.


Segunda-feira, Fevereiro 09, 2004

My Way
Como eu queria
Paul Anka

Estou perto do fim,
da hora que espero sem receio
e vou lhe expor assim
minhas razões nas quais eu creio
vivi de tudo, vi
tudo que em toda parte havia
e mais, bem mais, o fiz
como eu queria

sofri, mas se eu for ver,
nada demais pra ser lembrado
cumpri com todo meu dever,
nunca deixei nenhum de lado
eu fiz, por onde andei,
meu mapa e fui m eu próprio guia,
e mais, bem mais, só fui
aonde eu queria

tentei morder às vezes mais
do que talvez eu fosse capaz,
mas mastiguei até o fim
e então cuspi tudo de ruim
jamais cedi, fiquei ali
onde eu queria

amei, chorei também,
ganhei, perdi, cheguei a zero:
já foi e hoje, porém,
nada parece tão sério
fiz mais do que pensei
e eis tudo aqui à luz do dia,
porque, porque só fiz
o que eu queria

quem quer se alguém respeita a quem?

se não a si, não a ninguém
homem é quem sabe o que quer
sem se dobrar a outro qualquer
morro feliz _penei, mas fiz
o que eu queria

Domingo, Fevereiro 08, 2004

Herdeiro de Kafka

Tô vendo que tá sendo falada muita coisa de
Philip Roth por causa do filme
Revelações, com a Nicole Kidman e o
Anthony Hopkins, baseado em um dos romances
de Roth.
Eu ainda não assisti o filme ¿ o que farei em breve ¿
mas, se o roteirista não fez cagada, deve até ter
ficado bom.
Mas não é disso que quero falar. É de
Roth.
O cara nasceu em Newar, Nova Jersey, em 19 de
março de 1933. Até hoje é professor de criação
literária e literatura inglesa nas universidades de
Nova York e Pensilvânia.
Ele alfineta por todos os lados. Tem um humor
cortante com tiradas que desabam qualquer moral.
Aliás, ele adora destruí-las (a tal da moral gringa).
É um autor que tem a manha de dichavar as idéias
da sociedade judaica norte-americana e transformá-la
em literatura, como já fez diversas vezes.
Um dos seus livros conhecidos é O Complexo de
Portnoy
, lá pela década de 70. O cara mostra no
livro como que um sujeito mantém suas fantasias
sexuais mesmo estando numa casa retrógrada.
Já desconcertou muitos, entre eles Nixon e Bush, para
ficar em dois exemplos emblemáticos. Também é o
crítico mais ácido que já vi do tal modo de vida
dos gringos, seu patriotismo exacerbando, enfim,
o sujeito literalmente chuta o balde, numa boa.
Ele foi durante uns tempos classificado como expoente
do New Journalism, rótulo que o cara nem se ligou,
mas também não esquentou a cabeça. Ou seja, ele
escreve e não tá nem aí pra classificações.
Por ser professor universitário e conviver durante
muito tempo com essa galera, conhece muito bem o
psique desses punheteiros acadêmicos e dessas putinhas
de corredores de departamentos de universidades
(expressões usadas por ele, claro).
Merece ao menos ser conhecido, já que todos acham
que ele é novo só porque agora um de seus
Argumentos virou filme com a ex do Cruise.

Sexta-feira, Fevereiro 06, 2004

Ficção científica com humor

Muito do que se vê nas telas, livros e outros produtos
que abastecem o bendito mercado de massa
a respeito de ficção científica são dramas. Personagens
cheios de nomes estranhos, heróis carregados de
moralismo, querem salvar a humanidade, lideram boas
e grandes equipes, enfim, aquela merda toda que a
gente tá acostumado a ver por aí.
Acontece que um autor maluco chutou o balde
faz tempo. Douglas Adams não é novo.
Muita gente só o conhece por causa de seu trabalho
como roteirista dos humorístico inglês
Monthy Pytton ou por conta de filmes como
A Vida de Brian e O Sentido da Vida.
Você não gosta de humor inglês? Bem, foda-se.
Se o humor for bom, pode ser turco, alemão, chinês,
Argentino, não tô nem aí.
Autor de O Mochileiro das Galáxias,
O Restaurante do Fim do Universo e
Vida, Universo e Sabe Lá o Que Mais o
cara simplesmente brinca com a escrita, fluindo
personagens, situações que fariam Philip K. Dick
ruborizar de ódio ou mesmo colocaria a Enterprise
em parafuso rumo ao infinito.
Adams tá cagando para o psicológico de seus
personagens, o humanismo dos mesmos ou se eles
tem ou não um destino, missão que seja.
Aliás, quanto mais zuado, melhor ainda pra ele.
Então, é por aí. Essa é a melhor descrição de uma
casa que eu já vi em toda minha vida (que, digamos,
não é muito nova).
A casa ficava numa pequena colina bem nos
limites de uma vila, isolada. Dela se tinha uma
ampla vista das fazendas do oeste da Inglaterra.
Não era, de modo algum, uma casa excepcional _tinha
cerca de 30 anos, era achatada, quadrada, feita de
tijolos, com quatro janelas na frente, cujo tamanho
e proporções pareciam ter sido calculados com
exatidão para desagradar a vista.
.
Saca? Esse é o primeiro parágrafo de
O Mochileiro das Galáxias.
Nesse livro ele conta a história de
Arthur Dent e Ford Prefect.
A história parte da demolição da casa de Arthur e a
destruição total da terra pelos vogons. Arthur e Ford
então pegam uma carona numa nave de Zaphod e
saem viajando pelo espaço. Na companhia deles
Trillian e Marvim dois E.T.s malucos de pedra.
Todos serão guiados pela bíblia de suas
viagens, o tal do Guia da Galáxia para Caronas.
O tal do guia trará todas as respostas para as situações
mais escabrosas já contadas na literatura de ficção.
Os exemplares que eu tenho são do final da década de 80.
Saiu pela Brasiliense. Se rodar legal dá pra descolar em
algum sebo de Sampa, eu acho.
Motivo pelo qual eu estou dando a dica desses livros?
É o seguinte: toda vez que tô lendo coisa muito cabeça
aperto a boa e velha teclinha do foda-se, deixo o livro de lado
(não adianta, eu ainda não consigo entender mesmo Montaigne,
então eu encosto o livro difícil num canto, vou até a prateleira
e pego uma coisa dessas para, ao menos, dar umas boas risadas).

Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004

Livro dos Pesadelos
Pré-do-pré-prefácio


Sonhei com grandes morangos, vermelhos,
maduríssimos.
Esqueléticas vestidas como imperatrizes
(poderiam bem ser meretrizes, gueixas)
passeavem em meio a eles.
Devorei-os, devorei-as.
Fui pra Taboão, Campo Limpo, Paraisópolis.
Ficou meio difícil passar. Acho que errei
o caminho pois só via águas, águas, águas.
Alguém deve ter aumentado o nível do
Pirajussara. Ou convocaram de vez a
consciência burguesa e implodiram os barracos.
É uma hipótese. Lá eles não estavam.
Senti uma vontade filha da puta
em ir nada nas piscinas do Tricolor.
Acho que vai ficar pra outra.
Não achei. Só vi lama.
Lugar ideal para outra agremiação, a dos porcos.
Se bem que ver os pós-de-arroz
inundados em lama não é assim tão ruim.
Vou mudar de caminho.
Quem sabe passar na Augusta.
Nunca vi as profissionais do sexo tão bem vestidas
em plena luz do dia. Elas iam e voltavam da loja de
um estilista famoso aí.
Saí de lá. Decidi pegar metrô. Me disseram que
a entrada do meu shopping predileto
estava interditada. O tal do teto da estação
caiu. Quem derrubou hein?
Novo dia, sol, calor, nuvens, chuva, Aricanduva
transbordando, mãe e criança em cima do muro.
E não é porque não se decidiam por algo, assim
como os visitantes eternos de Brasília.
Não tinham onde se agarrar. Ficavam se equilibrando,
lá do alto veio ajuda. Conseguiram sair.
Acordei.

Terça-feira, Fevereiro 03, 2004

Vampiro

Acho perfeitamente normal perder o sono, ficar
incomodado em permanecer deitado, olhar para
relógio, levantar, ir tomar água, banheiro.....
O problema é quando se liga a TV.
Simplesmente sacal ver esse monte de boçais
dançando num cromaqui onde são projetadas
imagens de clipes na Emetevê.
E as aulas da TV Cultura? Agora entendo o
que se passa na cabeça de vestibulandos, coitados.
Até onde eu contei o Hermano Henning apareceu
pelo menos seis vezes com as mesmas notícias. O
indefectível Tolerância Zero, a gripe do
frango, os 20 mangos que estão cobrando para entrar
nas partidas de futebol, e por ai o SBT vai com seu
jornalzinho televisivo meia boca.
Graças a Deus a Record fica fora do ar durante um
tempo, senão teria de agüentar os malditos programas
evangélicos da madrugada. Tortura pura.
Me salve São Controle!!!
Os filminhos repetidos durante 110 vezes só neste ano
nas madrugadas da Globo deveriam virar caso de Procon,
no mínimo. Uma sacanagem sem tamanho.
Tento ir para Band, Rede TV, Gazeta, 21....e nada.....
É nessas horas que morro de inveja de quem tem TV
a cabo. Tipo, pelo menos rolaria umas partidas da NBA,
futebol americano, campeonato de boliche, Cirque du Soléil,
filme pornô, enfim, essas coisas descentes que tornariam
menos sofrível uma madrugadona em claro.


Imprensa marrom beliscão

Eu, garoto do interior, sonhava em fazer qualquer coisa,
só não sabia o que. Tipo, só pra não deixar de estudar,
essas coisas. Nunca fui de ter sonhos. Aliás, esse é meu
grande problema ou solução, sei lá. Tô me fudendo pra isso.
Acho até que bacana essa galera que fala coisas do tipo de
fazer facul, mestrado, doutorado no exterior, ou de subir
de cargo numa empresa.
A minha parte eu quero em livros, CDs, cerveja, mulheres,
baladas, não necessariamente nesta mesma ordem, claro.
Então, é mais ou menos assim que sempre fui e vou levando.
A decisão para fazer jornalismo foi tão pífia quanto a facul
que fiz. Tipo, estava numa das piscinas do Sesc numa
tarde de sol filha da puta (Rio Preto é uma das cidades
mais quentes do Estado), olhei para a placa a minha frente
e vi que teria o curso de jornalismo. Era domingo. Na
segundona fui lá e me inscrevi. Passei no vestibular,
comecei a estudar e logo no segundo ano descolei um
estágio na área. Caso raro uma vez que estágio à época
era coisa proibida pelo Sindicato.
Lá fui.
Depois descolei um trampo num jornal de lá (de tanto
encher o saco do editor da área de cultura, que era meu
professor na faculdade). A forma como eu passei no
processo seletivo que tinha 170 neguinhos para uma vaga
é uma história longa, longa, longa....
Entrei no jornal. Até que trabalhei de forma séria, fazendo
matérias, procurando melhorar, enfim....Essas coisas de foca
empenhado. Em pouco tempo percebi que meus ídolos iam
caindo por terra. Eram tão normais quanto eu e faziam as
mesmíssimas coisas, da mesma forma.
E por aí foi. Agência de notícias, passagem de um ano no
maior jornal deste país, períodos de desemprego intercalados
regados a insubordinações constantes, até chegar onde
estou, num jornal de sexta, com uma qualidade editorial
no mínimo duvidosa. É o primo pobre do grande jornal.
Ontem uma amiga minha, a Carol, me ligou dando os parabéns.
Disse a ela que isso nem mereceria um parabéns, haja vista
a porcaria que é. E olha que ela se dispôs a se despir no meio
da redação em pleno horário de fechamento, gritar a plenos
pulmões para os caras me contratarem. Ainda bem que isso
não foi preciso. O cara que chamou antes para cobrir uma
semaninha só e a Carol foi poupada, ainda bem.
Eu é que não ia permitir que uma de minhas maninhas
pagasse um mico homérico, né?
Se bem que se fosse na Augusta....É, uma idéia....hehehe.
Então, o tal jornal. Nunca vi tanta desordem, falta de pulso
em decisões (em jornal meu velho, um minuto é uma vida
e determina se tua matéria entra bem na edição ou não),
falta de critérios editoriais (não que os sujeitos que estão lá
não os tenha, por algum motivo não colocam em prática, só).
Uma verdadeira pena. Quando se está fora, você olha com
deslumbramento. No momento em que está dentro, lamenta
a baixíssima qualidade da produção (apuração, confecção dos
textos, edição, escolha das fotos) e o resultado.
Enquanto não me pedirem vou só assinando as iniciais.
Tomara que isso seja um problema localizado. Outras editorias
são bem mais definidas e o conteúdo nitidamente diferente.
Ou seja, em se tratando de ídolos, ao menos um deles já caiu.
Tomara que eu não me decepcione com os demais.

Domingo, Fevereiro 01, 2004

Pastel de feira

Religiosamente domingão é dia de pastel de feira.
Desde pivete curto essa parada.
Acordo cedo apesar das ressacas dominicais, tomo
banho, boto bermuda, chinelão e uma camiseta, óculos
de sol (odeio claridade logo cedão) e desço três
quarteirões até a feira da Santa Cecília.
Sento naquele banquinho de plástico de preferência
numa sombra, a tiazinha, uma morenona gorda, acho que
deve ser baiana, com um lenço na cabeça, abre o sorriso
mais espontâneo e sincero que conheço e já vai logo
falando o melhor bom dia que já vi por essas vizinhanças.
Pergunta qual pastel eu queiro e oferece o caldo.
Gosto de ir cedão porque o óleo ainda tá limpo.
Vejo a outra tiazinha pegar o pastel que pedi debaixo de um
pano que cobre-os, bota o mesmo no tacho e fico só olhando.
De uma hora pra outra o pastel passa de branco para um marrom
específico de fritura.
Ela tira do óleo, coloca para dar uma esfriadinha enquanto a outra
fica meio numas de oferecer pros outros que passam.
Olha pra trás, pega papéis, embala-o e me entrega.
- Cuidado que tá quente! (eu adoro vê-la repetir isso pra todo mundo).
Pego o pastel na mão, curto ver a fumaça saindo dele quando lasco
a ponta. A primeira mordida, na parte onde só tem massa frita, vai na seca.
Nas outras eu vou fazendo a merda de sempre: tucho de maionese,
cat-chup, mostarda e o que mais eu achar na frente.
Acabo de comer e dar o último gole no caldo, pago, me levanto e a
tiazinha quase que numa simpatia protocolar me deseja um bom domingo.