Metralhadora Giratória

Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.



ESSES METRALHAM BEM
Marião
Sérgio
Ronaldo
Fernanda
Raquel
Adriana du Mal

METRALHE
Vai, puxa o gatilho!


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Terça-feira, Março 30, 2004
 
O dia em que o Fanzine e o Roxo viraram dejôta

Ontem fui numa baladinha. Foi no Fun House, uma casa
fenomenal por um único motivo: o quadro do grande mestre,
pai da geração: Bukowiski. Sim meus caros leitores
internéticos. Havia um quadro do velho safado na parede.
De tão contente que fiquei acabei até suportando a música eletrônica
capitaneada pelo Roxo, o pauteiro do caderno de Cidades aqui do
Agora, e o Fanzine, vulgo Marcos Sérgio, sub da bagaça.
Os caras têm um gosto um tanto quanto eclético, por assim dizer.
Vão de Strokes, passando por um monte de merda eletrônica e
voltando para algo retrô de décadas passadas.
Enfim, tive de me enfiar na cerveja. Ah, sim. A balada era o niver da
Ellen, editora de Grana do jornal.
Êpa, depois escrevo mais. Vou checar um negócio aí.
Voltei.
Então, ai eu fiquei conversando com o mano Juca
sobre o velho safado e também sobre Fante, Kerouac,
Ferlinguetti, Burrogs, e outros.
A galera também entrou no papo. Me assustou até
saber que o Fanzine já leu alguma coisa dos caras.
Explico. É que tenho uma mania filha da puta de nivelar
alguém pelo que lê. Sim. Intolerância literária, diria.
Continuamos bebendo, havia uma pista de dança,
o som tava rolando e o povo até que mais ou menos
animado. A Magali dançou com o tal do Gui dela, um
maluco também, enfim, encheu o saco e subimos para
um outro andar. Rolava umas fichinhas numa junk box
e lá fui eu roubar a ficha da brodinha Cris (a fechadora
do terceiro clichê, segundo o Zine). Coloquei mas
botei errado. Fudeu e não rolou o blues que eu tanto
queria.
Roubei os amendois e tomei a breja do Giba, outro
repórti qui nem eu. Na verdade ajudei o cara a não fazer
besteira, já que ele mora no ABC e precisava dirigir até lá.
O povo não entende quando eu faço essas coisas, pensa
que eu tô cerrando a breja. Pura maldade.
Voltamos pra pista e tava rolando alguma coisa que meu
estado ressaquísto não se lembra. Vazei e desci a Bela Cintra
de volta pra casa. Até que curti legal, exceto pela música
eletrônica e pelo fato de que não haviam tantas minas
assim. Dormi às 2h30 e cheguei aqui às 8h30. Tô no
automático até agora.
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Domingo, Março 28, 2004
 
Em dia de fúria, PM assassina 4, fere 3 e morre
(essa bem que poderia ser da série jornalismo feak, mas não é.
Detalhe: os jornalistas que estavam lá quase apanharam, inclusive eu e a fotógrafa.
O pior não é que, mesmo depois de ter trabalhado 13 horas seguidas, ficar sem comer durante dez horas, aguentar o stress de todos os chefes possíveis daqui de plantão, e quase ter levado a sova do povinho lá do soldadinho, a bela sub-editora de Show disse que tem medo da minha simplória pessoa, além de mandar a alcunha sugestiva de maluquinho)


O soldado da Polícia Militar Marcelo Gomes da Silva, 27 anos, matou ontem quatro pessoas a tiros, baleou outras três e morreu com dois disparos. Até ontem, a polícia não havia informado se o soldado se suicidou ou se foi morto em confronto com policiais nem o estado de saúde dos feridos.
O sábado sangrento de Silva começou quando ele saiu do trabalho _era motorista do 22º Batalhão, em São Miguel (zona leste)_, às 3h. Horas depois, às 7h, ele já estava no bico que fazia há quatro anos como segurança do supermercado Pedreira, na estrada do Alvarenga (zona sul).
Munido de uma pistola 40 mm _do batalhão_ e outra particular _uma 380 mm_, o soldado disparou, às 11h, contra José dos Santos Farias, 46 anos, dono do estabelecimento, e Laércio Fachini, 49, o gerente. Ambos morreram no local. Suspeita-se que o PM teria cometido os crimes após ter sido notificado de sua demissão. No entanto, a Secretaria Estadual da Segurança Pública nega que o soldado havia sido demitido.
Logo após praticar o crime no supermercado, Silva foi à casa dos sogros, perto dali. Invadiu a casa e atirou contra a sogra, Analgisa Veira da Silva, 48 anos, o sogro, Joaquim José Ribeiro Amorim, 52, e a mulher, Maria Aparecida Amorim, 22. Analgisa morreu no local. Já Amorim e Maria permaneciam internados até o final da noite de ontem no hospital Pedreira.
A matança não parou por aí. O policial deixou a residência, desceu a rua à esquerda e foi até a casa onde morava seus pais, na rua Jean Gabriel Villin. No meio do caminho, um amigo dele, o motoboy Daniel Lopes Ferreira, 24, tentou contê-lo. O amigo teria ido ao encontro de Silva após ouvir os primeiros disparos. Segundo relatos de vizinhos, Ferreira teria corrido para tentar salvar os dois filhos do assassino com Maria Aparecida _um bebê de um ano e uma criança de quatro anos. Acabou morto.
Em seguida, Silva entrou em sua casa e ligou para o seu comandante. Disse que tinha feito uma besteira e que não era para ninguém enviar policiais, ou ele se mataria.
A PM, porém, enviou três carros e o Águia. Silva, da rua, atirou no co-piloto, o tenente Giuliano Antonio Silva. O policial foi atingido de raspão no braço, e não se feriu mais por estar com colete à prova de balas. Silva acabou morto com dois tiros na cabeça.
Tragédia humana
O comandante-geral da PM, Alberto Silveira Rodrigues, disse que Silva vinha se tratando no setor de psiquiatria do Hospital Militar desde 14 de março, pois sofria de ansiedade, e a mulher saíra de casa. Era medicado com diazepan _um antidepressivo. É uma tragédia humana. Ele [Silva] estava em desajustes com a mulher e problemas com os sogros. Foi um final trágico, disse Rodrigues.
A polícia irá abrir um inquérito para apurar o motivo que levou Silva a matar. O médico que deu alta do tratamento que ele fazia também deverá ser ouvido. Segundo a corregedoria, 90% das mortes de PMs ocorrem enquanto fazem bicos.
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Sexta-feira, Março 26, 2004
 
Diário
(em homenagem à Gabi, do jornal)

Querido diário,
Hoje vou falar para os amiguinhos
que acessam esse espaço como está sendo a
estada em meu novo apartamento, minha vida e
tudo o mais.
O Hamilton e o Vani (os amiguinhos, que ocupam
outros quartos da minha nova casa) são legais.
Eles também gostam de beber cerveja, de mulheres,
de música legal, tudo igual eu. O Hamilton toca até blues
na guitarrinha dele, muito bacaninha.
Gosto também do meu quarto. Ele está quase limpo,
as caixas estão sendo desfeitas e a tia Dedeca (a ex-
vizinha e agora só amiga do 102 de onde eu morava)
vai arrumar as cortinas.
Sabe diário, eu tô meio chateado pois agora preciso
usar o mesmo banheiro que outras pessoas usam, mas,
no fundo, no fundo, não tem problema, os meus amiguinhos
são limpinhos. Até agora não vi nenhuma cada no chão ou
melecas espalhadas pela pia ou bacia, ou a banheira.
Ah, a banheira. Irei nadar nela diário, assim que tiver
tempo, já que meu trabalhinho exige muito de mim.
Agora vou falar dos meus amiguinhos. O Hamilton estuda
no Mackenzie e faz ciências da computação. Ele explicou
que é um negócio de mexer em computador lá. Já o Vani
(sinceramente eu não sei porque ele chama Vani, deve
ser a abreviação de Vanisvaldo ou coisa que o valha, eu
é que não vou perguntar para chatear o cara) é fiscal
da prefeitura. Tem o trabalho que eu gostaria de ter:
ganha bem e trabalha pouco.
Os meus amiguinhos têm sonhos. O Hamilton quer ser
músico e trocar o computador pela guitarra. Aliás ele
toca muito bem guitarra, viu diário. Já o Vani estuda muito
e quer trabalhar na Receita Federal (e minha mãe que só
falava das receitas de bolo), que, segundo ele, ganha mais.
Assim, segundo ele disse, poderá comer mais mulheres e
beber mais cerveja. Gosto de pessoas que têm objetivos na
vida. Os meus são mais modestos, sabe diário. Tô trabalhando
num jornalzinho aí para ganhar um salárinho e pagar
minhas saídinhas com as amiguinhas e as várias cervejinhas
que tomo.
Agora vou trabalhar diário, senão o moço que fica aqui
me mandando fazer as coisas vai mandar eu tomar no cú e me
chamar de vagabundo.

Tchau diário

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Quinta-feira, Março 25, 2004
 
linha 746
(calma moçada, é que tô lendo O Prazer de Desagradar)

Fiquei sentado na calçada, olhando lentamente de um lado
para outro, fazendo de conta que não era comigo tudo aquilo
que estava a minha volta.
As nuvens escondidas, o barulho de uma construção ao longe,
o portão da frente aberto.
Percebi o vulto na janela. Estava com fome, passava da hora
do almoço (aliás, palavra insignificamente ultimamente) e eu
sequer havia tomado um café. Vasculhei na carteira, peguei
umas moedas e, a única coisa que pude constatar era que a
nota do vinho que comprei no supermercado ainda estava lá.
Tomei o último gole e decidi me levantar.
Antes de ir até o outro lado da rua, olhei para a esquina e vi,
ao longe, um garoto de cinco anos brincando de craque de
futebol com sua bola de plástico.
Era feliz. Percebi que um dia também fui assim, num campinho
de terra, com traves feitas de sarrafos velhos e sujos.
Ficava de goleiro enquanto meu irmão mandava os petardos.
Minha mão doía, ele dizia que se eu achasse ruim seria um
maricas então calava e segurava as bombas.
Atravessei a rua e cheguei até a outra calçada.
Passei pelo portão, ninguém me viu ou sequer percebeu.
Joguei a garrafa no lixo, entrei pela porta da frente que estava
destrancada e mirei. Foram três tiros, dois deles na cabeça do
sujeito e outro, que atingiu as os seios dela e atravessou o coração.
Até que tentaram gritar mas não puderam fazer nada pois estavam
concentrados no sexo que faziam.
Imagino que os dois devessem estar quase no auge do gozo.
Tremiam mesmo depois de desfalecidos. Um dia um professor
me ensinou na escola que, se isso acontecesse, iria se trata-se de reações elétricas, nada mais.
Peguei o dinheiro no local combinado: no bolso localizado atrás
da calça dele. O filho da puta bem que sabia o que queria e
não falhou. Morte anunciada, num dos momentos mais prazerosos
da vida, assim que queremos morrer. Sexo tântrico, se é que me
entende
, ele disse, quando combinávamos sua própria morte e
da parceira.
Saí da casa, dei a menor nota das que havia pegado para o garoto
da esquina que estava segurando sua bola debaixo do braço tentando
imaginar o que seria aquele barulho. Ele me agradeceu, dei um sorriso,
passei a mão na sua cabeça. Passei na feira, comi dois pastéis de carne,
paguei a conta e fui até o ponto de ônibus. Subi na linha 746 destino Vale.
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Quarta-feira, Março 24, 2004
 
Vocação

Vocação é diferente de talento.pode se ter vocação e não ter
talento,isto é,pode -se chamado e não saber como ir.
(Clarice Lispector)
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Terça-feira, Março 23, 2004
 
Is the we in the coments
É nóis nos comentários

A Raq, coleguinha de redação do jornal
que defendo um, fez a preza de botar os
tais dos comentários no meu blog.
É que sou praticamente uma topeira cibernética.
Já trampei com jornalismo online mas só sabia
operar o programa lá.
Foi indicação dela botar o coments. Disse que não
sabia e ai ela fez o serviço.
Apesar do sugestivo nome de Metralhadora
Giratória, gostaria de avisar aos mais afoitos que
respeitassem a moral e os bons costumes em
seus comentários.
Caso contrário terei de colocar uma mediação
para selecionar os comentários que aceitarei ou não.
De qualquer forma, manda o dedo negada.
Aproveitem para contra-atacar as rajadas que mando
de vez em quando.
Não reparem caso eu demore a rebater os comentários.
É que a maior parte do dia eu tô na redação (ontem por
exemplo eu fiquei 15h30 aqui dentro, um pescoção
em plena segundona). Hoje já tõ há 12 horas.
Pra piorar meu micro fica de from para a clã dos
editores (chefes, aqueles sujeitos que te cobram
para fazer o trampo e enchem o saco se você faz
cagada, mas são importantíssimos para acionar o
departamento responsável para que paguem o salário
no final do mês).
A gente se fala ou comenta, sei lá.
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Segunda-feira, Março 22, 2004
 
Notas de uma mudança
tipo, parece redação de quinta série
(se bem que eu acho que o meu sobrinho
que tá no terceiro aninho faz melhor, tranquilo)


Enfim, depois de longos cinco dias, volto a escrever.
Mais por necessidade do que por qualquer outra coisa.
É que mudei de apertamento. Saí de um apartamento
de um quarto na rua Jaguaribe, onde morava sozinho,
e fui para outro, com amigos, na rua Dr. Cesário Mota Jr.
Tudo fica na Vila Buarque, um dos bairros mais bacanas
da capital que tenho notícia. Tipo, é meio-temo.
Tô no meio de dois extremos. O inferno da Boca-do-Lixo
da Santa Cecília e o luxo e burguesia do Higienópolis.
Pois bem. Não gastei um centavo na minha mudança,
nem mesmo para reformar o apertamento antigo.
A Tia Dedeca (vizinha do 106, gente fina pra caralho),
me ajudou com tudo. Ela levou minhas coisas no
Uninho dela e, de quebra, pintou o apartamento.
A gente fez as mudanças nos únicos horários em que
eu podia: antes das 8h30 da manhã, e depois das 22h,
quando saio do jornal.
Mó secreto o negócio. Subornei o Antonio (vigia da madruga)
por uma cerveja por dia. Foram quatro. Demoramos
desde segunda-feira até ontem (domingo) para concluir a mudança.
Cada dia ia um pouquinho. A última leva foi ontem, quando
levamos o colchão, todos os utensílios de cozinha, a cadeira
do computador e otras cosithas más.
No apartamento novo é melhor. Maior do que aquele que
eu morava e também mais espaçoso.
Vou ocupar um dos quartos. São dois, mais uma sala
enorme, área de serviço, banheira no banheiro, legal.
Tá tudo embolado lá. Mó lixão mesmo.
Ainda nem acabei de arrumar as coisas.
Fui na S. João e paguei R$ 200 num guarda-roupas
usado. De quebra ganhei a coisa que mais queria da tizinha.
É que eu falei pra ela que sõ levava o guarda-roupas se ela
me desse a cadeira de diretor que tava lá jogada.
Claro que ela fechou negócio, né?
O meu primeiro porre na casa foi ontem. Tomei 16 latinhas
numa noite, fiz frango xadrez pra galera (eu, Tia DEdeca,
Hamilton e a Luslie - namorada do Hamilton).
Tava bacana. Às 21h30 de ontem, voltamos pro ap antigo.
A Tia Dedeca pintou o resto da parede e eu dormi deitado no
chão, de tão bêbado e de tanta dor nas costas que eu sentia.
Foda pra caralho.
Hoje tô arrebentado ao extremo. Tô no trampo ainda (depois
de 15 horas de trabalho consecutivo) devido a uma cagada que
fiz. Tem certos momentos da vida que eu questiono o eu que ela
é, tipo, qual o sentido de querer dinheiro se você não aproveita
o que ganha. Milnha coluna tá arrebentada (tenho hérnia de disco
e agora, depois de tanto carrregar peso ela tá gritando, violentamente),
o meu chefe fez o favor de me desancar legal, mó baixaria, e
tô me perguntando se vale a pena ainda voltar amanhã.
Acho que vale. Afinal de contas, só trabalho pelo dinheiro mesmo,.
Tipo, profissionalismo. Igual puta, só que ganhando bem menos e
trabalhando muito mais, com certeza.
Do mais, é isso aí.
Depois teclo dizendo onde é a goma nova.
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Quarta-feira, Março 17, 2004
 
Dicotomias on the road/in the street/no divã
para a junkie dos cabelos cor-de-fogo, que
um dia me mandou escrever histórias que prestassem.
Quem sabe um dia, ela se torna uma das personas abaixo


On the road
Cruzar aquela rodovia deserta com meu mustang,
no meio da noite, a minha frente apenas as faixas
brancas sendo comidas como no jogo do Pac-Man,
a meia-luz do farol, o escuro da noite, a Lua no horizonte,
um blues no toca-fitas roadstar, um litro de bourbon,
a saudade no coração, eu rasgo sua foto e a jogo os
pedaços pelo vidro do carro, brincadeira de roleta-russa
com o 38 a cada milha rodada. Paro no hotel qualquer
da estrada, vou até o bar, olho para a garçonete, ela pisca,
combina de pegar as chaves de meu quarto, e, antes que
tire minhas botas e apague meus cigarros, ela chuta a porta,
pula de pernas abertas e me agarra, já molhada. Acordo,
minha carteira já não está mais comigo, estou nu,
arranhado, o lugar ao lado da cama está vazio.

In the street
Vou para dentro do quarto, fecho a porta,
erguo os lençóis, coloco a fita do blockbouster no velho
vídeo-cassete, te pergunto como foi seu dia enquanto
você está no chuveiro, abro o vinho, parto o queijo,
entro no banho contigo, nos secamos. Você tira sua roupa,
eu abro meu roupão, deito e te chamo para ir comigo. Fazemos
papai-mamãe, você finge o orgasmo, eu acredito, cansamos e
dormimos. Antes de dormir, um beijo de boa noite. Você
acorda e encontra uma rosa vermelha em cima de seu
peito, meu lugar está vazio.

No divã
Hoje sou o que não queria ser
Ontem fui o que quero ser
Queria esquecer as habilidades que tenho
Para lembrar daquelas que nunca tive e desejo
Ignorar a saudade que bate no peito
Bater no peito e sentenciar a morte da saudade
Ir para um lugar que já estive
Fugir dos caminhos conhecidos
Amar o que sempre quis
Querer o que nunca amarei
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Terça-feira, Março 16, 2004
 
Nossa vida não vale um Chevrolet

Em alguns dias (como hoje) essa é a frase que ecoa na minha cabeça.
Sem dizer que no CD Player da minha cabeça a letra é uma constante.
E só.
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Segunda-feira, Março 15, 2004
 
Cortez, Celebrity Deadthmatch, South Park

Fui pela primeira vez na vida num dos teatros mais
elitistas da capital nacional das artes cênicas: Faap.
Preza do maior dramaturgo dessas paragens,
um cara que se empenhou legal para me descolar
dois convites.
Aos fãs de Nelson Rodrigues ou Plínio Marcos, por exemplo.
Apesar dos dois não estarem mais vivos, imagine a cena:
você liga para a casa do cara, pede convite, o sujeito se
empenha em conseguir, e, depois de três ou quatro telefonemas
te liga dizendo que tá tudo ok. Você tem noção disso.
No estágio que o sujeito se encontra, ele poderia muito
bem me mandar me fuder e não encher o saco dele.
Pelo contrário, fez a preza. Tem como você te idéia como
me sinto valorizado por isso. Do caralho filhote.
Fui asssitir "Fica Frio...." e "À Meia-noite...."
Tipo, não é todo dia que um dos caras que mais
considero no quesito qualidade de trabalho, se
dispõe a passar a mão no telefone, te ligar para
dar a resposta, enfim. Brodagem pura.
Enfim, fui lá ver o Cortez, e, de quebra, fazer uma
preza aí com uma pessoa.
Sentei e logo veio um senhor de óculos, com sua
belíssima mulher. Era o Alckmin e a Lùcia, governador
e primeira dama do Estado. Só. De quebra levaram
o Chatolita, ops, o senhor doutor em Semiótica pela
PUC-SP e secretário de Estado da Educação, Chalita.
Ele também tava com a mina dele.
Dei risada ao extremo, claro, pois duvido que eles conheçam
a produção do Bortolotto..
Além deles, na platéia uma pá de patrecas primeiro anistas
da Faap, acompanhadas de seus pais, mães e irmãos burgueses
ao extremo. Ou voce acha que é qualquer pobre que tem R$ 1.500
para pagar de mensalidade do curso de rádio e TV..... Se liga!!!!!
A luz se apaga e vem uma voz. Era o cara anúnciando o espetáculo,
cometendo um erro que me irritou: chamar Fica Frio de Uma On The
Road Peça. O nome na origem é Fica Frio - Uma Road Peça.
Respeito pela produção dos outros é bom e os portadores do cartão
de afinidades Cemita Social Club agradecem.
Enfim. Começa o espetáculo. Fiquei prestando atenção em coisas
do tipo cenário, figurino (novamente a duplinha Pacheco/Lima),
trilha sonora (beleza, não vi grandes problemas), luz, interpretação, etc.
Achei que o cenário roubou a cena em alguns momentos (em ambos
espetáculos). A luz era funcional. E só. Os atores são bons.
Só a concepção do que vi em cena em termos de direção é que
incomoda em alguns aspectos. Mas, o que chego a conclusão é que
gosto dos textos do Brucutu Fundamental sendo dirigidos pelo próprio.
Quando você vê muita "pasteurização" em cena fica com um referencial
distorcido. Traduzindo: uma das características do teatro que vejo em
cena no Cemita é o que acredito (por favor não se ofenda Mário) do
conceito de teatro pobre, centrado basicamente no ator.
É difícil (para não dizer raro) ver atores de espetáculos do Cemita
tendo de incorporar, encenar, cumpliciar ou qualquer outro nome que
der a essa merda de interação com objetos cênicos, cenário, etc,
por uma opção da direção. Do jeito que vi no teatro Faap, "sujou a cena".
É como se o Mac Donalds um dia resolvesse copiar o sanduba de pernil
do Estadão, saca (nossa, que comparação de merda........Apesar da
comparação não ser das melhores, é por aí.)
No fundo gostei pra caralho, principalmente pela preza que rolou.
Valeu Mário Bortolotto.

A EMETEVÊ

Cara, apesar de concordar em gênero, número
e grau com as observações bárbaras que o Marisola, ops,
Mirisola botou na coluna dele na AOL,
tenho de dizer qrue algumas coisas são muito boas
na emetevê.
Duas eu destacaria neste post: Celebrity Deadthmatch e South Park.
Por conta deles eu não consigo dormir antes das 1h30, 2h, de domingo
para segunda-feria.
Ver os bonequinhos de massa com celebridades do cinema se
degladiando é uma das melhores coisas que vi na TV nos últimos cinco
anos, sem sombra de dúvida. Tipo, os caras colocaram cara a
cara no ringue o Hitcock com o Spielberg. O legal
é que os caras avacalham e colocam como armas desde o
psiquê dos egos dos caras, passando por criações deles nos cinemas,
até coisas absurdas que só vendo. Por exemplo: o mestre do
suspense usou como arma em uma das brigas uma faca e
houve a fatícida cena da contraluz. Já Spielberg chamou uma arca
onde saíram fantasmas de múmias (do filme O Mistério da Múmia,
acho que esse era o nome). O cara foi detonado pelos próprios
fantasmas de sua arca pois os caras exigiram um cachê melhor
e cobraram promessa do Spielberg de que eles trabalhariam nas
próximas produções do cara depois de O Mistério....e não.....
Hilário. Só assistindo. Já South Park é o que todo insano já
fez alguma vez na vida com amigos e hoje renega.
Ao menos nos domingos de madrugada é possível ser
popada de Penélopes e afins da emetevê.
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Domingo, Março 14, 2004
 
O ser é o nada

Sabe aqueles dias que você não quer atender o telefone
Vê o número e o nome na bina, sabe quem é, talvez até
tá precisando falar e nada.....
Ter um milhão de coisas para fazer e não querer uma sequer
Ir até a geladeira, abrir um saco de amendoim, abrir uma
cerveja, ligar o CD Room e botar um blues qualquer
Empanturrar sua alma já melancólica de uma tristeza tirada
sabe lá Deus de onde e para quê
Ter pensamentos vagos, lentos, quase sobre o vazio
Olhar pela janela, lá embaixo, ver as pessoas, carros, helicópteros,
imaginar qual seria a altura e sorver mais um gole e só.

A vocalistazinha deprê

Uma amiga viria ontem pra cá e deu os canos.
Chamei uma das vítimas do local onde vou morar
para beber. Topamos e até que tentamos fazer algo
Lá no Satyros, por incrível que pareça, não havia festa
Rodamos as redondezas, e, como não havia mais
hipótese razoável, decidimos ir até a 13.
O Hamilton, um dos sujeitos mais caras de pau que conheço,
ficava nas filas dos bares tentando trocar alguma idéia descente
com aquelas que mais pareciam bichetes de faculs (nada contra, claro).
É óbvio que não conseguiu engatar nada.
Rodamos a rua toda até parar num buteco que
nem me lembro o nome (essa vida de cobra de
laboratório tá me corroendo o cérebro)
A noite tinha como atração três bandas. Quando chegamos
uma delas já tinha saído fora. Ainda bem.
Já estamos mais do que bêbados.
Para a grata surpresa nossa, entra uma loirinha espetacular,
não pela beleza, mas presença. Nem era tão gostosa,
apesar dos cabelos e olhos claros.
Era outra coisa que chamava a atenção.
Era a vocalista de uma bandinha meia-boca composta por
uma outra mina no bangô e um cara no violão elétrico. Só.
A mina deu um sorriso fenomenalmente claro (daqueles
onde se toca piano, saca), disse boa noite, se apresentou
e também os outros dois e mandou ver.
É claro quer o repertório era pra lá de duvidoso, recheado
de bandinhas líderes dos TOP´s 10, 20, 30, 50, 100,
das FM´s de plantão e da Emetevê.
Apesar disso, o timbre da voz da garota era algo fenomenal.
Gozaria na hora se pegasse o telefone, ligasse para algum
lugar e alguém atendesse com aquela voz.
O Hamilton até que entende bem de música (um dos mais virtuosos
guitarristas que conheço - ele quer comprar uma viola, veja só).
O problema é que ele começou a gritar pra mina cantar
Alanis. Desperdício. De qualquer forma, a voz da garota era fenomenal.
O que mais me deixou maluco foi quando ela agradeceu
os coleguinhas de banda, família e Deus, dizendo que tava
numas de deprê e tentara se matar. Ótimo!!!!
Linda, cativante, cumplicidade com a galera da banda e
uma suicida em potencial.
Terminou o show (os caras na verdade cortaram o som
deles quando o tempo acabou) e ela veio nos cumprimentar
Eu a agradeci pela sua voz. A deixei sem resposta quando
ela me disse o que eu havia achado das músicas. Claro que
n ão gostei mas eu fiz de conta que não ouvi.
Ela me disse que já tentou o suicídio. Eu achei fantástico.
O Hamilton até que tentou trocar idéia com ela mais a fundo.
Se a ressaca não me engana, acho que o nome é Daniela.
Até agora tô tentando me entender se gostei mais da voz,
da presença no palco ou da história de tentativa de suicídio.
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Sábado, Março 13, 2004
 
Levantando âncora

É.
Mudo na semana que vem.
Deixarei esse apezinho maneiro que montei
e ocuparei um guardo vago na casa de uns manos aí.
Brodagem pura os caras me receberem. Eu, se fosse eles,
não me receberia. Bem, com o tempo eles verão que tenho razão.
A grana tá curta, a perspectiva de melhora não chega, e tenho
de me virar como posso.
Cada coisa colocada aqui dentro é minha e botei do jeito, como,
quando e onde quis. Tipo, autoral.
Lá vou dividir até banheiro. Será meio difícil mas necessário ante
a grana (aliás, a falta de).
Pensei até em fazer um bota-fora aqui mas não curto isso.
O povo só saberá que tô fora quando os jornais ficarem
acumulados aqui na frente da porta.
Vou avisar só o tiozinho da portaria para o cara
receber minhas cartas.
Nunca pensei e nunca quis fazer isso mas vamos lá.
Hoje recebo a visita de uma amiga. Aliás, amigos é o que
não se teve falta aqui (eles foram importantes para que eu
não me suicidasse, claro), bebidas, transas, enfim...
Vou pra outro lugar.
Depois teclo mais pra dizer onde é. Aliás, é so quebrar
à direita na Jaguaribe e seguir dois quarteirões a frente,
no prédio da esquina das ruas das travecas.
Serei vizinho delas. É, acho que vai ser divertido.

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Quarta-feira, Março 10, 2004
 
A Sex Machine Of The Sea
Uma história real de final de verão
Uma homenagem às feministas

Pele clara, 23 anos, cabelos e olhos castanhos, declarados
75 quilos (acredito que tenha mais, pelo menos uns 80),
distribuídos em pouco mais de 1,70 metros de altura.
Busto acima dos 100 centímetros, quadril próximo dos
1,60 metros, coxas grossas, canelas torneadas e o
fogo abrasador em seus órgãos sexuais.
Dispensa proteções na hora do ato sexual.
Prefere sentir de forma transparente o pênis
em seus 15 centímetros de lábios vaginais,
sento oito deles o raio da entrada de sua vagina.
O ânus, roxo, já recebeu vários golpes duros de
sedentos membros enternecidos.
Os seus são um caso a parte. As auréolas são
do tamanho de duas maçãs argentinas, o bico,
da espessura da ponta de um mindinho.
A caloura S.C., é personagem de uma história
real, recheada de desejos, fetiches, fantasias e
outras explorações sensuais.
Trata-se de uma história ocorrida em apenas
cinco dias, onde o gozo e o prazer foram constantes,
além da maconha e a liberação total.
Tudo isso seria normal se o fato interessante
não fosse a contradição de que, por trás de
uma amante quente e insaciável, se esconde
uma religiosa messiânica, dada a Johreis e
promessas para a mãe de que é garota reta e íntegra.

Quinta-feira, noite

Uma discussão ocorre durante uma festa de
amigo-secreto que reuniu calouros de sua sala.
Era com um suposto namorado. Ele vai embora
do local da festa ao vê-la se exibindo para outro.
Ela corre atrás dele, sem sucesso. Ele vai para
casa e ela, volta para a festa.
Horas depois ela chega. Diz ter pegado carona
com um amigo e seu hálito está horrível, cheirando
a esperma recém-derramado.
Entra no quarto, local onde o namorado está,
o impede de ir embora e vai logo debruçando-se
sobre o mesmo desferindo-lhe beijos voluptosos.
Em um acesso de desejo ela arranca suas calças,
a cueca, tira o pênis fora e começa a sorve-lo
veementemente.
Fecha os olhos e sorve violentamente a cabeça
e o corpo cavenoso do pênis que quase se
estoura de desejo.
Totalmente bêbada ela ergue sua saia, baixa
sua calcinha e abre seu sexo. Posiciona o
pênis e senta freneticamente no mesmo,
até que exploda em gozo.
Insaciável, logo limpa o esperma do pênis
e novamente o introduz em sua vagina,
não se importando com o resídio do mesmo.
Alterna diversas posições durante a noite,
no chão frio, no colchão inflável, não se
importa em urrar de prazer nos vários
momentos de gozo que sente.
Dorme feliz na madrugada adentro,
saciando momentaneamente seu gozo e prazer.

Sexta-feira, manhã

As ondas do mar próximo servem de sonoplastia
para o despertar, no entanto, a garoa fina é
um convite ao descanso.
S. pensa em levantar, pois, afinal de contas,
precisa participar de uma atividade em sua
faculdade: fazer um barco e garrafas pet
com seu estimado professor de física e
seus colegas de classe.
No entanto um dedo interrompe seu ato
de despertar e levantar para atender o
compromisso proposto.
S. tem sua vagina bulinada insolentemente
e suavemente. O tato leve em seu sexo,
através do dedo anular, a deixa inriquieta.
Momentos depois ela se entrega, ao ver o
dedo deslizar suavemente nas paredes dos
lábios vaginais.
O dedo alterna os movimentos deslizantes
com a penetração na entrada da vagina,
em busca do clitóris.
O ponto G é descoberto. S. fecha os olhos,
urra de prazer, contorce as grossas pernas,
passa a mão em seus seios, se contorce,
enfia o dedo na boca similando sorve-lo,
sente tesão intermitente.
Pede desesperadamente para ser penetrada
com o pênis. Quer sentir o membro entrado
em seu sexo, já quente e úmido de forma intensa.
O pênis entra, o calor do sexo e forte, o suor
desce intermitentemente, os olhos cerrados
denunciam o prazer, entra em êxtase, goza e
molha os lençóis em que estava deitada, em
sua velha cama.
Por instantes lembra de um desejo antigo:
quer ser amarrada e possuída da forma
como o namorado bem entender.
Pede desesperadamente para ser penetrada
com muita força, exige que o pênis atinga a
parede posterior da vagina.
Quer velocidade e rigidez nos movimentos.
Nega-se a ser bem tratada na cama, quer
ser a prostituta, a que se entrega em troca
simplesmente do tesão, do desejo.
Assim que o pênis a penetra da forma como
pede, ela se contorce, motiva novas e inéditas
posições, numa insinuação quase que atlética.
Não vê limites em seus desejos. Quer atingir
apenas e tão somente o prazer. Diz sentir dores
de tanto que foi penetrada. Por volta das 4h da
tarde pede para que pare. Está saciada e cansada.
Ao olhar o relógio percebe que sua atividade de
confeccionar barquinho de garrafa pet foi perdida,
uma vez que o grupo havia se reunido às 10h da
manhã daquele dia. Em troca da atividade, estava
sentindo prazer, se entregando e sendo penetrada
em seu sexo, sentindo o calor da volúpia.

Sábado, manhã

Dia de faxina na casa localizada no número 4
na sugestiva Rua do Supermercado do Tião,
a cem metros do início da areia praia.
A casa é grande: três quartos, três banheiros,
sala espaçosa, cozinha e área de serviço.
Trajada do jeito que gosta de se apresentar
nesses momentos -veste uma mini-saia de top
deixando a mostra parte das grandes nádegas
que tem e também as auréolas dos seios.
Em meio a uma vassourada e outra desfere
um beijo. Em outro momento mordisca a
orelha e, mais tarde, pega na mão dele e faz
com que o mesmo pegue em seu seio. Por
fim pega a sua mão, coloca no pênis e o
acaricia só pelo simples prazer de vê-lo enrijecer.
Tudo isso em meio a limpezas, panos, secar
e passar. Não se abstêm
das carícias e incitações ao sexo nem mesmo
nesse momento.
A faxina acaba. Toma banho, vai para a cama
onde já há alguém em sua espera. Ela faz
uma proposta: quer fazer muito sexo, trepar,
dar mesmo, só que com uma condição, a
de que os dois fumarão maconha juntos.
Ela diz querer estar chapada para sentir
como é transar com ele nessas condições.
Ele nega. Acha que não é necessário. Ela
ameaça despreza-lo e agredi-lo. Para não
criar confusão maior, ele aceita e a acompanha.
S. tem um ritual para fumar maconha: vai
até a janela do quarto dos fundos, senta-se
nela, e lá fica. Diz ter conseguido o fumo com
o Mineiro, um guri, colega de sua sala.
Cuidadosa, guarda a maconha em uma
sacolinha branca, de tricô, feita pela mãe.
Lá também estão um colírio, papéis de
seda, camisinhas e materiais para ajudar
a bolar a erva.
Ela dichava (esmiúça) a maconha para
se mostrar, impressionar e dizer que sabe
bolar um cigarro de maconha. Só que o
cigarro sai um pastel, mal feito e solto.
Mesmo assim o namorado fuma o baseado
com ela, tentando ameniza-la. O fumo
acaba e eles acabam entrando em outro,
só que mais bem fechado, fino, feito por
um amigo dela, na graduação da faculdadezinha.
Terminam de fumar e vão para a cama.
Começam a se despir e acariciar mutuamente,
num prenúncio do sexo que ela tanto queria.
Subtamente ela coloca o pênis dele na boca
e começa a sorve-lo de forma desesperada,
intensa e forte. Faz com um aintensidade
como se esse fosse seu último ato em vida.
o namorado não agüenta o prazer e goza na
boca dela. S. sorve cada gota, como se
estivesse tomando um néctar da mais preciosa
fruta, degusta, lambe e pede mais, como
se isso fosse possível de imediato.
Enquanto recebe o gozo, direciona
seu olhar para cima a fim de ver a fisionomia
do parceiro. Após todo o esperma se esvair,
ela pede para ser penetrada com os dedos
da mão do namorado.
Este, solícito, a atende e começa a bulinar
toda a região dos grandes lábios vaginais,
clitóris e outros espaços do sexo raspado,
largo, espaçoso e molhado.
Não se contenta com os movimentos
deflagrados apenas pelo indicador e mínimo.
Pede para que seja pentrada simultaneamente
por todos os cinco dedos da mão do parceiro.
Ele a atende de pronto e começa a penetra-la.
Em momento de êxtase ela pede para que a
mão também seja forçada a entrar em sua vagina,
elástica, grande e molhada. Pede para que
cada vez seja penetrada mais fundo, a fim de
sentir de forma intensa o prazer.
Metade da mão já está dentro de seu sexo e,
mesmo assim, ela quer mais. Não se sacia.
A estrutura de seu corpo garante sua integridade
física, apesar da dantesca cena de uma mão
entrando numa vagina, em movimentos de ida
e vinda, direita e esquerda, baixo e cima, fora e dentro.
Como se não bastasse, ela ainda faz movimentos
como se insinuando a rebolar, tentando receber
ainda mais da mão.
Depois de quase meia hora de movimentos, urra
de gozo, contorce o corpo, vira do lado e pede
descanso. Dorme. Já são 5h da manhã.

Domingo, tarde

Um café da manhã sendo servido às 3h da tarde.
Após o desjejum, S. se dispõe a fazer um almoço.
Arrisca duas receitas novas enquanto seu parceiro
lhe fará favores como furar as paredes da sacada
do quarto dela para que a rede seja estendida e
também a antena, quebrada há meses e sem
conserto até então.
Macarrão e arroz temperado com diversos
ingredientes como noz, queijo, presunto e
condimentos.
No entanto, como cozinhar não é seu forte,
queima a comida. O namorado desce do sótão,
toma um banho rápido e vai à mesa, onde S.
já lhe espera. Ela tenta pedir desculpas e ele,
complacente, não demonstra a decepção. Pelo
contrario, a motiva para que continue firme em
seu aprendizado.
Chega a noite. Juntos os dois vão até um bar
localizado ao lado da pequena rodoviária do
Balneário de P.S.. Encontram dois amigos
com quem conversam a noite inteira. Clássica
e dependente de nicotina, ela fuma cigarros
enquanto conversa.
Se despedem, voltam para casa.
Pensam que vão dormir tranqüilamente até
um pedido minimamente insólito e saído do
nada: quer ser currada por trás, ou seja, quer
literalmente ser fodida em seu cu roxo e largo.
É prontamente atendida. Entram em devaneios
de sexo e novamente vão descansar somente
no cair da madrugada.

Segunda, manhã

O namorado pede para ir embora. Ela não deixa.
Usa o artifício da difâmia, mentira, promessas
que nunca serão cumpridas e a sensualidade.
Joga-se novamente sobre ele, mas, só que
dessa vez sem oferecer o sexo gratuito e fútil.
O tempo passa. Os dois acordam. Ele está na
sala, sentado em uma das partes da triliche. S.
insiste em querer arrumar a casa e ele a demove
da idéia. Pede para que S. sente-se do lado dele
a fim de namorarem.
Começam bem, entrelaçando beijos, carinhos nos
cabelos, toques suaves, cheiros e tudo o mais que
um caprichado namoro exige.
Só que ela é fogosa. Começa a beija-lo em zonas
erógenas, ele se excita, os dois começam a se
despir lá mesmo, com janelas e portas abertas.
Ela quer ser penetrada no pequeno espaço da
triliche. Ele não se faz se rogado e atende. S.
empina sua bunda para cima e começa a
executar os movimentos pélvicos para que
seja melhor penetrada.
Cheia de fetiches, ela quer batizar todos os
espaços possíveis da casa. Vão até a escada.
Ele senta, erege seu pênis e a chama. Ela
segura com as duas mãos nos corrimões,
encurva seu corpo para trás e deixa-se ser
penetrada, forte e de forma perigosa, correndo
o risco de subitamente receber a visita de
alguém ou de seu parceiro de moradia. Goza.
O namorado sugere a mesa onde eles fazem
as refeições. Ela não pensa duas vezes e já
coloca suas grandes nádegas na plana mesa,
abre as pernas, coloca os pés em cima das
cadeiras e deixa seu sexo à mostra, quente,
úmido, prestes a receber novamente o rijo e
forte pênis ao entrar e sair.
Mudam novamente de ambiente. Vão para a
área de serviços. Neste momento ela fica de pé,
exige ser currada por trás e pede ao parceiro que,
enquanto penetra, morda suas costas, puxe seu
cabelo e aperte seus seios. É prontamente
atendida. Ficam durante vários minutos
desenvolvendo essa posição.
Ela não cansa e logo arrasta o namorado para
um banheiro desativado, escuro e sujo. Quer
ser comida ali, em cima do vaso sanitário. Faz
com que o namorado sente-se, ela vem por
cima e coordena os movimentos. Penetram
muito, sempre, forte e quente, até esvaírem-se
suas forças.
Novamente levantam. Ela quer desta vez ser
penetrada debaixo das escadas. Arqueia seu
corpo para trás, com os dedos de uma mão
abre os lábios vaginais e recebe de súbito a
entrada do pênis, já prestes a desfalecer,
tamanho o desejo de S. por ser penentrada...
No meio da tarde vão para a praia tomar sol,
comer pastel e tomar cerveja. Voltam para
casa à noite, discutem e ele decide ir embora.

Na manhã de terça ele, o namorado, pega
suas malas e volta para seu lugar de origem,
uma vez que os dois apenas conseguiam uma
boa comunicação quando estavam sem
roupas e de preferência se excitando....

Assim foi uma história de início de verão,
em balneário de P.S., pertencente ao município
de P.P., litoral do Estado do P.
-
Segunda-feira, Março 08, 2004
 
Só restarei depois da bomba atômica

Abri a porta, entrei, acendi a luz, coloquei minha pesada bolsa no puf
da sala. Fui até a cozinha tomar água. Peguei a garrafa, o copo e bebi.
Fui até o quarto, acendi a luz, já ia sentando para tirar as roupas e a
percebi me olhando, com tranquilidade, parada e respirando.
Nâo consegui sequer pensar em outra coisa a não ser chegar perto.
Desisti até de tirar minhas roupas. Dei um sorriso, abri a janela,
ela, indiferente, continuou onde estava. Tentei chegar perto, fazer
com que ela me sentisse.
Nâo mais do que de repente ela começa a escalar-me. Primeiro
foi os pés, as pernas, a virilha, a barriga, o peito e a nuca.
Estava me deixando louco. Fiquei agitado, comecei a me
esbofetear numa velocidade estonteante. Disse para que
deixasse fazer logo o que eu queria mas ela se recusou.
Na verdade, sumiu. Como o fez em um apartamento de
36 metros quadrados eu não sei. Mas que conseguiu,
conseguiu. Por um instante a euforia passou, imaginei
que nunca mais iria vê-la, fazê-la sentir o que tanto
queria. Desisti. Contristado, sentei na cama e comecei
a pensar onde ela poderia ter se enfiado. Será que queria
fazer brincadeira de esconde-esconde. Ou mesmo provar
que é superior e só aparecer quando quer.
Não sei. O pior é que estou me acostumando
com isso, a ser deixado de lado e procurado só quando
querem e não quando quero.
Resolvi ir ao banheiro ler uma revista.
Subi a tampa do vaso, senti e por lá fiquei, me esforçando
em gemidos, suor e suspiros comprimidos em meu diafragma.
Até desisti de lembrar dela. Tinha levado meus pensamentos
para outro lugar.
Surgiu da mesma forma que desapareceu, sem dar explicações.
Sei que a vi me fitando. A fitei, já mais calmo e tranquilo, pensei
em minha posição fecal e não tive dúvidas: dei-lhe uma sapatada
fatal, sem mesmo dar chance para que reagisse. Em pensar
que se houver bomba atômica terei de ficar sozinho.
Estou desbaratinado.
-
Sábado, Março 06, 2004
 
E não responsabilize ninguém por sua infelicidade.
Ela é inevitável


Fica muito difícil tecer algum comentário a respeito de um espetáculo
como Homens, Santos e Desertores, em cartaz no Alfredo
Mesquita
, onde funciona o desmanche do Cemitério de Automóveis,
cujo chefe da quadrilha responde pela alcunha de Marião.
Em cena está ele e o litlle mostro Gabriel Pinheiro, que, depois de
se atracar em beijos com um ator promíscuo aí agora se regenerou
e se estabeleceu num grupo de responsa.
A direção é de Fernanda Dumbra.,
uma das produtoras mais atuantes de São Paulo, puta atriz boa
pra caralho e coreógrafa (sim neguinho, tá pensando o quê?).
Bem, fui ontem lá conferir pela quinta vez a parada. Estava (estou no momento
que escrevo isso) exausto, de ressaca até agora (na quinta fui no show da
Velhas Virgens, também lá no desmanche), trabalhei igual um louco naquele
jornal insano, mas, de qualquer modo, precisava ir conferir o trabalho da galera
no novo espaço.
Apesar de estar quebrado não consigo dormir. Botei um CD do John Mayall
no CD do computador e tõ ouvindo. Do caralho, simplesmente. Uma gaita etílica,
simplesmente. O álbum é The Turning Point. Bem, consegui esse álbum (e um outro
do Blues Breakers, Mayall com Clapton, muito bom, por meio de um fotógrafo
lá do jornal, o Roth, o maior tomador de chimarrão que conheço.
Ah, um adendo: ao menos alguns daquele jornal são bacanas. O Roth tem uma coleção
violenta de CDs de Blues. Claro que eu colei nele,né? Apesar da pouca idade o sujeito já
viajou para uma porrada de países diferentes e, por onde ia, comprava CDs. O que
tô ouvindo agora foi comprado numa loja louca da Alemanha chamada Zweitausendeins.
Custou algma coisa (não sei qual é a moeda lá) tipo 13.95 (o que é esse valor não tenho idéia).
Outro louco lá é o maior conhecedor de HQs que eu já vi. Cavallari, excelente fotógrafo e
um looser natural (o pior é que outro dia eu chamei ele de looser e o cara disse que nem
sabia o que era isso. Ou seja, ele realmente é looser).
Bem, voltando à peça.
Gostei da adequação e do novo cenário. A luz está muito melhor do que antes.
Enfim, do caralho. O tema é bárbaro e, em minha exausta opinião, traz a essência
do que o maior e melhor dramaturgo dessas paragens coloca em sua febril produção.
Então, diante disso, só tenho a reproduzir o que o mesmo escreveu a respeito
da peça dele. Ninguém melhor para fazer um release ou descrição da peça
do que o próprio. Tá ai embaixo. Confere depois o serviço.
E, EM LETRAS MAIÚSCULAS E TUDO EM NEGRITO: VAI ASSISTIR ESSA
PORRA PORQUE É UM DOS MELHORES ESPETÁCULOS QUE JÁ ASSISTI.

(acredite, não são poucos).
O que o próprio fala a respeito da peça:
(ah, só um detalhe: o personagem mais legal não está em cena. É a remissão do pai,
um forasteiro digno de Sal (persona do On The Road). O Bortolotto falou que vai
escrever a peça a respeito do cara. Genial.
Fala basicamente de rito de passagem e inadequação social. Passagem da adolescência para a vida adulta. Um garoto, outsider total, não consegue se sentir a vontade em nenhum lugar que a vida lhe oferece. Não encontra alternativa e sente que não parece talhado para o mundo que ofereceram a ele. Seu pai é o típico desertor, o cara que também ficou a margem, mas preferiu optar pela indiferença. Nunca trocou mais que duas palavras com o filho e no momento está em algum lugar do México com um amigo motociclista. A mãe, abandonada e solitária, não consegue ajudar o Garoto. Não tem amigos, nem namorada e não parece se interessar por nada que os garotos de sua idade demonstram interesse. Encontra um Homem que vive recluso, anti-social, um estóico. Vive cercado de livros e não gosta de receber ninguém em sua casa. O Garoto se identifica com o Homem e passa a freqüentar diariamente a casa dele, mesmo contra a vontade do Homem. O encontro desses dois personagens à deriva de gerações diferentes, mas com tanto em comum me possibilita discutir um de meus assuntos preferidos. A figura do Outsider. Do sujeito que não se enquadra. Do cara que propositalmente parece optar pela infelicidade como única maneira de se sentir autêntico em um mundo onde todo mundo parece querer fazer parte de alguma coisa. Onde todo mundo quer ser aceito. Há sujeitos que preferem não entrar na corrida dos ratos, e é basicamente desses personagens que a peça trata.

Anota o serviço aí: (e vai, claro!!!)

Texto : Mário Bortolotto
Direção : Fernanda D´Umbra
Elenco : Mário Bortolotto e Gabriel Pinheiro
Sonoplastia : Mário Bortolotto
Iluminação : Mário Bortolotto e Fernanda D´Umbra

Figurinos: Ofélia M. Lott
Adereços : Fernanda Grandesso


Operação Técnica : Marcelo Montenegro

Estréia hoje (05/03) 21h30

Sextas e Sábados : 21h30

Domingos : 20h30

Até 28/03



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Quinta-feira, Março 04, 2004
 
O Mal que Habita em Mim
( Marcelo Nova / Robério Santana )


O mal que habita em mim.

Preso em sua jaula de fumaça

Fazendo sempre crer que é boa praça

A alma inchada de desejos e trapaças

Lhe beija a fronte e ergue a taça

Deus perdoe o mal que habita em mim

O mal que habita em mim.

É como um franco atirador

Atento, ouvindo o rufo do tambor

À espera de alguém ou algo de valor

Com suas balas recheadas de amargor

Deus perdoe o mal que habita em mim

Nas vezes em que ele quer me confundir

Sorri, e pede licença pra sair

Parece que finalmente vai sumir

Mas é quando mais devo me prevenir

Deste mal que habita em mim

O mal que habita em mim.

Coitado, tem andado a delirar

Ele quer tantas fêmeas conquistar

Fica sempre circulando

Pois quer muitas delas ofuscar

Pra todas, poder enfim desapontar

Deus perdoe o mal que habita em mim

O mal que habita em mim.

Percebe muito bem como é ruim

Ser dia e noite um estopim

Que assim aceso vai buscar o próprio fim

Pra uma vez morto, viver como James Dean

Deus perdoe o mal que habita em mim

Nas vezes em que ele quer me confundir

Sorri, e pede licença pra sair

Parece que finalmente vai sumir

Mas é quando mais devo me prevenir

Deste mal que habita em mim

O mal que habita em mim.

Sabe de coisas que não sei

De drogas que não experimentei

Vivendo sempre como um fora- da- lei

Em trevas que eu nunca penetrei

Deus perdoe o mal que habita em mim

O mal que habita em mim.

Disse que está de saco cheio

Disse que anda com um pouco de receio

Disse que vai se regenerar

Eu não creio

É como um trem pro inferno

Não tem freio

Deus perdoe o mal que habita em mim.

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Quarta-feira, Março 03, 2004
 
Junkkie sex

Estávamos numa delegacia. Havíamos combinado
de nos encontrar lá. Fazer plantãozinho pra
conseguir falar com o delegado todo-poderoso que
apura a morte dos bichos.
Ela foi com sua indefectível calça jeans, seus cabelos
cor-de-fogo, agenda, celular, a tatu nas pernas, o sorriso
torto, meio que falso e cativante e o gravador na mão.
Cheguei desajeitado como sempre vestindo uma camiseta
de personagens de HQ, dois celulares (o meu e o do jornal),
cabelos longos (maiores que o dela), desajeitados.
Ela me disse que era punk, eu gosto de hardcore, simplesmente.
Em comum apenas os quilos que PVT que temos e comemos.
Começamos a coletivazinha particular. O tal do meganha
tinha ido ao interior, fazer com sabe lá deus o que, obter
um resultado duvidoso e passar a imprensa, revoando
suas plumas de pavão.
Percebi que ela me olhava, mesmo que concentrada nas
palavras do delega. Olhei-a de soslaio, aliás, era a melhor
forma de poder contemplar o corte na barra da sua calça
jeans e os cabelos, curtos, cor-de-fogo.
Sorriu, logo perguntou ao delegado uma questão que ele não
poderia responder. Gingou o corpo, deu o sorriso e tentou
insistir. Ele disse que não tinha mais nada a falar.
E eu, só olhando para o vinco daquela blusa que escondia
o que ela talvez mostrasse, quem sabe.
Ao final haviam dois carros nos esperando. Ela me disse
que sou tiozinho frela e não posso levar furo. Só saí quando
ela foi embora, só fui embora quando ela saiu.
Antes de fechar a porta do carro e dizer ao motorista para
voltar à ZN ela abriu um sorriso e me disse até logo louco.
Eu só sorri. Anotei seu celular, mail e disse que o lide já
estava pronto. Só falta o quê, quando, onde, como e o por quê.
Hoje de manhã a vi acordar. Contemplei seus cabelos ruivos,
desarrumados, as curvas da pele alva, os detalhes da tatu,
o estilo pós-punk chik, o suspiro dos finos lábios.
Senti na cama e pensei num lide que seria só dela.
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Terça-feira, Março 02, 2004
 
Dívidas que não vou pagar

Quis dizer que estava com saudades,
não consegui.
Tergiversei e falei que não tinha novidades,
continuava a fazer o mesmo de sempre e
que não interessava mais nada.
Abrir a boca e falar: você falta aqui e não
sei até agora o que faz aí.
Preferi calar, ou, aliás, não teclar.
Segundo Sartre, o ideal é matar o que
amamos, sempre. O problema é que amo
o que mato, quase sempre.
Também imaginei em elogiar. Imaginei.
Agora só resta a lembrança da imaginação
que até agora não se materializou. Pulverizou.
Tento criticar menos, dar folga à autocrítica.
Adormecê-la, quem sabe. O problema é que
ela tem insônia e está sempre alerta.
O caminho está aberto. Acho que fui eu que o
fiz ou o abri. Na verdade acabo por fechar as portas
calando, dando uma de insensível ou desinteressado.
Vou indo. Para onde vejo quando chegar. Caminho
traçado é algo que já foi. Garanto que não programei,
veio, fluiu. É assim todas as vezes. Tento fugir, garanto.
Só que acabo sempre preso às eternas dívidas que
nunca vou pagar.
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