Metralhadora Giratória |
|
|
Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.
METRALHADO
ESSES METRALHAM BEM Marião Sérgio Ronaldo Fernanda Raquel Adriana du Mal Desgraceira Ellen Fausto à lá O´Neill Eduardo Castanho Fao Carreira Marisola Junior Leal METRALHE Vai, puxa o gatilho! | |
Terça-feira, Maio 25, 2004
Ilusão de ótica "A Arte não é a verdade. A Arte é uma mentira que nos ensina a compreender a verdade". Pablo Picasso Olho neste espelho e vejo cabelos, curtos, desajeitados, fora dos redomoinhos, observo traços de um rosto com expressões cansadas, marcadas e tesas flacidez de uma fisionomia, a altivez dos olhos, mesmo que descansados, com sinais de batalha, vontade, desejo e força incomum na áurea. A gilete afiada corta o espelho, tenta desfigurar a face da morte expressa e declarada Fico em cima da moldura do espelho, descascando a massinha para que ela solte de vez o vidro que reflete a alma, o vazio, a desesperança e a loucura O espelho cai, se parte e os cacos, mesmo que desconexos, refletem partes da imagem Estilhaço e faço o vidro em pó, pego-o com minhas mãos, próximo a boca, solto um sopro que fazem as particulas se esvaírem no ar. Agora sim, posso pegar o pente, lavar as mãos e sair do banheiro sem ser notado por ninguém. - Sexta-feira, Maio 21, 2004
O afeto que se encerra O jornalismo verdade da vida não quer saber de ética pretende caminhar por lugares escuros, sombrios, sórdidos e perigosos não se ressente do perigo nem mesmo das dificuldades do caminho sou o repórter que observa cético a chuva que o vento trouxe na manhã de ontem sentado na calçada, à espera do nada, apenas pensando como seriam as coias se não fossem do jeito que são do que nos impôem ou do que pretendemos e nunca conseguimos nem mesmo um dia iremos conseguir é o nada que se avizinha para ocupar o espaço das letras, formas e conquistas nunca antes conquistadas é um furo na inteligência, uma notícia pesada às 4h da manhã, ainda quando sua cama quente, te aconchega só pra mais um dia ficar na frente de algo e ter sua bunda chutada te encaminhando para um lugar que nem mesmo a gente sabe onde fica - Quarta-feira, Maio 19, 2004
Na reta Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo Dormi tarde, inicio da madruga, esperando por uma câmara Não conseguia dormir, só lembrando de imagens de medo, dor, loucura, solidão e desespero Além disso, responsabilidade de cuidar de algo que não é meu, valores que não poderei pagar Madrugada fria, poucas horas dormidas, cansaço A cabeça não pensa, só o corpo sente Estrada. Não conseguia dormir. Só um trecho de um salmo, ouvido não sei onde que dizia do medo de Davi em enfrenter seus problemas. Pensei que seria difícil, colocaram à prova minha forma destemida de viver Fui. Cheguei e fui bem recebido, sinistro, seguranças, policiais militares, funcionários e loucos por toda a parte Cachorros, máquinas quebradas, dinheiro público sendo jogado para o ralo, literalmente Um homem arrastando-se no chão, outro lavando sua cama com a baba intermitente, uma mulher com um buraco nas costas era revirada por funcionários que não sabiam o que fazer, se a mesma estava viva ou não Pior foi ver homens e mulheres tomando banhos em chuveiros frios com só um detalhe: temperatura de 14º C, sol escondido, ventos e sombras que faziam a sensação térmica ser outra, de cerca de 10 graus. A minha única atitude foi tomar um café, pensar os motivos que me levaram até ali e pensar que não sou nada e que absolutamente nada me diferencia daqueles cerca de 2.000 lixos humanos. - Terça-feira, Maio 18, 2004
Ctrl+Alt+Del De tanto apertar o botão do foda-se ele emperrou Agora não consigo mais desativá-lo Travou o sistema Eu é que não vou chamar o analista para consertá-lo - Segunda-feira, Maio 17, 2004
Estou condenado a ser livre Realmente, só pelo fato de ser consciente das causas que inspiram minhas ações, estas causas já são objetos transcendentes para minha consciência; elas estão fora. Em vão tentaria apreendê-las. Escapo delas pela minha própria existência. Estou condenado a existir para sempre além da minha essência, além das causas e motivos dos meus atos. Estou condenado a ser livre. Isso quer dizer que nenhum limite para minha liberdade pode ser estabelecido exceto a própria liberdade, ou, se voce preferir; que nós não somos livres para deixar de ser livres. Jean-Paul Sartre, O Ser e o Nada (1943), Quarta parte - Quinta-feira, Maio 13, 2004
Tarantino à lá Lobão Tá na Hollywood Reporter, revista gringa sobre a sétima arte: Quentim Tarantino defende a pirataria. Onde ele defendeu? Simplesmente em Cannes, onde o elemento preside o júri do Festival de Cinema. A treta é a seguinte: foi proibido na China a exibição de um dos melhores filmes que eu já assisti na minha, o clássico Pulp Fiction. A proibição dos orientais aconteceu por causa das cenas violentas do filme. Como a galera tava na sanha de ver Mr. Tarantino, piratearam a bagaça. De quebra ele elogiou a pirataria por permitir que certos filmes raros fossem encontrados. Como que é? Cenas violentas? Então. Tá. Na minha singela e débil opinião, a imprensa nacional e até internacional (afora as alternativas, é claro) simplesmente ignoraram o fato. Apesar das vozes das mega indústrias e dos eternos artistas não compreendidos, apoio totalmente o raciocínio do brilhante elemento. Aos que não conhecem o cara (aliás, deveria ser crime aos maiores de 20 anos de idadse nunca terem assistido um dos crássicos do Tarantino), dou a dica, além do Pulp: Jack Brown, Cães de Aluguel, e, agora nos cinemas ou num site prestes a ser baixado por você: Kil Bill 1. Dá pra encontrar versões em português de portugal free (então, né?) na net. Os que manjarem inglês já podem baixar na net o Kil Bill 2, também na rede. É isso. - Quarta-feira, Maio 12, 2004
Rebelião rock and roll da série sobrou uma ponta desse ai? Meus demônios internos estão à solta apressam-se a sair, querem mudar de onde estão e sair rumo a um lugar que ainda não sabem Ficam em crise de abstinência, querendo tudo aquilo que nunca lhes será dado, Aceitam as migalhas que caem das mesas pútreas e fétidas de um casebre imundo de um bêbado vadio, Arquitetam vingança contra algo que sequer terá forças para mostrar qualquer tipo de reação, Planejam destruição em construções abstratas, Estão com sede de fel e cospem as gotas do sabor de mirra que lhe são dadas, São inconsequentes e não pretendem o melhor, Gozam em becos escuros e sombrios com flashes de suas imaginações obscuras e perniciosas, São acariciados e andam de mão dadas com o infinito nos lúdicos do Parque do Terror, Levantam os braços e gritam, em rompantes de tristeza e alegria na montanha russa, São estrondos, que insistem em vir à tona, em meio a naufrágios de corruptelas dos sentimentos frios, calculistas e minimalistas. Sabem que, apesar de tudo, ficarão onde estão, dormindo num sono tranquilo com a marcha de bateria, dada pelo compasso de slaps de um baixo e grunidos de notas agudas e intensas de uma guita plugada na pedaleira. - Sexta-feira, Maio 07, 2004
Trash metal em marcha fúnebre ou Augusto dos Anjos blues É uma surpresa te ver. Achei que isso nunca mais iria acontecer, principalmente depois do encontro no velório, meses atrás, na farsa fúnebre. Havíamos protagonizado a cena tórrida de paixão, com lápide ao fundo, a foto do morto, que dentre minutos seria colocado na cova, a pedra do túmulo gelada, mas, entre os corpos, dispostos ali em cima, sexo quente, intenso e entregue. Outros choravam enquanto sentíamos prazer. O gozo. Por um instante nos deitados lado a lado, em cima da pedra, as estrelas no céu, a lua clara, cheia, e o vazio de pensar em nada. Vesti minhas botas, (certas coisas dão azar, há de se convir) levantei minhas calças, abotoei a jaqueta, ajudei-a a procurar a calcinha perdida em algum vaso das plantas dedicadas aos mortos. Arrumou seu cabelo, retocou o batom e voltamos ao velório, cada um de um lado do caixão. Afinal de contas, era um amigo consolando a amiga, que acabara de perder o companheiro. Choramos juntos, mais uma vez, seus pais me pedindo para que a consolasse, afinal de contas, eu era o grande amigo, que apoiou desde sempre aquele romance. Agora estamos aqui. Você com sua pele clara, corpo esguio, atraente e cheia de vida. Eu te desejando, mais gordo do que nunca, de cabelos cortados e com uma vida desregrada, cheia de descontroles. Espero que tenha a sensibilidade de, ao menos, puxar o gatilho rápido. Você, tão bem quanto eu, sabe que a arma está sem balas. A sua, também, eu as tirei quando você foi ao banheiro, dar um tiro. Pare de me olhar com esses olhos de quem só deseja quando pressente o perigo. Isso me excita e não vou me controlar. Tiro as balas do bolso e as coloco na arma, para começarmos de fato nossa roleta russa. Assim como um dia fizemos os três, naquele quarto de motel, antes do sexo conjunto e fatal. Que a saudade nos valha ao menos a dignidade. - Segunda-feira, Maio 03, 2004
Gótico Queria te enterrar Dessa vez prá valer Ver seu corpo pálido coberto de terra vermelha Queria te olhar Agora pela última vez Ver seus olhos estáticos sem poder me ver Te deixar num lugar esquecido Para nunca mais esquecer Que consegui te desenterrar do meu ser Mari P., my bro - |