Metralhadora Giratória

Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.



ESSES METRALHAM BEM
Marião
Sérgio
Ronaldo
Fernanda
Raquel
Adriana du Mal
Desgraceira
Lu, a boleira
Fausto à lá O´Neill
Eduardo Castanho
Fao Carreira
Marisola
Junior Leal
Mari P., my bró
Mão na Bunda

METRALHE
Vai, puxa o gatilho!


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Quarta-feira, Junho 30, 2004
 
Nostalgia putrefeita blues

Fui até aquele ponto
lá, onde várias vezes havia te deixado
lembrei que a covardia é a mãe para todos os males
que o ódio ao belo, feio lhe parece
que o fim é só começo
nem vi quando cai
num instantâneo o sol batendo em meu rosto,
o gosto amargo da bebida na boca, a dor
só a reação de sair correndo
em meus pés faltava o calçado,
a camisa já se fora
não me lembro do último golpe,
só me lembro do primeiro golpe, e de outros
até que tudo foi ficando escuro, no breu da noite,
a razão se fora, ao longe
e você, naquela esquina, petrificada pelo medo
te perdi e foi pra sempre
me perdeu e terá quando quiser
as escolhas por vezes não são as mais acertadas,
principalmente quando não se age com a razão, só
com o instinto de uma pseudo-estabilidade emocional
vou andando por essas ruas, no sol claro, todos me
vendo, sangue em meu corpo e você, bela, vestida e
ao longe, ereta, só que debaixo de uma ponte, que um
dia, muito em breve, irá desabar
feliz queda
-
Segunda-feira, Junho 28, 2004
 
Imagem

Vi aquela foto, amarela, entre as camisetas antigas,
o sorriso de soslaio, o olhar enviezado e uma testa
franzida, com ares de um misto de reprovação e
introspecção, no adeus sempiterno
Me lembrei de como era ter sonhos,
imaginar que um dia ainda iria ser feliz ao lado de
alguém, ganhando um salário, aguando as orquídeas,
enquanto o poodle latia ao ver os respingos da torneira
enquanto você, esticando os lençóis da cama, reúne a
roupa suja, coloca na máquina de lavar e aguarda o resultado
do assado no forno, abrindo a janela, complacente, vê a
criança correr no jardim, alegre e serelepe
Hoje, aqui sentado, enquanto ouço ao fundo o barulho das
máquinas de lavar da lavanderia, os carros buzinando e o
x-salada inacabado, depois de uma ressaca, fico imaginando
como seria se fosse diferente
Melhor que assim o foi, para não sentir uma tristeza ainda
maior, de uma solidão acompanhada, deprimente
Felicidade é o isolamento pleno, longe da célula, só fazendo
crescer a metástase da consternação da vida
-
Quarta-feira, Junho 23, 2004
 
Fear

De quem tem poder e da
forma incompetente que exerce
em nome de um bom senso,
ficam à deriva, perdidos,
num mar de solidão e complacência
de seus pares, também inertes, ao
andar das movimentações do status quo
-
Quarta-feira, Junho 16, 2004
 
Dreans

Pista de skate em shopping
rampas, acessos, grades descobertas
Garotos desprotegidos caem a uma altura
de dez, doze metros
se levantam, saem andando e percorrem o
mesmo caminho
o medo da dor, a vontade de ir embora
a despedida sem que nunca houvesse um
encontro, de fato
o desejo incontido, velado, a frustração e infelicidadse
opções diárias,
assim como uma garota que lê livros a respeito da solidão,
para entender a tristeza que sente e compreendê-la;
assim como um cara que tem câncer e esmuiça a literatura
médica pra saber quanto tempo de vida tem e quais as possibilidades
de morte, se a quimoterapia vai fazer cair muito ou pouco o meu cabelo.
Quais os tipos de tumor, coisas do tipo...
Faço isso meus períodos bons...
(com Pollyana)
-
Sábado, Junho 12, 2004
 
Martelando regurgitações

Não sou um elemento que gosta de justificativas.
É assim e pronto. Foda-se caso não goste.
Só gostaria de fazer alguns esclarecimentos.
Tõ sim fugindo. A cada dia mais sinto pavor da
raça humana. Conviver em sociedade é uma pena
muito cara para mim. Grupos então, nem pensar.
Continuo indo aos lugares onde gosto e com quem
eu gosto. Só não vou mais me render a turmas, seja
lá elas quais forem. Aliás, a penúria de ter de conviver
com o ser humano já é minha paga. A cada dia o sentimento
de arrependimento aflora, o caminho para aliviar a dor não
tem sido outro, perspectivas então, nem pensar.
Gostaria que fosse diferente. Tá difícil. No fundo, todos são
culpados, inclusive eu.
Abomino o sistema com todas as minhas forças. Regurgito
ao ouvir instituições tais como família, religião, trabalho, enfim,
sociedade num modo mais amplo de pensar e existir.
É lamentável saber que a dor ainda persiste, principalmente
enquanto não houver outra saída mais clara e óbvia do que o fim.
Só que o fim se constrói. Ele não vem de graça neguinho.
É ficar só com a bunda na cadeira se lamentando, ou martelando
teclas de um micro velho e surrado não vai adiantar nada. Vai!!!
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Quarta-feira, Junho 09, 2004
 
Sonhos

Te vi em sonhos, novamente
Eram lembranças de dor, desespero, morte,
Uma saudade provocada não sei lá pelo que,
Motivaram taquicardias, suores em pleno frio,
ansiedade e uma tristeza sem fim
Sei que não te dou tanta atenção quanto mereceria
Nem me motivo a fazê-lo
Sei que está partindo, depois de tantas lutas,
batalhas, conquistas, derrotas e vitórias
Aquele dia em que me pegou no colo, sangrando,
me olhando com olhos complacentes, eu sentia dor
e você dizia que nada podia fazer
Outra vez que correu conosco pelo campo, fugindo
do perigo, nas trevas, na cabeceira de uma pista
de avião, o barulho de animais, o medo
A tua coragem em dizer que tudo estava bem, mesmo
vendo meu pescoço na mira de uma faca e um cano
de revólver voltado para nós
Aquela toalha de banho completamente regada a sangue,
policiais indicando para que fosse até a delegacia,
você, complacente, dizendo que nada faria, apesar do
grande mal que fora acometida
Teu medo da solidão na velhice, era a resposta, para
não tomar uma atitude mais extrema
A mão amiga, mesmo quando eu estava completamente
errado naquela cama de hospital, quase cego, com nariz
quebrado, uma criança que se deu mal,
e você estava lá, do meu lado quanto absolutamente todos
foram embora, me deixaram ficar onde estava, só
Admirava e ainda admira ver tua força que até hoje eu não
sei de onde vem,
A força dos braços batendo as roupas no tanque, debaixo
do sol, a auto-estima, carisma e fidelidade sendo colocadas
a prova, sem motivo, chutes, socos e pontapés, você ajoelhada,
sendo vítima de violência, nós, pequenos, assistindo
O tempo passou. O que gerou violência hoje é vítima dela.
O que era vítima, se tornou o autor
E você ainda continua ai.
Só acho que não mais a mesma, está prestes a ir, eu, nada
a fazer. Torço apenas para que vá, assim estarei livre para
me libertar, sair de onde não quero estar e ir para um lugar
que ainda não sei
-
Terça-feira, Junho 08, 2004
 
Sartriniando

O inferno são os outros
J. P. Sartre

A palavra Humano é um adjetivo e seu uso como um nome é em si, lamentável.
William Burroughs

O peso do mundo é o amor. Sobre a carga de sua solitude,
sobre a carga de sua dissatisfação, o peso.
O peso que carregamos é o amor
Allen Ginsberg

Aparentemente sou algum especie de agente de outro planeta.
Mas não tive minhas ordens decodificadas ainda
William Burroughs

Poetas são amaldiçoados mas não são cegos.
Eles enxergam com os olhos dos anjos.
William Carlos Williams

Eu vi as melhores mentes da minha geração destruídas pela loucura,
esfomeados nus e histéricos, arrastando-se pelas ruas negras no poente
à procura de um rancor injetável.
Allen Ginsberg

Imaginação não é apenas sagrada, é necessária.
Não é apenas feroz, é prática.
Homens morrem todos os dias pela sua ausência, ela é vasto e elegante.
Diane Di Prima

O que você deixou de fora talvez seja o que você precise descobrir.
A verdade pode aparecer apenas uma vez. Ela pode não ser repetida.
William Burroughs
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Segunda-feira, Junho 07, 2004
 
Adeus e obrigado por aquele peixe

Convidei a solidão para passear,
ir na feira, comer pastel e ler jornais de domingo,
Ela me disse que queria ficar na dela, mas a
abracei e disse que estava ao seu lado
Mesmo assim a solidão insistiu, disse que
queria andar pela praça Roosevelt, tomar sol,
olhando os outros passarem
A convidei para tomar um café. Ela aceitou.
Logo a solidão foi reconhecida pelo dono do
boteco onde fomos tomar o pingado.
O tiozinho abraçou-a, agradeceu-a por tantos
anos tê-la acompanhado, não nos deixou pagar
o café e nos convidou para voltar a qualquer hora
(se bem que eu acho que ele queria mesmo era ficar com a solidão)
Sorrimos, nos despedimos e a convidei para comer
uma macarronada com frango e salada (típica de domingão)
A solidão disse que precisava ir e não poderia ficar.
Entendi a sua situação e, mesmo que sinta saudades,
até agora imagino que ela está aqui comigo, brincando
de playground, utilizando as artérias do coração para
pular corda junto com a depressão, feliz da vida ao
saber que está deixando alguém só.
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Sexta-feira, Junho 04, 2004
 
Ao mano Desgraceira

Tem um truta aqui no jornal que tô defendendo um, é um bêbado safado.
Não devo nem comentar que ele se tornou o meu melhor amigo aqui dentro, né?
Bem, fato é que ele mantém um blog, o Desgraceira (devidamente lincado ao lado,
ou aqui. Pois bem,
o elemento, o Olheiro da Desgraceira relata em seu blog
os lados B das matérias policiais que ele faz. Sim, ele é repórter de polícia,
como o mestre Nelson Rodrigues. Pois bem, dia desses eu fiz uma pauta
mó cabulosa a respeito do Juquery. Nem preciso dizer que só vi coisa
podre lá. Então, é só colar lá no blog do mano que tem o serviço pros cês.
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Quinta-feira, Junho 03, 2004
 
Da série: qual o motivo de gostar de algo

Certas coisas não deveriam ser comentadas. Simplesmente.
Mas não há como. Ouso dizer que me conforta ler certos
relatos de vida de alguns indivíduos. Não que eu admire
o estilo de vida de certas pessoas. Pelo contrário. Algumas
eu detesto, simplesmente. No caso desse cara, com sua
produção febril, é um exemplo de que ainda alguma coisa
vale a pena nessa bosta de vida.
Leiam, obrigatoriamente, o post Essa tal de ascenção social,
no blog do Brucutu Fundamental (by Marisola).
É isso.
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Terça-feira, Junho 01, 2004
 
Memórias póstumas de um suicida arrependido

Ficou tudo mudo, sem tempo, espaço ou
percepções outras do mundo ou dos mundos
Só senti a pontada, um estampido seco e a dor,
profunda, que se instalou
Agora não é mais dor
Parece que estou indo pra algum lugar, não sei
bem onde é
Será que encontrarei outras pessoas lá?
Terei companhia?
É que tava meio chato por aqui,
Tipo, acordar cedo, ir trabalhar, fazer textos
como se fosse uma pizzaria.
Ai um grita
- Solta uma quatro-queijos!
outro, repentinamente
- Como não tem marguerita? Eu sabia que tinha marguerita!
ainda um outro, querendo livrar o dele da reta:
- Mas você me disse que vinham 12 azeitonas!!!
E por aí vai,
Bebidinhas no buteco, amigos, sorrisos, dor de cabeça,
vômito, ressaca, sexo, desejo, traição, depressão, solidão....
Tava meio cansado disso tudo,
Decidi ir pelo caminho mais rápido,
Doeu um pouco mas talvez foi melhor
Mas parece que não tá lá muito legal aqui
Acho que vou voltar....
Por onde é o caminho mesmo?
Onde estão minhas mãos?
Como faço para devolver a bala que entrou na minha cabeça?
Cabeça? Cadê minha cabeça?
Putz, onde eu tô?
Não queria ter entrado naquele banheiro!!!
Maldita hora em que comprei aquele treizoitão no pico
Errada. E agora?
-