Metralhadora Giratória |
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Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.
METRALHADO
ESSES METRALHAM BEM Marião Sérgio Ronaldo Fernanda Na moita, mas achei Raquel Adriana du Mal Desgraceira Lu, a boleira Fausto à lá O´Neill Eduardo Castanho Fao Carreira Marisola Junior Leal Mari P., my bró Mão na Bunda METRALHE Vai, puxa o gatilho! |
Segunda-feira, Julho 26, 2004
O não-lugar Se sentir desconfortável em um lugar que dizem ser seu Estar em algo confortável e perceber que não se sente a vontade Querer o que todo mundo desprezou pelo simples fato do gostar Ter a projeção de um olhar, ao fundo, além do horizonte Onde a fumaça esvai além do que avista alcança Aqui, dentro deste carro, ao lado da colina, percebo que a vida é breve, e que esse precipício ao lado só serve para dar mais emoção às vidas, pessoas, o amor que partiu e disse que iria voltar em breve mas, quando vêm, mudou: de planos, objetivos, de gostos e prefere outra vida Só resta então virar a chave, ir em direção ao crepúsculo, acelerar, quebrar a lei da gravidade, fechar os olhos e ouvir o ferro retorcido, o vidro quebrando e o futuro que me espera - Quinta-feira, Julho 22, 2004
2.9 turbinado É galera. Mais um inverno, frio, facões dilacerando e a gente ainda por aí. Os sobreviventes estão convidados a encher a cara e fazer o que bem entenderem nesta sexta-feira, 23 de julho, no Outs, data de meu aniversário (sei, você vai dizer: grande coisa. Eu também!!!) Enfim, rola a partir das 23h30 (se o pescoção permitir, claro), no Outs. Se tá lendo essa parada saiba que está "convocado" a ir, gostando ou não do som (as bandas tão aeh embaixo). Rock na veia e dos bons. Obs: óbvio que as bandas não foram lá só por minha causa. Serviço "Vamos celebrar a estupidez humana - meu aniversário" Cola no pico: Outs - Rua Augusta, 486, Consolação. Telefone da bagaça: 3237-4940 ou 9729-7579 (meu celu) Rola a partir das: 23h30 (se o pescoção permitir, claro) até as 7h Mulheres: na faixa (isso é ótimo!!!) e só paga o que consumir Homens: R$ 10 (de consuma e se tiver o nome da lista) - BRECHT Em Verdade, ele viveu em tempo de Trevas. Os Tempos ganharam em luz. Os Tempos ganharam em trevas. Quando a Luz diz: Eu sou as trevas, Disse a Verdade. Quando as Trevas dizem: eu sou A Luz, não mentem Heiner Muller Aquele que diz, aquele que diz não ou o didatismo de defender a indecisão e a indiferença Recorro ao que pouco sei, mas que muito me faz refletir. Faço isso para defender o posicionamento de optar pela indecisão ou de não tomar partido. Há os que pensam que, por não tomar partido, já se tomou a vertente contrária, a da negação. Pois acho que o pior é tomar um partido precipidamente e ter como prima-irmã a decepção, já que muitas vezes as escolhas que fazemos não estão atreladas a verdades. São, diria, imposições da sociedade, convencionalismos toscos, pedido de respostas para o que não se quer responder. Venho então, diante desse meu exercício dialético em busca do direito e do dever de ficar isento, incluído fora do que não quero. Parto do individual_eu_ para o coletivo (quem lê essa bosta) para mostrar que é bom sim ser indiferente e desertar sempre que quero e posso. OIhar para tudo que está acontecendo sentado num banco de uma praça, enquanto tomo uma Coca-Cola com um x-salada com os últimos reais da carteira, vendo a multidão de carros passar, ouvindo os gritos desesperados vindos da janela, talvez de dor ou de prazer, constatar os passos apressados de quem vai para algum lugar, enfim, reportar tudo e cagar, solenemente. Não fará diferença se ficar ou se ir. Então, que não fique ou que vá, tanto faz. O que não existe é diferença em quem opta pelo sim, pelo não ou ainda os que, como eu, sempre preferem o talvez para saber se isso muda ou se continua. Em verdade, é uma não-resposta a uma não-amiga mais que querida, dentro de uma não-situação que insistimos em não-diferenciar. - Segunda-feira, Julho 19, 2004
Debutou Um garoto, um cão, cobertor fino e a carroça, todos debaixo do viaduto da Amaral Gurgel, boca do lixo, centro Passei à noite, com a boca soltando aquela fumaça, como se eu tivesse fumado, um capote me esquentando do frio, a chuva mesclada a um vento cortante O garoto estava lá, encapuzado apenas com um cobertor fino, olhando para o nada Passei e fiquei apenas olhando o cão, que com suas duas patas, repousava sua cabeça sem sequer se preocupar com o frio, a noite, a chuva... A marca da total desesperança, o olhar para algo que não estava lá, ou a vontade de que alguma coisa estivesse, sei lá Só penso nessas horas naqueles babacas sociólogos, filósofos, cientistas de merda que tentam explicar que estamos todos no buraco, sem fim Outros ainda pedem votos com a promessa de que vão melhorar Há os que, na boa vontade, dão sopa Seria sopa o que eles querem? O olhar daquele garoto pede um discurso de um idiota de um religioso que insiste em entregar aqueles panfletos com escritos que sequer eles vão ler? Dificilmente acredito que sim. Pra dizer a verdade, estão cagando (embaixo do próprio viaduto, a bem da verdade) pra tudo isso Querem apenas olhar para algo, sem saber ao certo o que é O cão, fiel, acolhe e dá companhia O cobertor, mesmo que fino, ainda mantém um pouco de dignidade E no fim, passamos todos e só olhamos para isso, sem nada fazer, fingindo que não temos culpa ou, aqueles mais politizados, pensam em escrever tais relatos, talvez em blogs, como o que faz o autor deste, como se de alguma coisa fosse adiantar É a prova concreta de que a esperança _se é que algum dia existiu_ foi estuprada ao sair do cabeleleiro no dia de completar seu aniversário de 15 anos, foi violentada com sexo anal, e este, necrosou, o que sobrou fela foi jogado e esquecido num buraco, já pútrea e fétida, enquanto os preparativos pomposos da festividade da debutante estão prontos, e os convidados a aguardam, anciosamente, sem sequer saber que nunca virá - Quarta-feira, Julho 07, 2004
Angorá vampira Cheguei e você nem percebeu, foi pela porta da frente estava toda dengosa trouxeu meus pêlos, te acariciei você não negou, por mais que quisesse, era bom ter alguém para ficar junto nas noites frias Até tinha dono, mas não tomei conhecimento, aproveitei você me levou para passear um dia, estava movimentado, até que encontrei meu antigo dono, fiquei com os pelos em pé, estagnada, você, nem deu adeus e se livrou, foi embora Voltei e te mostro minhas garras, retas e dispostas a ferir, o fiz aprofundo minhas unhas em tuas costas, passo pelo corpo todo, com ferocidade, deixando em você, rastro de tristeza, dor e mágoa destilei o que queria, agora bebo o sangue em minhas garras Em mim até que doeu, mas o que ficou arranhado foi a honra jurei que nunca mais voltaria, voltei para a ração que me cabe em minha cômoda toca Afinal de contas é melhor estar em um lugar certo, onde posso desfrutar de uma segurança que não sei até quando vai durar Melhor assim, mas prefiro continuar perto de meu dono e longe de você, até que um dia resolva novamente cravar minhas unhas afiadas, ai, acertarei sua jugular e vou me servir de seu sangue - Segunda-feira, Julho 05, 2004
Canção Louca A brava brisa brame E a noite é fria; Vem a mim, Sono, E abraça minha agonia. Mas arre! O dia prenhe Preenche já o leste, E as aves sonoras da aurora Da terra se escarnecem. Arre! Para os ares Da cúpula celeste Minhas notas partem, Fartas de pesares. Elas batem no ouvido da noite, Molham os olhos do dia Brincam com tempestades Enlouquecem a ventania. Como um demônio na nuvem Em uivo agudo, Pela noite eu procuro, E com a noite me curvo; Não me serve o leste Onde o consolo acresce, Pois a luz agarra meu cérebro Com dor frenética. William Blake - |