Metralhadora Giratória |
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Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.
METRALHADO
ESSES METRALHAM BEM Marião Sérgio Ronaldo Fernanda Na moita, mas achei Raquel Adriana du Mal Desgraceira Lu, a boleira Fausto à lá O´Neill Eduardo Castanho Fao Carreira Marisola Junior Leal Mari P., my bró Mão na Bunda METRALHE Vai, puxa o gatilho! |
Terça-feira, Agosto 31, 2004
A luz que não está no fim do túnel Ainda tentei ontem à noite vasculhar no fundo da gaveta do armário aquela peça deixada Percebi que era só poeira, ela não estava mais lá, o tempo já havia passado e a única certeza era de que não havia sonhos, vontades para se conquistar e desejos a se descobrir Até que tentei imaginar o que seria a vida se algum dia tivesse vontade de ter motivação Não me render aos apelos exdrúlos de uma esperança que tarda a chegar e que nunca virá pois está ocupada na esquina da Augusta, se prostituindo raivosamente com pútreos parceiros e sujas considerações de promessas de quinta Até tento observar pela fresta da porta, no escuro, imagindo que algum dia haverá possibilidade dessa porta abrir. Só a vejo entreaberta e eu, sem forças para sequer empurrá-la Prefiro então mais um trago, tendo a firme convicção de que algo extremamente destrutivo poderá e deve vir Só espero que não seja tarde, pois a pior possibilidade é de algum dia entrar num sistema e dele nunca mais sair, numa espécie de morte-vida que nunca acabará - Segunda-feira, Agosto 23, 2004
E sobre aquela azeitona... Sempre tentei te dizer que partir seria melhor do que ficar Nunca me lembro de ter te dado certeza de nada Mesmo se o fizesse não seria saudável pra você acreditar nisso e nem pra mim prometer algo que nunca poderia ansiar, sequer cumprir Espero que vá com toda convicção que imagina ter e que não se esqueça nunca que somos absolutamente responsáveis pela infelicidade, comodidade e tristeza dos atos que cometemos, independente da saída cartesiana que encontramos para todas essas coisas da vida Gostaria de lutar para me enquadrar nisso que você disse Infelizmente não posso pois existe uma gama variada de quilômetros de estradas que preciso trilhar Algumas com direção ao norte, outras ao sul e algumas ao leste, se bem que algumas vezes prefiro o oeste, atrás das verdes colinas, nos pés das planíceis, onde as pistas são dominadas apenas por caminhoneiros deslumbrados com a liberdade de acelerar com suas pesadas cargas E é assim, sem definir situações ou rumos que prefiro ser e estar, não deixando vestígios de apegos vãos às filosofias de vida de botequim, ou mesmo às formações ancestrais e até aristocráticas da sociedade flutuante, que, aliás, prefiro ver à deriva, sem rumo e à esmo E fica naquela função: a de continuar tomando aquela cerveja gelada, naquela cadeira do canto do bar, sozinho, curtindo um vento seco que vem do sudoeste e um sol de final de tarde, meio que pisado de sangue, ouvindo ao fundo aquele classic blues no junk box que dizia sobre a vida instável da azeitona num copo de martini seco e gelado - Domingo, Agosto 22, 2004
On the street As lágrimas se anunciavam em meio ao sorriso inerte, duro, vindo do fundo do peito Era seu irmão, relutante em querer voltar para o lar, agora ali, estirado, em meio ao terno, caixão e seis velas cedidas pela prefeitura Ao entorno amigos, poucos familiares, muitos de chinelos havaianas nos pés, roupas sujas O beijo na fronte, as mãos dadas com o cadáver e o arfar de uma saudade Tirada pela violência de pauladas desferidas em plena madrugada, em sua fronte, sem motivo aparente Não que tenha simpatia pelo cheio e sujeira debaixo do minhocão, ao lado da Amaral Gurgel, a 150 metros de casa...Apesar disso, nada é motivo para tamanha boçalidade Entre as palavras do padre Júlio Lancelotti, das trocas de farpas entre município e estado, flashes de TV, páginas de jornais, fotos, coletivas e outros, parei um minuto para pensar no assunto enquanto tomava uma cerveja trincando de gelada, no início de madrugada quente de domingo Sei que o que vi poderia ter acontecido comigo, se o destino fosse outro. Só não consigo entender a barbárie, o desejo de alguém desferir golpes contra indefesos do sistema Àqueles que só possuem um prato de sopa dado por entidades assistenciais madrugada adentro, que fazem dos papelões seus colchões, casas e lar no asfalto duro - Quinta-feira, Agosto 19, 2004
Convite Recebi hoje um convite que me deixou muito contente. Não posso falar por enquanto mas é algo de que gosto muito e que tenho muita vontade de fazer. Algumas poucas vezes me sinto realizado por minimamente saber escrever. E isto que farei será com uma grande satisfação. E fazer em breve dessa escrita algo que possa ser transformado em alguma coisa útil. O que faço hoje não é inútil. É sem sentido para questões práticas e necessárias de minha vida. Tudo em troca do vil metal. Vou ajudar um amigo mas, no fundo, irei me ajudar. A sair desse ostracismo e dessa vida de ermitão, de auto comiseração mesquinha, pútrea e insípida. Acho que irei gostar de voltar de um lugar que não deveria ter saído. Vamos lá. Sorte pra mim. - Domingo, Agosto 15, 2004
Remember à Marisa Te falei que havia restrição, que os mortos devem ter aquilo que fizeram em vida respeitado, que na verdade não gostaria de vê-la novamente naquele papel, daquela forma, mostrando tudo que sabe e ah.... como sabe. Sei que estou engando. Os mortos já tiveram a sua participação, Um dia vieram, fizeram o que pretendiam e agora, se foram. É de se lamentar, sentir a saudade no fundo do peito. Mas agora não há mais sentido. Os que ficaram continuam e o que se foi, que saiba de alguma forma que não é por maldade, nem por interesses, mas sim para manter viva a lembrança e um trabalho sério e dos bons - Sábado, Agosto 07, 2004
Em cima do muro tá confortável Outro dia estava pensando a respeito das várias vezes em me vejo obrigado a optar por algo, sem saber ao certo o que quero Aliás, pensando bem, nunca tive definições fechadas a respeito de determinado assunto ou escolhas Eu sou extremamente intolerante com a intolerância, daqueles que chegam e logo vêm impondo algo ou situação Quando eu acreditava nisso (sim, houve um dia) o terapeuta chegou e disse que eu era uma pessoa que não demonstrava amar ou odiar muito Se seentia (segundo a consideração dele) usava como tática não demonstrar Talvez (rs.rs.rs.) Fato é que defendo plenamente o direito de não ser obrigado a escolher nada Não é uma questão meramente de liberdade. É a possibilidade de simplesmente não tomar partido, ter opinião formada a respeito, amar, odiar, gostar ou não Isso obviamente não significa que eu me deixe levar pelos outros ou por situações Pelo contrário. Se quiser me impor algo, negue-o. Se quiser mostrar, esconda-o O único problema é que ninguém entende uma coisa tão simples dessa. Somos obrigados a ter uma certidão de nascimento, RG, trabalho, família, namorada, amigos, enfim, o esquemão da sociedade Lamento sinceramente os que não entendem que é perfeitamente possível viver sem tudo isso e muitas outras coisas. Vai-se levando, pra onde, não sei Mesmo porque, se soubesse, não faria tanta diferença assim - |