Metralhadora Giratória

Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.



ESSES METRALHAM BEM
Marião
Sérgio
Ronaldo
Fernanda
Na moita, mas achei
Raquel
Adriana du Mal
Desgraceira
Lu, a boleira
Fausto à lá O´Neill
Eduardo Castanho
Fao Carreira
Marisola
Junior Leal
Mari P., my bró
Mão na Bunda
Casa do Horror

METRALHE
Vai, puxa o gatilho!


This page is powered by Blogger. Isn't
yours?
Segunda-feira, Outubro 18, 2004
 
Catedral

É noite, quente, estou distante
Mesmo me parecendo familiar sei que
estou numa terra estranha,
Aliás, convivo em algum lugar não muito
familiar e sou estranho nele
Olho para os lados, por mais perto que tudo
possa estar, só vejo distâncias
entre as pessoas, sentimentos, relações várias
E isso é natural por aqui
É nesses desajustes que percebo que tudo se
equaliza dentro de um valoroso e cultuado caos
Abro os olhos, vejo a nova a iluminação acima
do campanário e percebo que realmente algo mudou
Dou mais um gole, pessoas conversam em volta do
bar montado em cima do sobrado
Alguém me disse que às vezes é tão bom que nem
dá pra acreditar que seja verdade ou duradouro
Mas de fato não o é sempre. Se alguém o for, me apresente
Conforme disse alguém, não faço o bem que quero,
mas o mal que não quero, esse pratico

Então sufoco tudo que quero, desejo, pretendo e sonho
em nome de dar vazão e conviver com o mal
Segundo disse o maior dos dramaturgos dessas paradas,
o mal pulou com ele na pisciana, mas o danado não se afogou
Outro poeta escreveu que o mal ia se regenar, mas ele não crê
Enquanto isso sou condenado a abafar o bem
Soltando o dragão, marca registrada que chamusca quem
tenta se aproximar mesmo que nada tenha feito
Se o coelho sair, que seja morto a pauladas e bebamos seu sangue
Só assim dá pra abraçar o vazio e dizer pra solidão abrir
mais uma enquanto vemos a luz da catedral se apagar,
as andorinhas do campanário darem espaços para corvos e
as faixas da autoestrada ficando para trás
-
Quinta-feira, Outubro 07, 2004
 
E já que Kill Bill 2 vai estrear
Ela sabe que isso foi escrito em sua homenagem

Do teto da janela do quarto dava pra ver os carros passando
Era o reflexo da luz e sombra da cortina
Ao lado o corpo nú, a pele alva, num sono leve e tranquilo
Existia uma feição de tranquilidade
Nada comparável ao sentimento de uma pessoa que acabara
de cometer um assassinato a sangue frio
Foram três facadas no pescoço após a discussão
Havia tomado um conhaque, destilado sua insatisfação,
necessidades e tudo o mais que precisasse
Não houve acordo. Recebeu um tapa no rosto e achou que
aquilo foi a última possibilidade de sobrevivência dele
Em um gesto silencioso, se levantou, limpou o lastro de
sangue no canto da boca, acabou de dar um último gole
no conhaque e ajustou a saia
Foi até a gaveta, escolheu a maior de todas, e, ao virar-se,
lá ele a fitar seus olhos verdes num misto de incredulidade e
surpresa
Antes de desferir o golpe pediu para ser chupada
Houve resistência, ele não acredita de que ela fosse capaz
E era
Depois de levar um chute no saco ele caiu de joelhos
Foi aí que ela abriu as pernas, e, de faca em punho, exigiu:
Me chupe!
Não tendo alternativas ele começou a acariciar a virilha, passar
a mão com um tanto de raiva. Ela encostou a lâmina e pediu que
ele fosse mais carinhoso...
Língua, beijos, líquido e suor até que ela gozou
Imediatamente tirou a faca do pescoço, se curvou e o beijou
De joelhos, ele olhava pra cima. Nem teve tempo de gritar
O corpo tomou pra trás. Ela levantou a calcinha, se recompôs,
trancou as portas, jogou as chaves no vaso de plantas ao lado
do elevador, deu um sorriso ao porteiro de plantão e veio até aqui.
Tocou minha campainha. Não havia como não atender
Explicou o que fizera e dizia estar carente
Se entregou num sexo intenso, quente, forte e veemente
Ante ao desejo, só pude atendê-la
Hoje me sinto orgulhoso de estar com alguém assim
Fria e quente aos extremos, assassina, ninfomaníaca e, ainda por
cima, dona de uma tara incontrolável
Sorte que estou em sã consciência e ainda restam duas balas
Espero apenas que o travesseiro abafe o estampido
E tomara que a barraca de pastel esteja aberta hoje, pois
sexo e morte me abrem o apetite
-