Metralhadora Giratória

Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.



ESSES METRALHAM BEM
Marião
Sérgio
Ronaldo
Desgraceira
Casa do Horror
Marisola
Fernanda
Adriana du Mal
Eduardo Castanho
Fausto à lá O´Neill
Na moita, mas achei
Mari P., my bró
Lu, a boleira

METRALHE
Vai, puxa o gatilho!


This page is powered by Blogger. Isn't
yours?
Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005
 
Mar Adentro

Meio que a contragosto fui assistir Mar Adentro,
filme que levou o Oscar de melhor película estrangeira.
Não pelo fato de ter ganhado o Oscar mas por abordar
uma questão minimamente interessante ao meu ver.
O direito de morrer. Suicídio não é um crime. Ou seja,
se a própria pessoa tentar cometê-lo, não poderá ser punida.
Fato é que isso não inclui a ajuda ou estímulo de terceiros.
Aí sim será imputado crime e pena, conforme prevê o artigo
122 do Código Penal, que aborda essa questão.
A pena para quem incitar ou auxiliar a outra a fazê-lo é de dois
a seis anos de detenção.
Me questiono seriamente quem tem a diretriz e possibilidade de
determinar seu futuro. As pessoas próximas tentam demover
da idéia, mas, em determinadas situações _ou em quase todas_
pensamentos de morte são saídas para fugir de coisas que as
pessoas não querem. Daí minha crença no fim. Egoísticamente
todos dizem que isso denota desequilíbrio. Penso diferente e
creio seriamente que aqueles que optam por isso são sim é
equilibrados e até certo ponto sensíveis. Não se conformam em
ver as coisas como são mostradas pela sociedade, são contrários
a pensamentos, dogmas e posições adversas às suas a ponto de
jogar a toalha, game over, etc. E vamos ser bastante sinceros e
não tapar o sol com a peneira: qual é absolutamente o problema
se uma pessoa não quiser mais estar por aqui. Encher o saco de
tudo isso e chegar a conclusão de que não há mais sentido em
respirar, em se conviver com as pessoas que está e não sentir o
gosto de algo por saber que em breve lhe trará um desgosto?
Desistir, simplesmente. Olhar para o sol e perceber que tanto faz
se ele brilhará ou não, comer algo e não saber o motivo pelo qual
se faz isso ou ainda dispensar sentimentos em algo que não se
sabe praticamente para que, onde e como. É questionável tal
posicionamento tendo em vista a formação religiosa, social e familiar
que tenho. No entanto, o que quero é tão só e simplesmente exercer
plenamente os direitos que me assistem, inclusive o direito de
não ter mais direito a nada e dar no pé.
Aviso aos leitores deste acecla blog. Não faço apologia a isso,
apenas estou verborragicamente colocando meu posicionamento e até
desejo, mas, acalmem-se: enquanto pessoas como você existirem,
ainda penso em ficar por aqui incomodando.
-
Sábado, Fevereiro 26, 2005
 
E O DIA DE SP VIROU NOITE

Não, na sexta a pior notícia não foram alagamentos, árvores caídas nem
mesmo brigas e desilusões. O pior foi estar sentado na minha cadeira,
em frente ao computador e ser avisado pelo mano Desgraceira: Velho,
é um diretor de teatro, você não conhece?.
Ele apontava o dedo
para um dos dez monitores de TV da redação. Levantei perplexo e vi, no
mesmo momento, a imagem acima. É de Lino Rojas, uma grande
pessoa. No último domingo (20) ele estava num bar próximo a República.
Depois não mais foi visto. Viram apenas os saques de sua conta bancária e
seu carro queimado, abandonado em São Miguel (zona leste).
Passei três meses trabalhando diariamente com ele. Compartilhei de seus
ensinamentos e ele sempre elogiava o "tom crítico" com que eu observo a
imprensa. Não vou comentar o que meu ceticismo profissional sopra em meu ouvido.
Vou apenas fazer coro à voz dos filhos (brothers que não via há algum tempo mas
que se lembraram perfeitamente de quem eu era) e torcer para que ele apareça
com seu sotaque peruano-brasileiro dizendo "Está tudo bien".
-
Sexta-feira, Fevereiro 25, 2005
 
Borderline

Minhas feridas são lembranças
De que algo continua sem solução
A força usada não elimina sentimentos
As palavras cortam e sangram o coração
Criam mágoas e ódios, mas alguém me disse
que o tamanho do ódio é o tamanho do amor
Preto e branco, lua e sol, bem e mal
Gavetas vazias, espaço sobrando, a falta de algo
Lacres de latas de cerveja e nenhum vestígio
Um tsunami verborrágico sem fim
Se não há perspectiva, é acordar todo dia e saber
que antes de dar o primeiro passo na rua já está fudido
Até tentar fazer com que a liberdade negocie com a solidão
Um modo de apagar da lembrança algo que não cessa
E a esperança de que a transcendência acorde
E varra como um tsunami essa imanência e algo que atrapalha
Esquartejar a cabeça do senhor Déjà vu e colocá-la numa
estaca e mostrá-la em praça pública da solidão, que ninguém visita
pois tudo que estará a sua volta é pútreo
-
Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005
 
Conhaque punk

Execro toda forma de moralismo
Cuspo nas tuas poesias e letras de música tortas
Ignoro e abomino qualquer sentimento que
não seja o ódio e o desprezo absoluto
Indiferente é pra mim o que já não é hoje tal como passado
E tentar viver de uma forma diferente
Seguindo padrões preestabelecidos de uma
sociedade que formata o cérebro e o sentimento
Que não respeita o individualismo e nem o desejos
Fiel até na infidelidade, assim o é
A angústia de existir e negar essa realidade
E dizer que objetos jogados numa sacola não tem valor
Mas as palavras e sentimentos carregam dentro de si
preciosidades que esvaem do profundo do peito
e ecoam em minha intolerância solene
Quiçá pudesse acreditar em mudanças e melhoras
Mas o que vejo não motiva sequer a largar a última dose
E fazer dessa a primeira para o fim
Mas se ao longe enxergar a luz do Sol, saiba que ele me
deixará triste, e aqui ficarei relembrando que não há motivação
além daquela que me demonstra no copo de conhaque
-
Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005
 
Ilusão de ótica

"A Arte não é a verdade. A Arte é uma mentira
que nos ensina a compreender a verdade".

Pablo Picasso

Olho neste espelho e vejo cabelos,
curtos, desajeitados, fora dos redomoinhos,
observo traços de um rosto com expressões
cansadas, marcadas e tesas
flacidez de uma fisionomia, a altivez dos olhos,
mesmo que descansados, com sinais de batalha,
vontade, desejo e força incomum na áurea.
A gilete afiada corta o espelho, tenta desfigurar
a face da morte expressa e declarada
Fico em cima da moldura do espelho, descascando
a massinha para que ela solte de vez o vidro que
reflete a alma, o vazio, a desesperança e a loucura
O espelho cai, se parte e os cacos, mesmo que
desconexos, refletem partes da imagem
Estilhaço e faço o vidro em pó, pego-o com
minhas mãos, próximo a boca, solto um sopro que
fazem as particulas se esvaírem no ar
Agora sim, posso pegar o pente, lavar as mãos e
sair do banheiro sem ser notado por ninguém.
-
Sexta-feira, Fevereiro 18, 2005
 
Recebi uma ameaça

É alguém que tá meio zangadinho porque perdeu algo que gostava.
Teve a manha de ligar no meu trabalho e dizer que era melhor para minha
saúde eu me afastar de alguém. Tentei conversar com o cara mas ele,
apesar de seus dotes digamos "filosóficos", não quis filosofar comigo.
Bem, triste esse negócio de em pleno século 21 alguém considerar
que a violência é a saída. De qualquer forma, por pouco que todos me
conhecem, o azar vai ser única e absolutamente dele.
Oh, dó.
-
Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005
 
Do velho Buck

Eu estava francamente horrorizado com a vida,
com o que uma pessoa tinha que fazer simplemente para comer,
dormie e se manter vetido. Por isso, eu permanecia deitado na cama e bebia.
Quando bebemos, o mundo continua existindo lá fora, mas não está nos agarrando
pelo pescoço.

em Factotum
-
Domingo, Fevereiro 13, 2005
 
Índole

Naquele dia que você me encarou e arranhou meu braço
Estava convicto de que adiante a mim estava alguém de fibra
Que lutava pelo que queria e não tinha receio algum de demonstrar
Só que te joguei pela janela e vi seu sorriso enquanto largava sua mão
Aproveite as luzes da paisagem da queda
O caráter não se molda sem se muda
Se constrói e se mantém
O erro aconteceu e não foi bem aceito
Ele está à espreita e não se rende a sacralidades
É moralista e não se entrega em futilidades como a de
segurar uma água de coco para quem se ama
Porque sabe não ser puro mas tem ânsia de rua Augusta
Hoje eu sou o que não queria ser
Até há pouco queria o que não poderia ser
Por mera impossibilidade de entendimento
E pessoas que preferem o risco ao lugar seguro
A pior tristeza do ser humano é não reconhecer o fim
Suportar a dor de não mais ter aquilo que queria
-
Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005
 
I don´t belive

Em
palavras sussurradas ao ouvido na cama, no sexo
promessas feitas em banhos de chuveiro
indecisões infinitas
ausência de transparência
coletivos e pluralidades
idas e vindas
mudança de humor
silêncio
-
Segunda-feira, Fevereiro 07, 2005
 
Uivos noturnos

Antes eu tinha a noite como minha parceira
Eu servia uma dose e ela me olhava entre
blasé e agradecida na batalha de enfrentar
a solidão de algumas horas
Íamos longe e sempre nos entendíamos para
o que quer que fosse
Parceira insubstituível com suas estrelas, cores
e nebulosas sempre à mostra
Mas a Lua logo veio e a engoliu
Hoje a procuro nos becos, em bares undergrounds
do Bixiga e em copos diversos. Ela não está
Levantei lençóis, colchão, tapete e desmontei meu
guarda-roupas. Juntei tudo e botei fogo
De nada adiantou
Na sacada, matando o que restou do Chateau demi sec
e o gouda que ficou na geladeira, me pergunto porque
veio se tanto me desdém. E a Lua, que te roubou, me dá
um sorriso semi-cerrado. Só confio no Sol, que em breve
me vingará de tudo que me tirou
-
Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005
 
Cotidiano

Olha pra frente e percebe que algo acabou
No fundo dá uma vontade de ver o que ficou
Olhar pra trás e observar o porque, quando,
onde como e se rola reloaded
Tomara que não
Enquanto isso tomo essa Coca-Cola e como
esse pedaço de pizza naquele mesmo bar
arqueado no balcão, vendo os bêbados e o
pessoal sentando a napa
lembrando de momentos que passaram como
relâmpago e geraram desprezo e dor
Assim como a cinza do cigarro que é jogada fora,
puxa pra dentro, traga e desiste de queimar o próximo
no seu maço de cigarro
É um modo desertor de viver, estar ali e aqui
sem saber ao certo qual é a próxima parada
e qual é o próximo abraço
Se rolar, tá valendo, mas com uma alegria fantasiada
de dor e sentimento de desprezo
E acordar todo dia e perceber que tá fudido antes mesmo
de cruzar o portão do prédio
Mas se for diferente e ficar, até que rola aquele vinho, queijo,
beijo, abraço e prazer ardente
-
Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005
 
Exercício inacabado. Manoel de Barros urbano o piolho que caiu no meio do algodão doce da adolescente punk que passeava na Galeria do Rock no sábado à tarde

Piolho cegueta tentando puxar um papo com os fios do algodão-doce
Aqui tem um cheirinho bom. Não sei quanto a vocês mas eu acabei de chegar. Tava no cabelo de um velho mendigo que ficava lá na praça da Sé, na entrada do Poupatempo. Até que não era ruim não. Ele nunca lavava a cabeça. Esse era o problema. Se lavasse talvez eu cairia, mas, não lavando, ficou um fedor só. Eu é que não agüentei o cheiro. Voei até chegar aqui. O vento ajudou legal. Se bem que é pertinho. Não tive dificuldade não. Na verdade eu só precisei desviar de uma fumaça que saiu do escapamento de uma scooter. São pequenininhas essas motos mas dão um trabalhão, né?. Outro dia o Zé se arrebentou todo. O Zé um piolho muito amigo meu. Ele tava saindo do cabelo de uma perua e foi tentar ir pra cabeça do filho dela, um estudante de cursinho que ouvia Strokes e Mettalica. Bem, nem precisa dizer que o sujeito, afora um péssimo gosto musical, e, além de ter um cabelo cumprido, não o lavava descentemente. Bela casa! Essas é que dão menos trabalho. Lava de vez em quando, não corre o risco de ser morto porque os caras só dão uma cocadinha de leve...Ainda tem as mãos das namoradas deles....Macias, cheirosas......Bem, o Zé. Ele voou da cabeça da perua em direção a cabeleira do rapaz. O que o Zé nem imaginava era que o cara tinha uma dessas Scooter. Nem precisa dizer né. O cara tava andando sem capacete, o Zé não conseguiu se segurar na ponta dos cabelos, soltou do cabelo do cara, foi envolvido numa fumaça que saiu do escapamento e vinha logo atrás e pronto. Estatelou-se no chão. Foi levado pela corrente de fumaça. Quase foi fatal. Sorte dele. Só teve a perna quebrada. Hoje vive meio inválido. Nem consegue mais se agarrar nas cabeças, coitado.A gente se viu na semana passada. Tudo começou quando eu ouvi um pedido de socorro de uma voz que saia com todo desespero possível que você possa imaginar. Era familiar. Olhei pra cima, do lado, pra frente, corri pro topete pra ver se conseguia enxergar melhor... e nada. Não conseguia ver de onde saía. Não tinha ninguém por perto. Claro, geralmente ninguém fica perto do mendigo, principalmente quando ele pede esmolas. Decidi olhar pra baixo. Vi um cachorro, todo feliz balançando o rabinho e lambendo as feridas da perna do velho mendigo. Impressionante a debilidade mental do cão. Lamber as feridas do velho e ainda abanar o rabinho. Pode? Vá ce masoquista assim lá no canil! Então, a tal da voz desesperada a pedir socorro. Era o Zé. De lá de baixo. Não pude fazer nada, né? Azar do dele pôxa. Fazer o quê? Eu não tinha como descer. Ele voou e nem sei se sobreviveu. É o destino. Cada um tem que seguir o seu caminho. Veja o meu caso por exemplo: mudei porque quis. Disse pra mim mesmo: já sou um piolho experiente, autodidata sei, mas com um currículo de dar inveja em qualquer outro. Vejam só: fiquei na cabeça de um monte de gente. Passei bons e maus momentos. Toda vez que entrava numa cabecinha nova logo vinha a professora, a mãe e mais sei lá quem dizer assim: precisamos passar um pente fino aí, hein? Perseguição pura. E aqueles que usam veneno branquinho? Já cansei de almoçar o pó. Além de ser super gostoso dá até um barato. Os idiotas pensam que com um cara experiente como eu vai morrer com isso. Coitados. O pior de tudo: unhas dos dedões. Uh..... Dá um frio na espinha só de ver aquela curva grandona na minha frente. Mas, experiente como sou, já escorreguei de muitas. Depois é simples. Você espera alguém ficar deitado, pula logo na ponta e vai subindo. Ando sempre com meu equipamento de alpinismo. Sapatilha, cadeirinha, agarras, mosquetão, corda, machadinho...Não tô vendo nada disso em vocês. Como conseguiram ficar aqui? Aliás, porque ficam tão juntos assim? Não é racismo não, mas cor-de-rosa? Hahahahaha. Hum.....Hehe......É. Tá. Não tem muita graça. É que já vi piolho amarelo, preto, até alguns meio avermelhados, mas cor-de-rosa? Nunca vi igual. Vocês não são integrantes do GLBT não né? Se for, tudo bem. Não descrimino não. Até pensei em fazer figurino pra teatro. Sou um cara culto. Vou direto com as pulgas nas sessões de filmes do Espaço Unibanco. Até já assisti um filme do Fasbinder ¿aqueles com atrizes marroquinas no elenco, sonoplastia de um africano, co-direção de um israelense e produção de um sul-coreano. Bacana essa história de contar o que acontece começando pelo fim.. E por falar em música aqui é diferente. O povo, tudo de preto, ouvindo só rock. Como se chama esse lugar mesmo? Galeria do Rock, né? Sei. Só tinha passado aqui na frente. Foi com o velho. Ele sempre vinha pedir esmola na Igreja dos Pretos ai. Até que conseguia uns trocados. Apesar de ser quem é, sortudo o sujeito viu. Assim que conseguia o dinheiro, saía da igreja direto para o bar. Comprava uma garrafa inteira e bebia. Parecia feliz, apesar de sempre estar só. Bem, pelo que vejo vocês não são muito de conversa né? Tudo bem. Entendo. Nossa, ficou escuro. Subindo.....Pra onde será que a gente tá indo? Segura....Uau!! Tá melhor que montanha russa do Playcenter....

Piolho morre esmagado em meio aos fios de algodão-doce. A pressão do piercing da língua da garota em contato com o céu da boca dela (enquanto ela salivava para engoliar o algodão-doce) o matou. Pobre piolho. Descanse em paz.
-