Metralhadora Giratória

Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.



ESSES METRALHAM BEM
Su
Marião
Ronaldo
Desgraceira
Casa do Horror
Marisola
Fernanda
Adriana du Mal
Katarse da Rô
Fausto botequeiro
Na moita, mas achei
Lu, a boleira
Raq
Mão na bunda
Miscelania da Lu

METRALHE
Vai, puxa o gatilho!


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Terça-feira, Maio 31, 2005
 
Casa comigo que te faço a pessoa mais
feliz do mundo. A mais linda, a mais amada,
respeitada, cuidada... A mais bem comida. E
a pessoa mais namorada do mundo e a mais casada. E a mais festas,
viagens, jantares... Casa comigo que te faço a pessoa mais realizada
profissionalmente. E a mais grávida e a mais mãe. E a pessoa mais
primeiras discussões. A pessoa mais novas brigas e as discussões
de sempre. Casa comigo que te faço a pessoa mais separada do mundo.
Te faço a pessoa mais solitária com filho para criar do mundo.
A pessoa mais foi ao fundo do poço e dá a volta por cima de todas.
A mais reconstruiu sua vida. A mais conheceu uma nova pessoa, a mais
se apaixonou novamente... Casa comigo que te faço a pessoa mais Casa
comigo que te faço a pessoa mais casa comigo que te faço a pessoa
mais infeliz do mundo.

Michel Melamed, em Regurgitofagia (o cara fez um livro e virou peça)
É vergorragicamente bom
Tá em cartaz no Aliança Francesa

-
Quarta-feira, Maio 18, 2005
 
Mezzo a mezzo
É necessário sempre estar entre um e outro
Ah, tá. Assim se equilibra a vida. Sei
Culpar o psiquê e falar que é algo inconsciente
E a materialidade da porra entrando
E o suor pingando
Ah, desculpe, foi porque é necessário equilíbrio
Pessoas relutam em aceitar seus demônios
Os vestem de anjos e os deixam ao largo
Fazendo vistas grossas e, quando saem, dizem
que ainda não foram a lugar algum
Optar por não estar em um nem em outro é estar
em lugar algum. Ocupar o vazio, tipo coluna do meio
E viver só de empate
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Segunda-feira, Maio 16, 2005
 
Blasé

Prefiro arregaçar minhas feridas
E esfregar com palha de aço um
ávaro teco de mirra
E te olho ao longe, sorrindo
E desdenhando de tal dor
Se possível, que seja assim
Um adeus intemporário que se volta
E irremediável dotado de situações
Lúbugres do meu coração
Que letalmente balbucia e triste chora
Para um sempiterno reconciliar
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Quinta-feira, Maio 12, 2005
 
Fastio

Meus neurônios estão dando uma festa
particular dentro de minha caixa craniana
Sequer avisaram o síndico (eu)
Caiu uma língua de sogra agora há pouco
E vivem estourando balões inadvertidamente
Liguei o fogo, coloquei a frigideira, embalsamei
com óleo e fritei a massa cefálica
Só faltou um pouco de sal, mas tá descendo bem
Regurgitei a minha dignidade
Tentei, em meio a tudo que expeli, encontrá-la
Veio o cérbero e lambeu e a levo
Esfacelos foi o que encontrei
-
Terça-feira, Maio 10, 2005
 
Game over
A pior tristeza da condição humana é
não saber quando o fim das coisas chega

Tereza, em Transex

Às vezes é necessário
apertar o botão do eject
Botar outra música para tocar
Silenciar o trash metal e dar chance ao jazz
Trocar as batidas ferozes de bateria,
distorções de guitarra, sleps de baixo e
grunidos de vozes raivosas por
harmonias, melodias e a voz doce e suave
E sair, mesmo que seja pela porta dos fundos
sem ser visto por nada nem ninguém
E deixar bem ou mal saírem, simplesmente
Dar chance para o melhor, ou pior, quem sabe
Cuspir o sangue e o dente, ajeitar a luva e
esperar o próximo cruzado de direita
ou tentar encaixar um jeb fatal
Mas se cair, que o beijo na lona seja eterno
-
Domingo, Maio 08, 2005
 
pra você mesmo
(auto-elogio)

Você não gosta quando eu abro o berreiro, mas estou numa
depressão horrível, me pego sem esperanças e com medo
do que virá pela frente nas nossas vidas. Será que conseguiremos?
Além disso, sou muito sentimental, como a maioria das mulheres,
e sonhadora, e delicada. Mas você, um ogro, indisciplinado, bruto,
grosso e, muitas vezes, mal educado, repele essa minha fragilidade,
exposta em lágrimas. Você sempre diz que eu estou exagerando.
Sou uma mulher sensível, sim. Quando estou triste como ontem, você
saberia me dar conforto, mas não tenta. Pegasse na minha mão e me
chamasse pra conversar e veria o que aconteceria. Não é respondendo:
"Em matéria de ignorar eu sou pós-graduado". Não quero que a gente
entre nessa roleta-russa, revidando provocações, dando o troco. Estava
te chamando a atenção pra minha chateação, ocorrida por aquele papo
chato, e pela sua insistência em olhar pra mesa ao lado. Mas você não
quis chegar junto, preferiu me intimidar, como se dissesse: "Eu sou mais
forte que você. Nem tente se rebelar".
Você é um machista, conservador, e eu vejo muito de você no meu pai,
que é um homem que eu admiro muito. Te admiro, embora reclame. Mas
acho que a gente tenta sempre elogiar e dizer o quanto a gente ama,
mas quase sempre falhamos, e nos xingamos, e nos espancamos.
Eu falo uma coisa e você entende outra, e vice-versa.
Não é só porque eu tive alguns comportamentos de macho na minha
vida e seja desligada às vezes (coisas de aquariana) que eu não seja sensível.
Não quero também que você se torne um homem sensível, daqueles
que vão à Parada Gay pra fazer uma média e dizer que admira as
diferenças, o show de cores dessa festa. Continue comendo aquele
PF no boteco, criticando os filmes cabeça, apreciando os trashs,
blockbusters americanos, lendo Bukowski, vibrando com filmes
de sangue, luta e morte. Sensibilidade está além disso. É saber
ouvir, compreender, tocar, silenciar, ou falar quando precisa.
E, sobretudo, respeitar.
Ah, e você diz que eu sou indecisa. Minha decisão já está tomada,
mas ela precisa esperar um tempo para ser colocada em prática,
e você precisa concordar. Sabe de uma coisa? Não é porque estamos
juntos há pouco tempo. Também é, mas não só. Cada um dita o seu
ritmo. O tempo certo a gente vai saber quando houver o dinheiro e quando
a vontade de estar junto extrapolar os limites geográficos. A hora certa é
medida pelo sentimento de querer mais um ao outro. E cada história é
diferente da outra. Há os que querem namorar em casa, no portão, noivar,
preparar o enxoval, e casar. Outros vão "morar junto", sem papel assinado
ou aliança. Há outros que casam-se e moram em casas separadas.
Enfim, comecei com uma coisa e terminei com outra. Mas era mais
ou menos o que eu precisava dizer hoje.
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