Metralhadora Giratória

Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.



ESSES METRALHAM BEM
Marião
Ronaldo
Espelho trincado
Desgraceira
Casa do Horror
Marisola
Fernanda
Na moita, mas achei
Adriana du Mal
Katarse da Rô
Betty Davis
Fausto botequeiro
Foda-se essa merda
Lu, a boleira
Raq
Mão na bunda
O dependente
Miscelania da Lu
Fiorin

METRALHE
Vai, puxa o gatilho!


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Quinta-feira, Setembro 29, 2005
 
About

Coisas que nunca decidi falar
E também fazer
Onze por oito é um bom índice para a pressão
Até que o sangue não pulou das veias
E inchou a cabeça
Revirando o que sobra do estômago
Água quente e uma boa vasilha
são suficientes com alecrim
Se bem que prefiro gergilim
Mas pesadelos se avizinham
E degolam gargantas, esfíncters
Um cheiro agradável
Regurgito maracujá
Doce, acre, azedo e livre
Para nunca mais voltar
-
Quarta-feira, Setembro 14, 2005
 
See you

Um aceno de uma janela, o abraço de despedida
A ferida aberta, o sangue e o pús que jorra
O caminhar de quem se vai, sem olhar para trás
A corisa quando se pressiona a narina
As roupas jogadas em uma mochila e ticket da passagem
O jorro do regurgito na bacia do banheiro
A cor púrpura no fundo do copo
O segurança flagrando a mijada no muro
O aperto de mão, o afago no cabelo
O sêmem limpado com papéis absorventes
A lágrima que foge e dissipa ao vento
-
Terça-feira, Setembro 13, 2005
 
Sartriniando
Tínhamos sonhos, esperança em algo,
a final da década de 80 e início dos anos 90
Tudo que a gente queira era prestar vestibular,
fazer faculdade, se formar e trabalhar
Enquanto isso o Homem do Sapato Branco, o Chacrinha,
o Bolinha e o Balão Mágico estavam lá,
Encontrar alguém, talvez ter filhos, com o dinheiro
do salário comprar uma casa, carro do ano e viajar
Teríamos duas férias: julho e dezembro
Iríamos ao parque alimentar os pombos nos finais
de semana e feriado,
Ouvindo Ramones, Clash, Raul e Legião a vida era
um pouco mais amena
O tempo passou. A grana não deu pra pagar a faculdade,
veio a dívida e a atitude incontrolável de ficar com várias
pessoas, encher a cara assim como nos velhos tempos
Hoje a maioria está só. Não por falta de ter alguém
mas por uma forma de vida, a de não investir em nada
Programas de TVs podres, as merdas dos Big Brothers,
Casa dos Artistas, loiras oxigenadas e morenas putas, mães
de filhos de roqueiros ou apresentadores gays
Não temos a casa que desejávamos, alugamos um apartamento
e rachamos alguns quartos com amigos, ou moramos em
pocilgas com apenas quarto, sala e banheiro
Temos de aguentar as lotações, metrôs e, ainda bem, existe
o cartão que dá pra rodar em ônibus duas horas seguidas
Não vamos viajar única e exclusivamente por falta de grana
Uma ida à praia num find já é uma vitória
O som se mantém, apesar de quase todos os Ramones se forem
Férias não tiramos pois não chegamos a completar um ano
em um único trabalho,
Também não alimentamos pombos nos parques, algumas vezes
apenas os olhamos nas praças sujas das calçadas fedendo a
moradores de ruas. Aliás, não vamos aos parques devido aos plantões
Enfim, sobrevivemos e existimos. Ponto.
-
Sábado, Setembro 10, 2005
 
Inhaled in the rabbit
E não responsabilize ninguém por
sua infelicidade. Ela é inevitável


Aproveitando os confetes, jogarei os meus.
Em cartaz no Satyros 2 (ex-Teatro X), na
indefectível Praça Roosevelt, o espetáculo
Homens, Santos e Desertores.
Bem, trata-se de uma montagem de Mário Bortolotto,
com o monstro Gabriel Pinheiro e Direção (com
D maiúsculo sim) de Fernanda Dumbra.
Extremamente resumido: é o encontro de um garoto
e um homem. Nada mais.
Fato é que o melhor persoangem não aparece em cena,
apesar de estar tão bem delineado pela excelente (a melhor)
essência de texto produzida até agora por Bortolotto.
É o pai do garoto, um desertor no sentido amplo que
essa palavra suscita em todos nós.
Já ficou à margem alguma vez na vida, ou se sentiu
deslocado, tipo num lugar que não é teu.... E ai sentiu
a vontade incontrolável de pegar a mala _que sempre está
a postos em algum canto, claro_ e queimou estrada.
Mesmo tendo o que chamam de família, filho, mulher, etc.
E imagine-se então dirigindo uma envenenada de duas
rodas com guidão chopper bem acompanhado de um amigo.
E se o destino for algo do tipo México. E sua ida não é para
fugir de absolutamente nada. É pelo simples e óbvio motivo
que a indiferença se instalou, simplesmente. Ou estava lá
dentro, intrínsica e pintou. Aí o cara não vê lá muito sentido
em ajudar quem quer que seja _não que não queira ou
o faça propositalmente. Simplesmente não se importa se tiver
chegado de alguma viagem e lembrar que tem algo naquele
ponto e ver sua mulher sentada no colo de um outro cara e,
inadvertidamente, olhar para ela e dar um beijo no seu rosto
e colocá-la no lugar novamente. Ou então assistir a uma TV e
sorrir enquanto o pimpolho lhe dirige a palavra. Sim, existe.
E é um dos maiores motivos de ter assistido essa peça pela
oitava vez. E assistirei nove, dez, 11,...20...seja lá quantas forem.
Vá e confiram, simplesmente.
Texto: Mário Bortolotto
Direção: Fernanda D'Umbra
Com: Mário Bortolotto e Gabriel Pinheiro
Onde: Espaço dos Satyros 2 (pça. Franklin Roosevelt, 184, Consolação, SP, tel. 0/xx/11/ 3255-2829)
Quando: sáb. (21h30) e dom. (20h30); até outubro
Quanto: R$ 15
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Quarta-feira, Setembro 07, 2005
 
Extrato

Lanche de rúcula com tomate seco, peito de peru e pão musli
Suco de abacaxi com hortelã
Granola com iogurte de laranja, cenoura e mel
Sim, é funesto, fúnebre, lúgrube e sepulcral admitir
Mas eu comi
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