Metralhadora Giratória |
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Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.
METRALHADO
ESSES METRALHAM BEM Marião Ronaldo Espelho trincado Desgraceira Casa do Horror Marisola Fernanda Na moita, mas achei Adriana du Mal Katarse da Rô Betty Davis Fausto botequeiro Foda-se essa merda Raq Mão na bunda O dependente Miscelania da Lu Fiorin METRALHE Vai, puxa o gatilho! |
Segunda-feira, Janeiro 23, 2006
Amor fúnebre O pior é morrer ainda estando vivo Nunca liguei muito para perdas Mas algumas são eternas E não foi por conta de aviso E o sentido de ficar levantando é meio vago Pois sempre vem alguém atrás querendo te derrubar Tinha ânimo para quedas Antes só esfregava os joelhos, Sustentava o corpo pela mão e esperava a próxima derrocada Agora é diferente. Aqui embaixo, no limbo, tá cômodo A dor, intermitente, lateja e silenciosa nas lágrimas Saudade eterna de algo que se foi há pouco E que venha a solidão, parceira de copos e madrugadas lúgubres Silenciosa, no seu canto do balcão, não aceita se dividir E duro é ficar longe querendo estar perto E não ter aquilo que tanto se quer Pensei que já houvesse me acostumado Terei de aprender.....a perder E o pior de existir, é tentar deixar de fazê-lo e não conseguir - Segunda-feira, Janeiro 16, 2006
Digestão punk cíclica A mágoa escorre em lágrimas, ao passar pela boca as engulo com o sorver da língua E sinto gosto acre, desce à garganta e me alimenta No estômago brigam com os restos de álcool, gorduras e fel destilado O suco gástrico que se forma é explosivo e autodestrutivo Está prestes a esvair Dou um ruidoso peido, faço expurgar o escremento em forma de gazes E quero que sorva pela sua fétida narina o podre Pior do que ovo, carne póstuma e resíduo de sangue, suor, células mortas Que serão digeridos, regurgitados e novamente ingeridas Para voltarem a formar o ódio, escorrerem em lágrimas e serem sorvidas - Quarta-feira, Janeiro 04, 2006
Insight Jealous E de vez em quando me visita. Tento deixar longe, mas fica perto, insistindo. E muitas vezes abro a porta, fecho a cara, mas de nada adianta. Ela entra, se instala confortavelmente, cruza as pernas e, sob protestos, me oferece um cigarro. Sabe que não fumo, odeio cigarros, ao menos os que detèm nicotina. De nada adianta abanar o rosto, dizer que não gosto. Só me faz baforadas, abusos Vou da raiva contiva ao ódio muito mais rápido do que testes de motores envenenados E aos poucos conversamos, mostro pouca disposição mas de nada adianta. Se está lá é para me dar segurança, dispositivo pouco usual, letal, mas útil E se levanta, com os cigarros entre os dedos e o apaga no braço da poltrona Sigo com os olhos até a porta, ela mesma abre e de soslaio mostra o sorriso Percebo entre os lábios e no olhar a certeza de que voltará Memeio com a cabeça, falo que tal dependência se foi Mas ela bate a porta e vai Abro os olhos, levanto, suspeita de que o sonho é real Vou até o espelho e relembro os detalhes da conversa Tento fugir, mas quando mais corro, aí sim é que me aproximo E estar distante, é mesmo estar perto. Só eu imagino diferente Não sei porque, mas ainda sinto no ar o cheiro da fumaça É inevitável que voltará por mais que negue Sombra do desespero, vento lúgrube frio e insistente Escoa pelas frestas e faz côro com a garoa fina da madrugada Puxo o cobertor, volto a dormir, acaricio seus cabelos, apago a luz E me deito Até acordar, para um sonho que não sei se é realidade - |