Metralhadora Giratória

Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.



ESSES METRALHAM BEM
Marião
Ronaldo
Espelho trincado
Desgraceira
Casa do Horror
Marisola
Fernanda
Na moita, mas achei
Adriana du Mal
Katarse da Rô
Betty Davis
Fausto botequeiro
Foda-se essa merda
Raq
Mão na bunda
O dependente
Miscelania da Lu
Fiorin

METRALHE
Vai, puxa o gatilho!


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Quarta-feira, Maio 31, 2006
 
Asseclas Associados

É a quantia de tua honra, vergonha na cara e caráter
Que se mede em valores, depositados de forma menstrual
E na mudança de idéias, convicções (espera aí, se eram
convicções não mudariam não?) e restrições agora aceitas
E o medo de ter de estabelecer associação com o demônio
Dizendo a ele que até nutre simpatia, simpatia palpitante
pelo seu cetro, que em breve será desferido em seu rabo
Slerveando a profissão, entregando as pregas e supondo
que isso ajudará a manter algo, tipo assim...
Só se for a desfaçatez exacerbada, pobreza de alma
Entrega da alma por pechincha e credenciamento ao clube
dos Asseclas Associados, credenciando-se ao fim
Inexistência de valores que não sejam as mensalidades e
prestações de falta de caráter, desanuviado comercialmente
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Segunda-feira, Maio 29, 2006
 
O terror, o terror
Isso pode causar pânico para pessoas mais sensíveis.
Confesso que em meio a guerras do PCC, Marcolas, sanguessugas
e afins, o que reproduzo aqui é pior do que tudo isso junto.
E peço perdão aos diletos leitores desse blog, mas é necessário
mostrar que em se tratando de absurdo, o camarada não tem limites.

Tá na Mônica Bérgamo de hoje

CHALITA HITS
Nasce um novo cantor romântico: Gabriel Chalita, ex-secretário estadual da Educação,
que já revela suas aspirações artísticas em um game show do canal católico "Canção Nova".
O disco, "Gabriel Chalita Canta o Amor", tem composições próprias e outras de Toquinho,
Gonzaguinha e Dolores Duran.

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Terça-feira, Maio 23, 2006
 
Gray day

queria dar vazão apenas aos grunidos de guitarras que ecoam em meus ouvidos
mas eles acabam se fundindo com as vozes que interpelam outros pensamentos
é como ficar dependente do maléfico apesar de tentar e buscar o benéfico
e a falta de esperança aumenta gradativamente e invade toda possibilidade de
confiança, crença ou mesmo esperança quando tudo está ao alcance de um gancho
daqueles do Graham Bell, não do Mike Tyson
certeiro, que invade o coração e dilacera como água esvaindo entre os dedos
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Sexta-feira, Maio 19, 2006
 
Sartriniando
Pensei que com o tempo perderia minha capacidade de me decepcionar.
Para isso sempre julguei fundamental exercitar a indiferença e só esperar
aquilo que é prevível, a desesperança e desconfiança de tudo e de todos
Todo dia acordando, olhando para o inferno de todos os outros e percebendo
que não existe a menor chance de melhora, e que a única saída é se preparar
De forma a criar uma reserva, algo que me protegesse e me fizesse acreditar
que o não-acreditar é melhor e que infelicidades fazer parte do que chamam de
curso da vida, karma, imposição, imanência ou algo do tipo
No entanto - e sempre - situações novas acontecem
Pra reafirmar e sempre deixar alerta o gosto e sensações acre
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Quinta-feira, Maio 18, 2006
 
Então, tá

"Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito
perversa. Na sua linda casa, dizem que vão às ruas fazer protesto. Vão é
para o melhor restaurante cinco estrelas.Vi dondocas dizendo coisinhas
lindas. Todos são bonzinhos publicamente. Depois exploram a sociedade,
os serviçais, os servidores públicos. A bolsa da burguesia tem que ser
aberta contra a miséria. Este país tem que deixar de ser cínico."

governador Cláudio Lembo, na Folha
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Quarta-feira, Maio 17, 2006
 
Civil War - Day by day after
Efeito óbvio das pós-batalhas da guerra civil
Coxinhas vermes, fora dos bunkers, agora estão na pilha
Sangue nos olhos pra revistar, mostrar força e o suposto poder
Em todo e qualquer lugar tentam se impor, revistam, humilham e matam
O governo estadual esconde os nomes, pois sabe que no meio tem inocente
E o mais estranho é que isso só alimenta o ódio dos criminosos
E aí eu me pergunto qual é a real definição de crime e criminosos, que, aliás, é multifacetado
Se aqueles que estão (ou deveriam estar) atrás das grades e se dizem defensores de paz,
justiça e liberdade (dou risada nervosa sempre que leio esse trinômio que não lhes cabe)
ou aqueles que recebem votos, cargos eletivos, fardas, armas e licença para matar
E, curiosamente, em legítima defesa, é claro. Ou, como de praxe, resistência seguida de morte
Com direito a um treizoitão raspado na mão da suposta e eleita vítima
E nesse meio ficamos nós, que, muitas vezes, não estamos nem aí pra mike ou sanguesuga
Mas papel de vítima eu não faço não. Pra fazer jús ao nome do blog, até admito cair..mas metralhando
E as cápsulas, digo, idéias, ao esmo, longe das cenas e atores que encenam fime D
Da tragicomédia anunciada que se abate parte da metrópole, porque no meu gueto, ainda ecoa som de blues
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Segunda-feira, Maio 15, 2006
 
Don´t panic
Ai veio o governador e disse que estava tudo sob controle
Sim, mas até aí já foram 150 ataques e 80 mortos
Por favor vozinho Lembo, defina controle
E isso não é paz, nem justiça e sequer liberdade
E ficamos no meio de vermes e de bandidos
Toque de recolher é o que se faz todo dia
E só hoje que percebem que é perigoso andar nessas ruas
Vá entender
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Segunda-feira, Maio 08, 2006
 
Avalox
Eu detesto a sinceridade da indústria farmacêutica
Pode provocar reações gastrinteinais (dor abdominal, náusea,
Vômito, diarréia, alteração do paladar), dor de cabeça, vertigens
sensação de fraqueza, mal-estar, dores no peito, nas costas ou
nas pernas, palpitações, reações de pele, reações alérgicas ou
de hipersensibilidade, dores musculares e nas articulações, insônia,
nervosismo, ansiedade, depressão, sonolência e candidíase vaginal.
Ah, entendi. Afora a incerteza de sarar essa porra, ainda posso me ferrar.
Tá, entendi
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Terça-feira, Maio 02, 2006
 
Ghost shadows

E o que dizer de estar com os dois pés no parapeito de um prédio de 43 andares.
Observar a força do gatilho acionado, batendo no cão e disparando a bala que corre,
cuspida do tambor, mais do que maratonista em São Silvestre ganhando centímetros
e centímetros do cano, cuspindo pólvora e fumaça até atingir o alvo. Dum dum, matou um.
Olhar que alguém está em volta, a estender a mão e olhar com carinho de quem acaba
de destruir uma vida e se arrepende logo em seguida. Para no dia seguinte acordar e fazer o
mesmo, incessantemente, ora por prazer, ora por necessidade.
É como aquela brincadeira de esfregar as mãos e tentar bater nas costas das mãos de outrem.
Ou da lâmina da faca, que, invertida, é passada no braço para mostrar audácia incontida.
E tens tudo, dizem. Tudo aquilo que o bem de consumo e a alegria que um carrinho de compras
pode comprar. A ver os saltinhos, saia, terninhos, bumbuns arrebitados e peitos eregidos com
braços estendidos a falar no celular, enquanto os carros importados cruzam as dasluzetes.
E se isso é ser e estar cheio, me dá satisfação estar no vazio. Como já ouvi dizer sabiamente,
um copo vazio está cheio de ar. Mesmo que fétido? É de se questionar, não?
A dor de acordar todos os dias e saber que aquele nada tá no guarda-roupa. Veste-o, calça-o e saí.
Encontra nas ruas ao percorrê-las as mesmas angústicas, raivas, ódios, sangue, altivez e dor.
E o bom é quando se tem alguém para dividir tudo isso. Toma, é teu. O lixo, o limbo e a tristeza
dos fantasmas, monstros, fantasias e arrombos de egolatria, se bem que a egolatria é arrombo por si.
E chutar pedrinhas para desvincilhar o caminho. E salto, a mão, não me alcança. Enquanto caio,
ouço ao fundo a bela letra de Dr. Cascadura. Queda Livre
Diz tudo, principalmente para o que fica. Que logo abrirá os braços e sentirá o vento, da fuligem do
outono sobre a Bela Vista da capital.
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