Metralhadora Giratória

Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.



ESSES METRALHAM BEM
Marião
Ronaldo
Espelho trincado
Desgraceira
Casa do Horror
Marisola
Fernanda
Na moita, mas achei
Mirisola ou Deus
Betty Davis
Fausto botequeiro
Foda-se essa merda
Raq
Mão na bunda

METRALHE
Vai, puxa o gatilho!


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Quinta-feira, Novembro 30, 2006
 
Malas

Houve um tempo em que as deixava prontas, à disposição, num canto qualquer
É a eterna sensação de nunca estar adequado e nem querer me adequar
Baixar a cabeça, memear ou mesmo ignorar, como muitos o fazem
São estratégia, aprendidas com a Arte da Guerra ou com a vivência mesmo
A sensação de algo ser cômodo nunca foi agradável e a inquietude é presente
A panela, sob pressão, uma hora explode. E o que resvelar pode não ser bom
Mesmo sem recursos, rumos, metas, sonhos ou valores. Ir, simplesmente
Romper repentinamente pode parecer radical aos mais sensíveis
Pra mim é rotina e única fuga possível contra essa eterna sensação
Incômoda, é fato, de nunca estar enquadrado ou disposto a isso
Para os que conseguem enxergar dessa forma, se submeter e render-se ao
status quo, fica a minha inveja, pois não sei de onde tiram forças pra isso
Se bem que fraqueza é algo que ainda julgo subjetivo
Pois haja força para reconhecer a fabilidade e o fim
E a necessidade de continuar na estrada, seja para onde for,
com quem for e quando for. Apenas ir.
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Segunda-feira, Novembro 27, 2006
 
Foi-se o cafa

Hoje o céu (mais provavelmente o inferno) está mais feliz
Jece Valadão (na verdade Gecy), nascido em 24 de julho de 1930 em
Cachoeira do Itapemirim (Espírito Santo), morreu.
Um dos maiores sujeitos do cinema nacional, com 71 filmes, 39 produções,
17 como diretor e outras 13 como roteirista, além de várias novelas, foi-se.
Não creio que ele seja o último da raça, mas é o mais emblemático.
Sempre que ouço alguém dizer cafajeste, me sinto lisonjeado por um lado e
contristado por outro, pois me faz lembrar de cenas estranhas de infância, mas,
ao mesmo tempo, também me faz lembrar desse ídolo.
Com certeza uma das maiores influências da borracharia.
Dizem que ele se tornou evangélico após a influência de uma de suas ex-mulheres,
a Vera Gimenez (com quem têm um filho, que segundo li participa da Malhação - .
Enfim, azar o dele não seguir os passos do pai).
Definitivamente não dá pra pensar nele com uma bíblia. Prefiro lembrar das cafas e
pornochanchadas todas, naquilo que, creio eu, ele foi mais útil.
Valeu Jece. E em pensar que outro dia ouvi alguém dizer: "Quem é Jece"....Faça-me o favor!
Agora só me resta desejar saúde ao Zé do Caixão.
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Sexta-feira, Novembro 17, 2006
 
Sobra cobras e lobos
Singela homenagem aos colegas Andrea e Leonardo

Queria falar sobre cobras, depois pensei nos cordeiros
Nas cobras que sorriem e nos que se vestem de cordeiros mas são lobos
Maus
Se tivessem ao menos o glamour de se disfarçarem, ao menos saberia
que o rótulo apenas os travestiria
No entanto fazem questão de inocular seus venenos e atacar
Estão em posição de bote, a toda hora, a qualqure custo
E pretendem derrubar algo que sequer foi levantado
Lembro-me da infância e de meu asqueroso pai que nos trazia de peixes,
carnes de capivara, rãs e cobras, e nos servia. Até que não era de todo mal
Até que um dia minha irmã estava a limpar a sala e foi se abaixar para
pegar o que pensava ser um graveto. Sentiu o frio e a textura da pele
Tentei em vão usar uma enchada para matar a cobra, até que o vizinho, um
mecânico, se encarregou de matar o bixo. E dizia com todo orgulho segurando-a
que iria cozinhá-la e sorriu-me com dentes sujos e podres
Tempos depois descobri as delícias de carneiros ao molho de hortelã. Dizem que
quando é muito novo, tem-se o cheiro de carne mijada. Eu não ligo, desde que
não sejam travetidos, mas continuem a se revelar como são. Nada.
Hoje, destimido, em chão de asfalto, encontro outras cobras e lobos em peles de cordeiro.
Vou me lembrar dos asquerosos momentos de infância, e de meu asqueroso pai.
Tratarei de tragá-los, para depois vomitá-los e voltar a regurgitar, até que suas carnes apodreçam.
É assim que os índios lidavam com seus inimigos, pensando em conquistar suas forças.
Dessa forma é que farei, com um adendo: uma limpeza estomacal e queima de tudo que restar,
para nunca, ninguém mais se lembrar daquilo que é desprovido de escrúpulos e de nada valem.

Se ainda assim não me fiz entender, que Bretch me auxilie

Assim

Eles criaram um traidor, ensinaram-lhe
Suas artes, e ele
Denuncia-os ao inimigo.
Sim, eu conto seus segredos. Fico
Entre o povo e explico
Como eles trapaceiam, e digo o que virá, pois
Estou instruído em seus planos.
O latim de seus clérigos corruptos
Traduzo palavra por palavra em linguagem comum,
Então
Ele se revela uma farsa. Tomo
A balança da sua justiça e mostro
Os pesos falsos. E os seus informantes relatam
Que me encontro entre os despossuídos, quando
Tramam a revolta.
Eles me advertiram e me tomaram
O que ganhei com meu trabalho. E quando me corrigi
Eles foram me caçar, mas
Em minha casa
Encontraram apenas escritos que expunham
Suas tramas contra o povo. Então
Enviaram uma ordem de prisão
Acusando-me de ter idéias baixas, isto é
As idéias da gente baixa.
Aonde vou sou marcado
Aos olhos dos possuidores.
Mas os despossuídos
Lêem a ordem de prisão
E me oferecem abrigo. Você, dizem
Foi expulso por bom motivo.
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Sexta-feira, Novembro 10, 2006
 
Francis

Entre outros erros ele aceitou tutelar o Mainardi. Bem, sorte do Mainardi, azar dos leitores.
Sorte dele pois pode conviver com o sujeito, azar dos leitores pois Mainardi não é o rascunho
xerocado de Paulo Francis. Basta ler o excelente Filhas do Mesmo Sexo para sacar a erudição
- até irritante - do sujeito. Para entender a falta de lucidez do Mainardi, basta ler a Veja, ato cada
vez mais difícil de ser executado. Além de elmentos óbvios e já sabidos, como crítica ácida, mordaz,
a observação atenta e a descrição muito bem feita, o humor dele é único. Na novela, ele despe a
consciência e a vivência de Mimi e Clara, duas minas em transição da adolescência para a idade adulta,
tendo como pano de fundo o papel da mulher. Ao menos no contexto que ele apresenta, aliás, muito bom.
É daqueles livros que desde a primeira página - uma fantástica ambientação da Mimi mandando uma
peta num tiozinho e por aí vai. Afora a todas as comparações, longe disso, só tenho o mesmo prazer de leitura
quando abro algum do Marcelo Mirisola. Nunca me passou pela cabeça a comparação ou a mera citação dos dois.
Mirisola é bom no que aborda - é do tipo que pode-se discordar, à vontade, mas é inevitável reconhecer a
qualidade da escrita do sujeito. Qual o motivo desse post? Só pra dizer que ou estou muito mal informado a
respeito da literatura, ou tenho de me agarrar e vez em sempre a um ou outro para reviver o real prazer de ler.
Dicas são sempre aceitas, é claro.
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