Metralhadora Giratória

Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.



ESSES METRALHAM BEM
Marião
Ronaldo
Espelho trincado
Desgraceira
Casa do Horror
Marisola
Fernanda
Na moita, mas achei
Fausto botequeiro
Foda-se essa merda

METRALHE
Vai, puxa o gatilho!


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Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007
 
Jurandir, esse sim é o bom

A rua Avanhandava, como todos sabem, foi repaginada.
Na verdade foi privatizada em nome dos interesses dos grupos
Mancini e Visanet, que receberam as bênçãos de Serra e Kassab
De todas a única que já conferi foi a pizzaria Avanhandava 34,
bacana até, mas léguas inferior a Piolin, quarteirões acima
e infinitamente mais cara, motivo pelo qual não sei responder
Para chegar em casa passo até o local pois encurta o caminho
Alguns incômodos até naturais: os manobristas e seguranças,
que mais parecem guardiões das calçadas de R$ 1,5 milhão do
seu Mancini, filas inexplicáveis e gente se achando a descolada
Motivos esse povo by Jardins & Cia têm de sobra: lá estão os
tradicionais Gigetto (que não é dos Mancini¿ao menos ainda),
o Famiglia Mancini, com o prato de comida mais caro que vi na
vida, pois eles colocam um cardápio na porta, e os recém-chegados
Jeremias, o Bom, uma espécie de pub-buteco que de baixa gastronomia
não tem nada, a lanchonete Central 22 - uma piada chamar de lanchonete,
mas é assim que eles definem e anunciam, dizendo que tem um ¿tradicional¿
sanduíche de pernil, mas mesmo sem provar eu nunca abrirei mão do Estadão
- além do Calligraphia, um misto de galeria e ateliê de artes gráficas
(ao menos é o que eu vi num dos releases). O que aguçou minha curiosidade
na verdade não está em releases, matérias já divulgadas ou mesmo em
anúncios bem pagos pelo Mancini e Cia. É um buteco (sim, esse merece o nome)
encravado em meio a Central 22 e a Calligraphia. No fundo dele, máquinas caça-
níqueis e freezeres do tempo da minha avó. Até que tentaram ¿higienizar¿ o local
botando mesas novas, com toalhas sóbrias, uma nova fachada em aço e coisa e tal,
mas lá dentro, na essência, está o que eu chamo de autêntico herói da resistência.
É o Jurandir, sim o próprio!, que serve cerveja em garrafas, quase uma heresia
para os chefs, garçons e congêneres de seus vizinhos ricos
Outro dia estava eu e a SX passando por lá e resolvemos sentar para beber uma
cerveja. Pedimos e ele nos trouxe uma Brahma com um preço mais do que justo
de R$ 4. Fizemos o insulto de pedir o cardápio, e ele, humildemente, disse que
não tinha chapeiro e a única coisa que poderia fazer seria uma porção de linguiça
frita com cebola, bem servida segundo ele. Quase abracei-o de alegria, apesar da
cara resignada da SX. Tomamos mais uma, comemos e fomos.
Passados alguns dias, depois de tanto perambular para resolver as merdas dos
problemas típicos e miseráveis da vida, tipo pagar contas, etc, resolvemos voltar
ao Jurandir e pedir a gelada. Qual não foi minha surpresa ao ver que a mulher do
Jurandir lá estava. Sem se fazer de rogada, mandou que eu mesmo fosse até o freezer
e escolhesse a mais gelada cerveja e me servisse. Quase não acreditei, principalmente
pelo fato do local onde estava. Perguntei a ela como conseguiam sobreviver em meio
aquela burgueisaiada toda e como que eles pagaram aquilo tudo, já que eu conhecia
o local antes da reforma e era muito típico daqueles que ainda pululam ao redor da Augusta.
Ela disse que até tentaram, mas não conseguiram tirá-los de lá. Eis que pego minha
cerveja, vou sentar e nos servimos. Nesse mesmo tempo, um casal de garotas
com cara de descoladas e recém-saídas das Calligraphia aportam no buteco. Eis que ouço
uma voz bem nordestina, arrastada, saindo de dentro do bar do Jurandir: vem cá e pode pegar!
Dei risada ao ver o par de sapas se levantando e indo embora, suspirei, tomei um gole da gelada,
vi o Marião passando e convidei-o para tomar uma, mas ele tinha de trabalhar e se foi.
Olhei pra SX e dei um sorriso bobo, comentei o quanto era legal ter um bar como aqueles,
uma espécie de ilha de dignidade e sinceridade em meio aquele circo todo montado ao redor.
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Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007
 
Raça do caralho

De uma coisa eu sei: Racionais MC´s sempre têm razão
A minha segurança eu sempre fiz e mais do que nunca
vou continuar fazendo pois impostos de nada valem
E achei que apenas os mensaleiros eram os crápulas
Aqueles homens de preto, os ditos especiais não merecem
esse nome pois só se forem especialistas em loucura
A pólvora é a minha esperança. Saída, quente e rápida,
de uma justiça que não é a criminal nem a constituída por
togados volúveis, inescrupulosos e párias do interesse ($$$)
Se ainda assim ela não vier, e para teu bem tomara que ela venha,
outras armas são mais úteis e eficazes, embora bem mais cruéis
É baseada em ferir a alma. Não a tua, é claro, mas dos teus
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Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007
 
Cell-phone and wolfs

Os erros são cometidos em progressão geométrica
E os reconhecimentos dos mesmos, em progressão aritimética
Comedores de coxinhas de crème em bares da madrugada
Fazendo da violência sua arma contra a própria
Autoritarismo, excesso, desrespeito e mentiras produzindo
provas movidas a incompetência, por falta de escolha, vontade ou
mesmo e o pior: falência múltipla do ato de viver
Inadequação social, loucura, desnível intelectual não suscetíveis
a doses diárias de fluoxetina e outros sais
Nada cura as horas em claro regadas à intolerância, truculência
e humilhações em corredores de centros de turtura modernos
As marcas das algemas marcam e prendem os punhos mas também
selam os eixos e ecos de vontade de aqui estar
Mas nada é mais deletério do que tuas lágrimas, semeadas pela
arrogância colossal de ser alguém que não o é
Isso dói mais pois não atinge o físico ou algo palpável, mas o fundo
do coração e corrói como ácido a minh´alma cansada
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Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007
 
Combustão

Receita para flamejar e correr por for a contra o fim

É correr até o posto de gasolina mais próximo,
descolar um galão de 10 litros na bomba e voltar
Pegar o derradeiro gole do velho uísque embaixo do
rack da sala, sorver com todo prazer possível enquanto
um CD pirata dos Bêbados está a tocar no aparelho de DVD
Esperar a porta ser arrombada e surpreender aqueles
que não te querem bem ou que fingem querer
Esperar que eles acendam o fogo, coloquem a chapa
e derramem o óleo até que te cubra totalmente
Enquanto isso a solução é sorver até a última gota, dar
um semisorriso no canto dos lábios, confundir aqueles
que querem tua desgraça com um gesto de cordeiro
Entre sim na chapa já fervente de óleo, mas não esqueça
de sacar o galão de gasolina, esguichá-los contra os teus
e encontrá-los logo mais tarde na porta do inferno
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