Metralhadora Giratória

Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.



ESSES METRALHAM BEM
Marião
Ronaldo
Espelho trincado
Desgraceira
Casa do Horror
Marisola
Fernanda
Na moita, mas achei
Fausto botequeiro
Foda-se essa merda

METRALHE
Vai, puxa o gatilho!


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Segunda-feira, Março 19, 2007
 
Boss ta

Entre tecs tecs de um teclado você esconde sua falta de habilidade
Em lidar com assuntos que sequer entende ou mesmo já viu na vida
Apontando erros que julga crassos, mas que na verdade escondem
tua pequenez e conhecimentos pífios de assuntos práticos da vida
Poupe-me de aquisições, fusões, í pí ows e outros elitismos
linguísticos dos burgueses, intangíveis aos mais sensatos
Insensatez é, de fato, olhar de soslaio e ver-te empertigar
Sobre o teclado reduzido, mouse incluso no lap e nas palavras
Que não produziu, mas que faz questão que caminhem para
O tergiversar, repletas de evasivas e subterfúgios
Prefiro o mundo real, longe do ar-condicionado e dessa atitude
plástica, teatral e superficial, de quem imagina entender
e de nada sabe sobre o mundo prático, esse que enfrenta-se
todo o dia, ao acordar e perceber que a vida é muito mais prática
do que oscilações de bolsa, valorização de moedas ou mesmo
os teus eufemismos baratos da vida rósea que pretendes
Só escrevo isso pois um dia sorverá do teu próprio líquido púrpura
que estará pútreo em curto espaço de tempo, ao léu de sua arrogância
que te levará ao túmulo e de lá com integração gratuita aos portões
do inferno, onde cérbero te tratará com todo o pavor necessário
Só espero que o cão tricéfalo não regurgite ante tua carne pútrea
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Quarta-feira, Março 07, 2007
 
Baixa gastronomia de cú é rola

Nas últimas semanas vários guias culturais dos jornalões e colunas especializadas se dedicaram
ao que eles denominam de baixa gastronomia. Bem, fundamentalmente eles consideram baixa
por alguns aspectos que incluem partes nada nobres dos bichos e o fato de ser servida invariavalmente
em bares. Infelizmente, como tudo, houve aculturação por parte dos mauricinhos playboys.
Alguns butecos (sim, os chiques preferem buteco) by Vila Madá (argh!!) passaram a servir
pratos como pastel de feijoada, buchada, bago de boi e por aí vai. Segundo dizem, até em
restaurantes caros e finos se renderam ao povo de baixo.
Nada contra, cada um faz o que bem entende e vai pra onde bem quer. Questão de gosto. E isso
só pode se lamentar, fazer o que.
Falo por mim. Como sempre fui pobre (ainda o sou, mas não está tão ruim quanto antes) carnes
de capivaras caçadas pelo meu pai, cobra, rã, peixes que eu nem me lembro o nome e as tais
partes menos nobres de suínos, bovinos e aves eram constante lá em casa.
Passada a miserável e malfadada infância e adolescência, saí de casa. Por força da profissão
morei em algumas cidades e, como não tinha grana, aprendi a cozinhar à forcepes.
No começo achava uma bosta, fazia um caralhão de coisa errada, errava na dosagem do sal,
do óleo, do alho, pimenta, etc, quando não esquecia demais ou de menos no fogo.
Passado o tempo finalmente aprendi. Até tomei gosto pela coisa.
Sempre quando pude (quando tinha grana, o que era raro) comia for a mas sempre preferi
os peéfes dos bares, onde tem cerveja de grarrafa barata, yakissoba, cachorro-quente,
carne louca, churrasquinho grego e p or ai vai. Nada mal.
Hoje, como me dedico mais às panelas, tenho orgulho de distrinchar com as mãos um frango
ou limpar peixes e cortar carnes. Não sei se pela ancestralidade de índios (bisavós) mas é bacana
ver o bichinho sangrando e imaginar que logo ele estará delicioso na panela. Naturebas, revoltai-vos!
Um dos meus prazeres é poder cozinhar coisas bacanas como língua de boi. Muita gente acha nojento,
afinal de contas o boi usa ela pra enfiar no cú da vaca, se lambe todo, bebe mijo, etc, mas não me
importo. Se bem lavada, cozida e temperada no ponto, é imbatível no sabor, maciez e textura.
Aí que me pergunto como algo tão gostoso pode ser baixa gastronomia? Eu refuto esse termo, pois de baixa
gastronomia não tem nada. Assim como costela _ assada, cozida, de molho, seja como for _ moela,
rabada, fígado, coração, e miolo de boi (à milanesa é do caralho), pra mim não tem nada de inferiores.
Essas denominações, quero crer, só são feitas para rotular ou para tornar palatável aos babacas que
imaginam ter paladar refinado, pratos tão comuns e corriqueiros em diversas partes do País e em
muitas mesas de gente pobre. Hoje, se quiser, tenho dinheiro para comprar filé mignon, o que é excelente.
Mas não troco de forma alguma uma língua de boi por nenhuma outra parte dita nobre.
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