Metralhadora Giratória

Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.



ESSES METRALHAM BEM
Marião
Ronaldo
Espelho trincado
Desgraceira
Casa do Horror
Fernanda
Na moita, mas achei
Fausto botequeiro
Foda-se essa merda

METRALHE
Vai, puxa o gatilho!


This page is powered by Blogger. Isn't
yours?
Sexta-feira, Agosto 31, 2007
 
Vampiro zumbi

O sol se vai, a noite vem
É neste momento que tudo começa
Longa jornada noite adentro
Ou, seminoite para ser mais exato
É quando muitos levam suas vidas
cotidianas, regadas à happy hours, sexo,
flerte, exercícios em academias, afazeres
domésticos, pessoais, estudos
Ser vampiro dá a vantagem de saber que
o único incômodo é o da troca
Do mais, tudo segue normal, sem novidades
É o passar da catraca e observar que não
há perspectiva alguma no início
Tudo parece (e o é) já ter começado e o que
se faz é apenas tentar equilibrar a cereja antes
que o bolo seja devorado vorazmente
Queria era jogar bolinha de gude com essa cereja,
chutar o bolo, jogar o glacê na parede e o resto da
bandeija, sair no meio do nada, caminhando no breu,
preferencialmente sem o barulho dos motores dos carros
Encontrar a primeira dose num bar com cara de beco, gueto,
na companhia da solidão de uma roda de outros vampiros,
zumbis, zumbis vampiros ou vice-versa
Saber que o enfado é vizinho. Ocupa a kit daqui de baixo
E que o cair do sol, a vinda da noite, ou meramente
o constante tempo cerrado nada significa, e não espere
com sua bunda gorda na cadeira que ele te levará para
algum lugar, pois a função dele é estática e fria, como
aquelas madrugadas vividas em fios de sarjeta

-
Terça-feira, Agosto 21, 2007
 
Selbstmord

Olhando daqui de cima penso que seria bem mais fácil
Abrir os braços, aproveitar o vento, sentir a velocidade
Até a perda total dos sentidos, o impacto, quiçá imperceptível
Seria interessante, se não fosse a falta de coragem, culhão
Vontade talvez de transpor os dez andares que me separam
de uma solução mais rápida, eficiente e permanente
Vida calejada, porrada, contrariedade, rejeição, violência,
desamor....parece que o vocabulário se resume a poucas
palavras e a insistente falta de perspectiva pode levar
à ruína já respirando, em vida
Mas é necessário mais. Experimentar o que está embaixo
do fundo do poço, levantar a tampa --onde, pensa-se, nada
mais existe-- e tragar o que tiver escondido, tampado, camuflado
por uma pseudo situação de caos.
É virar o caos do avesso, tirar os despojos pútreos e ver o que tem
lá no meio.
Estou descobrindo. Em meio de controls, bolds, itálicos, jotapégues
e congêres. Mico adestrado preparado para montar e atualizar
Pensar, palavra fútil
Agir, descobrir, furo, qual utilidade prática se tem disso
É nessas que simpatizo cada vez mais com o parapeito
Enquanto o culhão não me visita --pode até ser repentino, aceito--
vou sorvendo o que encontro no fundo do poço
Sem estilo poser bukowiskiniano, passei disso
Mas sentindo no fundo da alma até onde a humilhação pode te levar
-
Segunda-feira, Agosto 13, 2007
 
Pains of my soul

Queria falar das coisas que provocam dor
Dor intangível, claro
Se fosse aquela que a gente vai no Drogão e
compra uma aspirina, tava encarando de boa
Vamos então aquilo que é abstrato
E olha que o abstrato tá avizinhando
Granadas me faltam neste momento
Bazucas e saltos livres de 50 metros também
Perdas, agressões, lágrimas, uma lata de uma
cerveja quente, uma dose daquele vinho deliciosamente
vagabundo
lá no fundo eu as encontro. Tiro as dores para trocar
uma idéia, falar da tira mais recente tira do Angeli
e elas ficam ali, me olhando, soturnas, inertes e frias
a rodinha vai ficando interessante quando alguma resolve
falar e se julgar a mais interessante ou a maior de todas
Tiro os óculos, mexo no lacre recém aberto da lata de
cerveja e dou aquele semi sorriso de quem indica o
caminho do foda-se como a melhor alternativa
Se ela quiser variar pra autocomiseração, vai fundo
Vou ficando por aqui, não indiferente mas do estilo
ouvinte, tipo, fala o que quiser, vai fundo nas idéias
que eu abro a boca quando encontrar um intervalo
satisfatório para isso e o bocal da lata não estiver próximo
Se ela estiver vazia até levo em consideração a idéia de
emitir algum grunido enquanto vou ranjendo os joelhos
para me levantar e buscar a próxima lata
E aí vamos levando, tentando considerar que elas são
bastante desprezíveis e seu poder de fogo se esvai em
um ponto. Talvez, é claro.
-