Metralhadora Giratória

Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.



ESSES METRALHAM BEM
Marião
Ronaldo
Espelho trincado
Desgraceira
Casa do Horror
Fernanda
Na moita, mas achei
Fausto botequeiro
Foda-se essa merda

METRALHE
Vai, puxa o gatilho!


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Quinta-feira, Setembro 06, 2007
 
Se ainda restar uma fresta no túmulo

Ouço barulho de pás de pedreiro raspando sobre tijolos
É feito da seguinte maneira: o cimento, areia e água são misturados,
tijolos vão sendo postos de forma horizontal, são recobertos com a
mistura para dar a liga e um em cima do outro vão formando a barreira
No caso é para tapar algo desagradável
As mesmas pás que coveiros usam ao tapar túmulos
Lá dentro, os corpos em caixões, já chorados, lembrados, homenageados;
agora servem à terra e a toda sua dimensão
Quando criança era obrigado a ir em velórios e enterros. Muitas pessoas eu
nem gostava ou nem sabia quem era. Mas era arrastado e ia.
Embora no início não entendesse bem as roupas, o clima triste,
as pessoas sendo consoladas umas pelas outras –o que gostava eram
as bolachinhas e os leites com chocolate que serviam—fui compreendendo
que a morte faz parte e é um rito de que não se escapa.
Muitos a detestam. Ao acordar, lembro dela todos os dias.
Hoje tenho de enterrar algo que ainda pulsa, está vivo e sou obrigado
a fazê-lo mesmo a contragosto e com a imposição de uma 12 de um algoz.
Em todos os enterros que fui, nunca vi o pedreiro passando a pá em lápide
de algum caixão que transportasse alguém ainda vivo.
Tudo bem que um dia alguém disse que viu meu avô com os olhos abertos,
e que ainda não deveriam tê-lo enterrado, embora já estivesse morto há horas.
O que não consigo entender e nem compreender é como enterrar algo que não
está apenas de olhos abertos. Mas também de sorrisos, mente, alma...
Se locomove, leva consigo algo que foi cultivado, mas que foi tomado
da erva daninha da materialidade da vida.
A troca até que é justa. Mas como se troca um sentimento, como se esvai
como se fosse água pelas frestas dos dedos algo que é sólido como rocha?
Pois bem, se assim o é, terá de ser detonada, preferencialmente implodida em
segundos. E, se em meio a estes escombros e nos despojos envoltos na lápide
ainda existir uma fresta que seja, não será dessa vez que aprenderei como se
enterra algo que está vivo. Se for diferente, paciência, dou as costas e tento me
convencer de que enterrar algo ainda vivo não faz parte apenas de filmes spaguetti,
mas daquilo que muita gente acha que é bom, mas não o é, o sentimento.
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