Metralhadora Giratória

Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.



ESSES METRALHAM BEM
Fat´s run
Metranca no twitter
Arthur, o terrível
Marião
Fausto botequeiro
dneezy
Mano trainee
Fernanda
Bento mata cavalos

METRALHE
Vai, puxa o gatilho!


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Sexta-feira, Julho 31, 2009
 
See you

Um aceno de uma janela, o abraço de despedida
A ferida aberta, o sangue e o pús que jorra
O caminhar de quem se vai, sem olhar para trás
A corisa quando se pressiona a narina
As roupas jogadas em uma mochila e ticket da passagem
O jorro do regurgito na bacia do banheiro
A cor púrpura no fundo do copo
O segurança flagrando a mijada no muro
O aperto de mão, o afago no cabelo
O sêmem limpado com papéis absorventes
A lágrima que foge e dissipa ao vento
-
Quinta-feira, Julho 23, 2009
 
De modo selvagem

Ando e encontro uma maneira de ser livre
Levo comigo um vazio e pergunto silenciosamente
Que todos os meus destinos irão aceitar o desencontro
e assim posso respirar

Me excluo de círculos que crescem e tentam engolir a todos
E daqueles que dizem que tudo está bem para suas esposas
Mas no fundo elas não sabem o que realmente se passa

E a mente, cheia de perguntas a um professor que mora em minha
alma. E assim eu vou

As respostas, que nunca são dadas, me fazem ficar longe e
acreditar que preciso apenas ir

Questões proprietárias de efeitos gravitacionais que levam a lugares
que insistem em me atrair
Se alguma vez houve alguém para manter-me no que chamam casa.
Pode ser você

E todos nos deparamos com gaiolas em que vivemos e adquirimos
E pensam em mim e no meu erro, mas estou em lugares que nunca pensaram
que estivesse
Tenho minha indignação, mas sou puro em todos os pensamentos e na vida

Sinto ventos em meus cabelos e espalho sentimentos por toda parte
Tais sentimentos atingem todo meu ser. O certo é que volta não há.
O caminho desapareceu e sequer há norte, rumo ou resquício
Já é tarde da noite e ouço as árvores cantando sob as cabeças dos mortos

Deixei tudo que era caro para mim e encontrei uma maneira de ser
Considero-me um satélite sempre em órbita
Eu sabia todas as regras, mas elas acabaram por não me garantir nada
-
Terça-feira, Julho 21, 2009
 
Mother

Te vi em sonhos, novamente
Eram lembranças de dor, desespero, morte,

Uma saudade provocada não sei lá pelo que,
Motivaram taquicardias, suores em pleno frio,
ansiedade e uma tristeza sem fim

Sei que não te dou tanta atenção quanto mereceria
Nem me motivo a fazê-lo

Sei que está partindo, depois de tantas lutas,
batalhas, conquistas, derrotas e vitórias

Aquele dia em que me pegou no colo, sangrando,
me olhando com olhos complacentes, eu sentia dor
e você dizia que nada podia fazer

Outra vez que correu conosco pelo campo, fugindo
do perigo, nas trevas, na cabeceira de uma pista
de avião, o barulho de animais, o medo

A tua coragem em dizer que tudo estava bem, mesmo
vendo meu pescoço na mira de uma faca e um cano
de revólver voltado para nós

Aquela toalha de banho completamente regada a sangue,
policiais indicando para que fosse até a delegacia,
você, complacente, dizendo que nada faria, apesar do
grande mal que fora acometida

Teu medo da solidão na velhice, era a resposta, para
não tomar uma atitude mais extrema

A mão amiga, mesmo quando eu estava completamente
errado naquela cama de hospital, quase cego, com nariz
quebrado, uma criança que se deu mal,
e você estava lá, do meu lado quanto absolutamente todos
foram embora, me deixaram ficar onde estava, só

Admirava e ainda admira ver tua força que até hoje eu não
sei de onde vem,

A força dos braços batendo as roupas no tanque, debaixo
do sol, a auto-estima, carisma e fidelidade sendo colocadas
a prova, sem motivo, chutes, socos e pontapés, você ajoelhada,
sendo vítima de violência, nós, pequenos, assistindo

O tempo passou. O que gerou violência hoje é vítima dela.
O que era vítima, se tornou o autor

E você ainda continua ai.

Só acho que não mais a mesma, está prestes a ir, eu, nada
a fazer. Torço apenas para que vá, assim estarei livre para
me libertar, sair de onde não quero estar e ir para um lugar
que ainda não sei
-