Metralhadora Giratória

Atirando por todos as direções. Azar se for o alvo, infeliz se for munição. A inconveniência é um prazer. Questão de afinidade.



ESSES METRALHAM BEM
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Arthur, o terrível
Marião
Fausto botequeiro
dneezy
Mano trainee
Fernanda
Bento mata cavalos
Deh

METRALHE
Vai, puxa o gatilho!


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Sábado, Dezembro 05, 2009
 
Bar do Espaço Parlapatões é maldito ou não?

Tá aqui - http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/tiro-na-praca-roosevelt-atinge-dramaturgo-mario-bortolotto-20091205.html

Do R7

Três criminosos invadiram o bar do Espaço Parlapatões, na praça Roosevelt (centro de São Paulo), na madrugada deste sábado (5), fizeram os frequentadores reféns e atiraram contra o dramaturgo Mário Bortolotto, segundo relato de testemunhas. Na manhã deste sábado, Bortolotto passava por cirurgia na Santa Casa, na região central de São Paulo. Outra pessoa que também estava no bar foi atingida na perna.

Segundo relatos, passava das 2h e o bar já estava com as portas baixadas. Uma atriz entrava no local quando foi rendida por três homens. Após entrarem no local, os criminosos renderam quem estava no estabelecimento. Mário Bortolotto teria discutido com o assaltante e foi alvejado por dois tiros no local que, além de um bar, abriga um teatro. O socorro às vítimas foi rápido, de acordo com testemunhas.

O escritor e dramaturgo Mário Bortolotto é um das referências do teatro underground do país. É considerado o representante contemporâneo mais próximo ao universo do autor Plínio Marcos, de linguagem cáustica e direta. Ele atua no teatro paulista desde a década de 90. Atualmente um de seus textos "Brutal - Gente Vazia Pode ser Muito Perigosa" está sendo encenado todas as sextas-feiras no Espaço Parlapatões.

É novidade? Não! - http://www.metralhadoragiratoria.blogger.com.br/2008_11_01_archive.html
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Segunda-feira, Novembro 02, 2009
 
Finados

Nunca me liguei em Finados. Respeito quem vai em cemitérios, chora, sente saudades, etc.
Não que eu não sinta saudade. Sinto e muita. Neste exato momento sinto uma saudade tremenda
de uma pessoa e ela nem desceu à cova.

Quando meu primeiro sobrinho era criança –e hoje tem 15 anos- eu até ensinei ele
a dizer “feliz dia de Finados” pros outros. Hoje ele é quem faz isso com o irmãozinho
dele, pra orgulho meu e desespero de minha cunhada. Eu tinha uma técnica: se você diz
alguma merda e sorri, a criança aprende pois aquilo lhe dá uma sensação boa e ela repete.

Talvez daí a indiferença. Sinto saudades de gente viva, confesso. Uma delas em especial me faz
doer o coração. Dos mortos, o meu avô paterno, que me ensinou coisas boas na vida, como apreciar
uma tela de um artista plástico, dança (tá, eu sou um prego mas não é culpa dele) e sambões antigos e
dos bons. Fato é que não tenho lá boas lembranças de Finados. No enterro de minha avó paterna –que
sofreu pra caramba antes de morrer- lembro que eu e meus primos comíamos bisnaquinhas e secávamos
o café e alguém começou a soltar piada. Meu pai nos viu e mandou o coro ali mesmo, na antesala ao
lado do corpo da mãe dele.

Mais tarde lembro-me de minha mãe e tias fazendo romarias para lavar lápides.
Era engraçado ver aquelas mulheres carregando baldes, vassouras, omo, etc, rumo aquelas casinhas
de tijolos. Eu achava aquilo chato mas não tinha lá grande escolha.
O problema não era ir e ver aquelas coisas. O problema era voltar. Em muitas vezes
meu pai encasquetava e achava que minha mãe lá tinha caso e aproveitava a saída
pra chifrá-lo. O sujeito, invariavelmente bêbado e louco, se bem que poucos são os
momentos que eu lembro dele sóbrio e bem, inventava coisas pra lá de loucas.
Lembro-me de um dia em particular que ele mandou minha mãe sentar numa poltrona
e ficou fazendo uma verdadeira inquisição. Perguntava e antes da resposta socava,
chutava, etc. Ver aquilo, ela sangrando, ele louco, violento, nos fazia chorar. O máximo
que conseguíamos ao tentar interceder era apanhar também. E não era pouco. Aí ela
chorava e gritava pedindo para que ele só batesse nela e nos poupasse. De tão louco
ele distribuía pra todos.

O tempo passou. Deixei de ser esguio, magro, treinei e fiquei até que razoavelmente forte. Por um
motivo que não lembro agora houve nova briga, ele de novo ficou louco,
com raiva, violento, bateu nela, etc e então corremos todos os três –eu e meus dois irmãos pra
casa de meu avô paterno, que ficava próximo. O meu pai, depois de espancar
minha mãe foi atrás. Meu avô tentou dialogar, segurar meu pai e nada resolveu. Ele
queria ir pra cima da gente. Por um motivo esquisito meu avô teve um infarto e morreu ali. Em
revide peguei um paralelepípedo e fiz o que nunca antes fizera. Me defender e
defender meus irmãos. Resultado foram quatro costelas quebradas, dez pontos na cabeça
de meu pai e um carro estourado –quando meu irmão sem habilitação e minha irmã
desesperada pegaram o carro pra levar meu avô pra Santa Casa local e estouraram tudo.

Fiquei inerte com a morte de meu avô paterno, figura que admirava demais. Depois disso não
me lembro de te ido tanto assim a cemitérios além dos enterros. Prefiro manter a imagem dele vivo, e, de preferência, perto.

Hoje percebo que fantasias existem e podem levar à morte se não foram devidamente
tratadas e eliminadas. Não quero celebrar morto algum. Que meu avô esteja bem onde estiver e
se estiver por perto –como algumas vezes sinto- que seja para me passar coisas boas como a dança,
artes, e tudo o mais que ele gostava tanto. Que era viver.

Vou tentar, mais um dia, lutar para resgatar o que está vivíssimo e quase matei. Viver e bem pra
que coisas como as escritas acima não venham a influenciar as atitudes que tenho agora, mas
sejam apenas mais um post num blog-divã.
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Terça-feira, Outubro 27, 2009
 
By Brucutu Fundamental

"Eu sei que é demais mijar na janela / gritando por Deus / e berrando o nome dela / e o mundo todo / tem que saber / que ela errou / que eu errei / e então eu declarei guerra / paz na terra só pra quem tem coragem / quem perde no amor sempre faz o papel de covarde / faz bobagem"

(Cazuza / Lobão)

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Diálogo

Vizinho querido encontra com vizinha querida em supermercado. Os dois conversam amenidades, trocam mail e promessas de emprego.
Aguerde próximos capítulos.

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Terça-feira, Outubro 20, 2009
 
Fogo

Dá pra ouvir pensamentos.

Há dias sonho com você e até falo seu nome nas madrugadas.
Me procuram e não me encontram, sempre dou um jeito de fugir.
Questionei-me o que seria. Agora entendi. Roda gigante pegando fogo.

"Para Jung, o fogo é um símbolo da libído e a produção de fogo pode ser uma analogia do ato sexual. (15)
Como símbolo da libido, o fogo pode expressar também agressividade."
http://www.parapsicologia.org.br/silvino-6.htm


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Sexta-feira, Outubro 02, 2009
 
Saudade

De viver. Faz tempo que eu não faço isso.
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Sexta-feira, Setembro 18, 2009
 
Changes

Não há muito tempo eu adorava a noite
Continuo adorando. Só que é pra dormir.
Encontrar um all-star azul. Sim, um all-star azul
Boa noite (é menos de 20h? Ah, tá, dane-se!). Até.

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Domingo, Setembro 13, 2009
 
Frase

Quando a gente percebe que não tem mais nada a perder, a vida fica muito leve.
Não que eu já esteja com essa leveza toda. Mas uma coisa ou outra eu já percebi.
É uma questão de tempo.


by Bortolotto
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Sábado, Setembro 05, 2009
 
Digestão punk cíclica

A mágoa escorre em lágrimas, ao passar pela boca as engulo com o sorver da língua
E sinto gosto acre, desce à garganta e me alimenta
No estômago brigam com os restos de álcool, gorduras e fel destilado
O suco gástrico que se forma é explosivo e autodestrutivo
Está prestes a esvair
Dou um ruidoso peido, faço expurgar o escremento em forma de gazes
E quero que sorva pela sua fétida narina o podre
Pior do que ovo, carne póstuma e resíduo de sangue, suor, células mortas
Que serão digeridos, regurgitados e novamente ingeridas
Para voltarem a formar o ódio, escorrerem em lágrimas e serem sorvidas

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Sábado, Agosto 22, 2009
 
roubado do blog do Marião
Nada vai mudar isso

(Paulinho Moska)

O meu amor partiu
Cansou dos meus vícios
E mesmo que amanhã ele volte com outro feitiço
Hoje, o meu amor partiu
E nada vai
Nada vai mudar isso

Nada vai mudar na cama grudada em mim
Nem meu rosto inchado de mágoa
O sol se escondeu lá fora
Atras de uma nuvem de água

Nas paredes nossa história
E no teto a minha tela de cinema
E nela ainda vejo nosso esgrima de língua
Os nossos raios, Nossa antena.

Meu amor se expulsou de mim
cansou dos meus vícios
E mesmo que amanhã ele volte
Com outro feitiço
Hoje, meu amor partiu
E nada vai
Nada vai mudar isso.

LINK PRA VER E OUVIR A MÚSICA NA VERSÃO DE CÁSSIA ELLER E FÁBIO ALLMAN: http://www.youtube.com/watch?v=8qMzg2iOm74

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Sexta-feira, Julho 31, 2009
 
See you

Um aceno de uma janela, o abraço de despedida
A ferida aberta, o sangue e o pús que jorra
O caminhar de quem se vai, sem olhar para trás
A corisa quando se pressiona a narina
As roupas jogadas em uma mochila e ticket da passagem
O jorro do regurgito na bacia do banheiro
A cor púrpura no fundo do copo
O segurança flagrando a mijada no muro
O aperto de mão, o afago no cabelo
O sêmem limpado com papéis absorventes
A lágrima que foge e dissipa ao vento
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Quinta-feira, Julho 23, 2009
 
De modo selvagem

Ando e encontro uma maneira de ser livre
Levo comigo um vazio e pergunto silenciosamente
Que todos os meus destinos irão aceitar o desencontro
e assim posso respirar

Me excluo de círculos que crescem e tentam engolir a todos
E daqueles que dizem que tudo está bem para suas esposas
Mas no fundo elas não sabem o que realmente se passa

E a mente, cheia de perguntas a um professor que mora em minha
alma. E assim eu vou

As respostas, que nunca são dadas, me fazem ficar longe e
acreditar que preciso apenas ir

Questões proprietárias de efeitos gravitacionais que levam a lugares
que insistem em me atrair
Se alguma vez houve alguém para manter-me no que chamam casa.
Pode ser você

E todos nos deparamos com gaiolas em que vivemos e adquirimos
E pensam em mim e no meu erro, mas estou em lugares que nunca pensaram
que estivesse
Tenho minha indignação, mas sou puro em todos os pensamentos e na vida

Sinto ventos em meus cabelos e espalho sentimentos por toda parte
Tais sentimentos atingem todo meu ser. O certo é que volta não há.
O caminho desapareceu e sequer há norte, rumo ou resquício
Já é tarde da noite e ouço as árvores cantando sob as cabeças dos mortos

Deixei tudo que era caro para mim e encontrei uma maneira de ser
Considero-me um satélite sempre em órbita
Eu sabia todas as regras, mas elas acabaram por não me garantir nada
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Terça-feira, Julho 21, 2009
 
Mother

Te vi em sonhos, novamente
Eram lembranças de dor, desespero, morte,

Uma saudade provocada não sei lá pelo que,
Motivaram taquicardias, suores em pleno frio,
ansiedade e uma tristeza sem fim

Sei que não te dou tanta atenção quanto mereceria
Nem me motivo a fazê-lo

Sei que está partindo, depois de tantas lutas,
batalhas, conquistas, derrotas e vitórias

Aquele dia em que me pegou no colo, sangrando,
me olhando com olhos complacentes, eu sentia dor
e você dizia que nada podia fazer

Outra vez que correu conosco pelo campo, fugindo
do perigo, nas trevas, na cabeceira de uma pista
de avião, o barulho de animais, o medo

A tua coragem em dizer que tudo estava bem, mesmo
vendo meu pescoço na mira de uma faca e um cano
de revólver voltado para nós

Aquela toalha de banho completamente regada a sangue,
policiais indicando para que fosse até a delegacia,
você, complacente, dizendo que nada faria, apesar do
grande mal que fora acometida

Teu medo da solidão na velhice, era a resposta, para
não tomar uma atitude mais extrema

A mão amiga, mesmo quando eu estava completamente
errado naquela cama de hospital, quase cego, com nariz
quebrado, uma criança que se deu mal,
e você estava lá, do meu lado quanto absolutamente todos
foram embora, me deixaram ficar onde estava, só

Admirava e ainda admira ver tua força que até hoje eu não
sei de onde vem,

A força dos braços batendo as roupas no tanque, debaixo
do sol, a auto-estima, carisma e fidelidade sendo colocadas
a prova, sem motivo, chutes, socos e pontapés, você ajoelhada,
sendo vítima de violência, nós, pequenos, assistindo

O tempo passou. O que gerou violência hoje é vítima dela.
O que era vítima, se tornou o autor

E você ainda continua ai.

Só acho que não mais a mesma, está prestes a ir, eu, nada
a fazer. Torço apenas para que vá, assim estarei livre para
me libertar, sair de onde não quero estar e ir para um lugar
que ainda não sei
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Segunda-feira, Junho 29, 2009
 
Crime e castigo

Aquilo que é torto não se pode endireitar,
aquilo que falta não pode ser calculado

Salomão

A moral dos fracos é produto do ressentimento,
que odeia e teme a vida, envenenando-a com a culpa
e o pecado, voltando contra si mesmo o ódio à vida

Nietszche

Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada,
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda,

O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos

Existe, sim: mas nós não a alcançamos,
Porque está sempre onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos

Vicente de Carvalho, em Velho Tema

a torneira seca
(mas pior: a falta de sede)

a luz apagada
(mas pior: o gosto do escuro)

a porta fechada
(mas pior: a chave por dentro)

José Paulo Paes

Sou uma estrutura psicológica e histórica.
Recebi uma maneira de existir, um estilo de
existência. Todas as minhas ações e meus
pensamentos estão em relação com essa
estrutura. No entanto, sou livre, não apesar
disto ou aquém dessas motivações, mas por
meio delas, são elas que me fazem comunicar
com minha vida, com o mundo e com a
minha liberdade

Merleau-Ponty

Meditar sobre morte é meditar sobre
a liberdade; quem aprendeu a morrer, desaprendeu
de servir; nenhum mal atingirá quem na existência
compreendeu que a privação da vida não é um mal;
saber morrer nos exime de toda sujeição e coação

Montaigne

Certamente, o tirano nunca ama e nem
é amado. A amizade é nome sagrado, coisa
santa: só pode existir entre gente de bem,
nasce da mútua estima e se conserva não
tanto por meio de benefícios, mas pela vida
boa e pelos costumes bons. O que torna um
amigo seguro de outro é a sua integridade.
Como garantias, tem seu bom natural, sua
Fidelidade, sua constância. Não pode haver
Amizade onde há crueldade e injustiça.
Entre os maus, quando se juntam, há uma
Conspiração, não sociedade. Não se apóiam
Mutuamente, mas temem-se mutuamente.
Não são amigos, são cúmplices.

La Boétie

A justiça não existe por si própria,
mas encontra-se sempre nas relações
recíprocas, em qualquer tempo e lugar
em que exista entre os humanos o pacto
de não causar nem sofrer dano.

Epicuro
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Domingo, Junho 28, 2009
 
Feeling

O desejo de me render à loucura é grande.
Mas se esse é o jeito insano de encontrar a sanidade
eu aceito e vou lutar. Só quero a recompensa de ter de
volta a minha vida e tudo que dela espero.

Espantar esse vazio do peito que só faz crescer a
cada segundo, minuto, hora, dia distante dela.

Morrer eu já estou. Sei que ainda tenho muito a pagar
pela quantidade de besteira que fiz. Que tenha forças
para renascer melhor e comprovar que não estou errado
quando digo que amo e a farei feliz não por menos de
um mês, mas durante uma vida inteira.
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